Grandes animais em florestas ajudam a frear as mudanças climáticas

Espécies espalham sementes de árvores nobres, com maior capacidade de reter gases

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Madeira boa: Mauro Galetti durante pesquisa na mata

Grandes animais têm papel fundamental em frear as mudanças climáticas, segundo um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro. Ao circular entre as árvores, aves e mamíferos frugívoros (que comem frutos) de grande porte transportam as maiores sementes por toda a floresta e garantem espaço para árvores de madeira nobre, como canelas, jatobás e maçarandubas, aquelas com maior capacidade de capturar gases estufa da atmosfera.

Animais responsáveis por tal tarefa, no entanto, são os mais visados por caçadores. Se eles forem extintos, a distribuição das sementes caberá às pequenas espécies, que conseguem carregar apenas as sementes menores que dão origem a árvores de madeira “mole”. Isso diminui o poder da floresta de armazenar carbono.

– Os animais são os responsáveis por cuidar da composição da floresta e da quantidade de poluentes que ela pode retirar da atmosfera – assegura o professor Mauro Galetti, do Departamento de Ecologia da Unesp e coautor do estudo, publicado na revista “Science Advances”.

Entre as espécies ameaçadas estão anta, macaco-aranha, bugio, gorilas e chimpanzés. Sem elas, as árvores de madeira nobre envelhecem e perdem parte expressiva de seu potencial para estocar poluentes. Além disso, esta vegetação também está sujeita a outras ameaças, como raios e fortes rajadas de vento. E esses eventos não devem ser menosprezados: em janeiro de 2005, em apenas dois dias de tempestade e com ventos de até 140 km/h, a Amazônia teria perdido até 663 milhões de árvores, segundo um estudo publicado cinco anos depois pela revista “Geophysical University Letters”. Com isso, a captura de carbono naquele ano foi 23% menor do que a média.

– As áreas vazias acabam colonizadas por árvores de sementes pequena, que dão origem à vegetação de madeira “mole” – explica Galetti.

Coautora do estudo, Carolina Bello, também pesquisadora da Unesp, lamenta as transformações na configuração da mata:

– O resultado é uma nova floresta dominada por árvores menores com madeiras mais leves que armazenam menos carbono.

Uma das estratégias populares para conservar a vegetação, e que mereceu destaque nas negociações da Conferência do Clima em Paris, é o Redd (sigla em inglês para “Redução de emissões decorrentes do desmatamento e da degradação de florestas”). O plano prevê compensações financeiras para governos que preservam árvores, e para se ajustar às demandas do Redd, muitos governos investem na criação de unidades de conservação. Galetti, no entanto, avalia que esta postura não é suficiente.

– Os parques contam com cada vez menos animais de grande porte. Por isso, a proteção oferecida pelos governos é incompleta

Fonte: O Globo

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Um comentário em “Grandes animais em florestas ajudam a frear as mudanças climáticas

  • 5 de janeiro de 2016 em 10:15
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    Como já se dizia, os animais “irracionais” ajudam muito mais a natureza do que nós, os “racionais”.

    Matéria muito interessante!

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