Fogo continua a ameaçar índios no Maranhão

As terras indígenas do Maranhão seguem em chamas sem que haja uma ação efetiva do governo federal para conter os incêndios

Depois das terras indígenas Alto Turiaçu e Arariboia, agora é a vez da Terra Indígena (TI) Caru arder em chamas. O local abriga os povos indígenas Guajajara e Awá Guajá, este último recém-contatado e conhecido como o povo mais ameaçado do mundo, com presença de indivíduos isolados vivendo no interior da área.

Segundo os relatos locais, a Caru está cercada pelo fogo, que já compromete metade da área. Na aldeia Awá, por exemplo, o fogo está a 30 minutos de distância das casas, impedindo a caça e, como consequência, a alimentação das famílias: “As crianças pedem carne quando voltamos do combate ao fogo. Respondo, não tem minha filha, só fogo”, diz relato de um dos indígenas. Além de comprometer a caça, o fogo já cercou os rios e as áreas de coletas de frutos.

Segundo as informações do CIMI (Conselho Indigenista Missinário) do Maranhão, no momento há cerca de 100 indígenas Guajajara e 30 indígenas Awá atuando no combate às chamas e apenas 45 brigadistas do Prevfogo (órgão nacional de combate aos incêndios florestais). Há também um helicóptero do Ibama, que, no entanto, se divide entre as terras indígenas Awá e Alto Turiaçu. A situação é tão desesperadora que os índios estão sendo obrigados a fazer o combate com as próprias mãos, como pode ser visto no vídeo abaixo:

Os Awa Guajá têm seu modo de vida baseado na caça e na coleta, e vivem exclusivamente da floresta.  Enquanto o Estado continua inoperante, a fome ronda as comunidades.  Se o incêndio não for controlado rapidamente, a tendência é que aconteça o mesmo que na Terra Indígena Arariboia, que queimou impunemente por dois meses destruindo 45% do território.  Pela localização do fogo no centro da mata, os Awá acreditam que os locais de coletas dos Awá que vivem isolados já foram inteiramente queimados, mas no momento não há mais informações sobre como estão esses grupos.

Mapa mostra focos de calor nas terras indígenas do Maranhão em novembro (Greenpeace).  De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), há no momento 595 focos de calor na TI Arariboia, 533 na Alto Turiaçu, 174 na Caru e 112 na Awá.
Mapa mostra focos de calor nas terras indígenas do Maranhão em novembro (Greenpeace). De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), há no momento 595 focos de calor na TI Arariboia, 533 na Alto Turiaçu, 174 na Caru e 112 na Awá.

Segundo o cacique Antônio Wilson Guajajara, o incêndio é criminoso, causado por madeireiros e invasores, algo que também ocorreu na Terra Indígena Alto Turiaçu, onde madeireiros colocaram fogo em retaliação as atividades promovidas pelos índios e monitoramento e proteção de seu território. As terras indígenas do Maranhão, em conjunto com a Reserva Biológica do Gurupi, concentram os últimos remanescentes de floresta da Amazônia do Maranhão, mas estão sendo destruídas pela inoperância do governo em protegê-las. Uma nota pública da Rede Eclesial Panamazônica sobre a violência perpetrada por madeireiros no Maranhão resume bem a situação: clique aqui para acessar.

“Embora esta seja a época dos incêndios florestais na Amazônia, é inegável que o governo brasileiro não está preparado para responder rápida e eficientemente a um conjunto maior de incêndios florestais dentro de terras indígenas”, afirma Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do Greenpeace. “O que está acontecendo no Maranhão é reflexo da falta de uma política efetiva de proteção das terras indígenas no Brasil. Além da urgência de enviar mais efetivos para combater o fogo, o governo federal precisa de uma vez por todas realmente proteger as terras indígenas, com aumento da fiscalização, o controle das invasões e o monitoramento de focos de incêndio”, conclui ele.

Fonte: Greenpeace Brasil

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