Governador José Melo endurece discurso por compensações ambientais no Amazonas

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Gestor sancionou a lei que permite ao Estado ter acesso a recursos financeiros por manter floresta em pé, e afirma que vai a Paris exigir seriedade da comunidade internacional com o tema

“Serei o primeiro a pegar a motosserra e derrubar as árvores no Amazonas se meu povo precisar de alimento”. É com essa disposição que o governador José Melo (Pros) irá participar da Conferência do Clima (COP-21), em Paris, França. Melo garantiu que não voltará para Manaus recebendo ordens dos países do primeiro mundo sobre o que dever ser feito para haver a preservação, mas aproveitará o encontro para buscar diálogos e recursos, principalmente, para melhorar a vida da população.

As declarações fortes foram dadas, nesta terça-feira (1º), quando o governador sancionava a nova Lei de Serviços Ambientais, que estabelece regras para o recebimento de recursos advindos de compensações ambientais pagas por organismos internacionais e países poluidores.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) informou que, se consideradas somente as 42 Unidades de Conservação estadual, o Amazonas tem 196 milhões de toneladas de carbono para negociar. Como cada tonelada, no mercado, custa em média US$ 5, o Estado pode captar até US$ 3,6 bilhões com a implantação de projetos.

A captação de toda a área preservada do Amazonas é estimada em R$ 17 bilhões até 2020. Para a Amazônia brasileira, os valores que podem ser captados estão estimados em U$S 45 bilhões até 2020, mas muitos estados ainda não definiram as regras para contar com esses recursos. Com a sansão da Lei de Serviços Ambientais, o Amazonas desponta entre os primeiros a se habilitar a receber essa verba.

Compensações

José Melo informou que, além de participar da Conferência, o Amazonas estará em busca de diálogos com outros países que valorizem o conceito de ecologia, como Noruega, Alemanha, Espanha e Itália etc.

“Quero fazer uma grande coalizão em torno daquilo que é nossa realidade. Quero separar o joio do trigo. Vivemos em uma região que foi muito maltratada, mas que tem uma virgem dentro dela: o Amazonas. Quero que o mundo conheça o Estado do Amazonas, um estado muito preservado, que tem quase 3 mil indígenas e 4 milhões de pessoas vivendo aqui e que para abrir mão dessa riqueza toda precisa ter compensações”, completou.

Só 3% do Estado foi desmatado

A diretora-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), Ana Aleixo, apresentou o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélites (Prodes) e disse que o Estado preserva 97% do território com cobertura florestal.

Sobre o aumento do desmatamento anunciado pelo Ministério do Meio Ambiente, com a base nas pesquisas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ana Aleixo informou que aguardará o resultado final do trabalho, mas ponderou que a situação pode estar relacionada com o avanço da fronteira agrícola e a exploração madeireira no Sul do Amazonas.

“Não é que o Estado tenha aumentado por falta de um programa de monitoramento e fiscalização, na verdade há um avanço natural. Esses Estados, ao longo de 50 anos, foram aumentando a áreas agrícolas. A pressão maior é porque tem uma vegetação parecida que fica no Sul do Estado, mas há uma ação forte do governo no sentido de desenvolver a política de monitoramento”, comentou.

Conforme os dados do Prodes, em um período de 10 anos, entre os anos de 2003 a 2014 o Amazonas diminuiu 70% da supressão vegetal. Deixou de desmatar 70% nesse período, mesmo após ter avançado o desmatamento no Sul do estado.

Houve ainda um aumento de desmatamento de 54% na Amazônia como um todo, mas o Amazonas está na quarta colocação no ranking do desmatamento.

Sobre estes dados, o governador José Melo destacou que o Amazonas precisa ser tratado com responsabilidade, pois tem a responsabilidade de preservar “um patrimônio do Brasil e um patrimônio humanidade”. “A floresta, ao sequestrar carbono, contribui de forma decisiva para o equilíbrio ecológico do mundo todo. É nessa linha que eu vou a Paris, de outra forma eu ficaria aqui em Manaus, não sairia daqui do meu Estado”, disse.

Blog: José Melo

Governador do Amazonas

“O Amazonas renunciou, há muito tempo, a 12 % do seu território quando criou as reservas de desenvolvimento sustentáveis. Eu pergunto: o que mudou na vida do homem e da mulher do interior? Não mudou nada! Ao contrário, trouxe um custo de manutenção para o Estado”, destacou o governador.

“Então tem que acabar com a brincadeira com esse Estado. Depois, quando se publica algo sobre o desmatamento, fazem como se o mundo estivesse se acabando com o desmatamento de uma área que ainda está 97% preservada. Essa brincadeira tem que acabar”.

‘Indo buscar investimento’, diz secretário executivo

“A política estadual de serviços ambientais prevê a construção de mecanismos econômicos, públicos e privados. Estamos contemplando que o conselho estadual de meio ambiente possa fazer a supervisão desses recursos, desses fundos, pra que toda a transparência possível seja articulada”, afirmou Luiz Piva, secretário executivo da Sema.

“A ideia é criar um sistema de repartição de benefícios uma discussão ampla com a sociedade para que possamos definir os princípios, critérios e nova guardas de repartição desses benefícios para que os recursos cheguem efetivamente. Estamos agora em processo de regulamentação dessa política. Estamos indo à COP21 para atrair os investimentos necessários”, completou.

Por: Isabelle Valois
Fonte: A Crítica

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