Fundo quer investir até US$ 500 mi em pecuária sustentável no MT

O fundo britânico Althelia Climate Fund planeja investir entre US$ 200 milhões e US$ 500 milhões em pecuária sustentável no Mato Grosso até 2017, estimando que pode ter rendimento anual entre 10% e 15% – comparado a rendimento quase nulo atualmente nos países desenvolvidos nos investimentos normais.

O plano do fundo ilustra como investir em portfólio descarbonizado, ou seja, em fazer pecuária sem desmatamento é comercialmente viável e pode render bons lucros. O Anthelia investiu recentemente € 12 milhões num programa pecuário no Mato Grosso para restaurar 10 mil hectares de pastagem degradada e diversificar a produção de gado, preparado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e pela Pecsa (Pecuária Sustentável da Amazônia).

Com dinheiro de investidores como Credit Suisse e Banco Europeu de Desenvolvimento Econômico, o fundo financia o capital para a Pecsa e será remunerado com a venda do gado. A expectativa é de quadruplicar a produção bovina por hectare, de forma sustentável, sem desmatamento, assegurando rastreabilidade etc.

“Estamos pensando em retorno de até 15% por ano, mas há riscos”, pondera Juan Aybar, diretor para América Latina. “Somos o primeiro fundo europeu fazendo isso no Brasil. E não há experiência de agrupar fazendeiros na região nesse tipo de projeto.”

Para o diretor do fundo, Sylvain Goupille, quanto mais o programa inicial for bem implementado, maior o retorno competitivo. “O interesse dos investidores é grande e por isso apostamos em chegar a cerca de US$ 500 milhões.”

“Estamos fazendo um piloto comercial e a ideia é pegar 200 mil hectares, pelo menos, nos próximos anos”, diz Aybar.

Representantes de fundos, organizações climáticas e não governamentais acompanharam em Paris o governador do Mato Grosso, Pedro Taques, fazer o anúncio do compromisso de erradicar o desmatamento ilegal até 2020, dez anos antes do prazo estabelecido pelo governo federal.

A meta visa barrar a retomada no desmatamento no Estado verificada no último ano, que totalizou 40% a mais, atingindo 1.508 km2 de floresta, segundo dados recentes divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente.

O governador Taques sabe que terá de buscar dinheiro junto a governo federal, fundos de investimentos estrangeiros e iniciativa privada para acabar com o desmatamento ilegal no novo prazo. O custo é de pelo menos R$ 2 bilhões, sem falar do resto de seu projeto ambiental, que pode custar R$ 39 bilhões em 15 anos.

Numa ilustração da dificuldade, ele lembrou que o Fundo Amazônia, administrado pelo governo, aprovou R$ 35 milhões para o Mato Grosso, dos quais apenas R$ 2,5 milhões foram desembolsados até agora para combater o desmatamento.

O Mato Grosso quer transformar 6 milhões de hectares de pastagens com baixo rendimento em áreas de alta produtividade, compostas por 3 milhões de hectares de plantio de grãos, 2,5 milhões de pecuária e 500 mil de floresta plantada.

O Acre também fez evento próprio, em que o governador Tião Viana anunciou o mesmo compromisso. Entre julho de 2014 e agosto de 2015, o Estado diz ter reduzido 10% do desmatamento, indo na contramão dos outros Estados, que juntos aumentaram a perda de florestas em 16%. Os dois governadores assinaram a meta mais tarde, na embaixada brasileira.

Ara a entidade holandesa IDH (The Sustainable Trade Iniciative), que procura aproximar compradores europeus e fornecedores brasileiros de matérias-primas que respeitam o meio ambiente, o potencial de investimento privado é grande na pecuária do Mato Grosso, dependendo da implementação do que é prometido. Dá para alavancar pelo menos US$ 1 bilhão para os projetos”, afirmou Lucian Peppelenbos, da IDH.

A companhia de eletricidade francesa EDF também mostrou interesse em participar de projetos ambientais no Brasil.

Por: Assis Moreira
Fonte: Valor Econômico

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