Indígenas do Baixo Amazonas desamparados em Brasília

Sem apoio, grupo de indígenas convidado a participar de Conferência, em Brasília, está sem recurso para retornar para casa

Revolta e indignação eram os sentimentos dos indígenas denunciantes que estão desamparados nas embarcações (Divulgação )
Revolta e indignação eram os sentimentos dos indígenas denunciantes que estão desamparados nas embarcações (Divulgação )

Representantes indígenas de nove etnias do Baixo Amazonas estão em Manaus abrigados em casas de parentes e em pequenas embarcações, sem recursos até mesmo para se alimentar e pagar passagem de volta para suas respectivas comunidades nos municípios de origem, como Borba, Autazes, Careiro Castanho, Manacapuru, Anamã, Beruri e Manaquiri.

Segundo os indígenas, eles foram trazidos a Manaus pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para participar do Conferência Nacional de Política Indigenista que teve início na segunda-feira (14), em Brasília, e se estende até quinta-feira (17). Os indígenas foram surpreendidos com a falta de organização.

“Nós estamos passando por privações desde a última sexta-feira, quando chegamos a Manaus. Nesse período estamos contando com apoio de familiares e de pessoas que sensibilizam conosco. A maioria não tem condições financeiras de retornar para suas aldeias”, disse Francisco Kambeba, cacique da Aldeia Tururukari-Uka, situada em Manacapuru, a 84 quilômetros da capital.

De acordo com o cacique, durante três dias ele tenta entrar em contato com a Funai, que supostamente, encaminharia uma pessoa para busca os indígenas no porto. “Até agora ninguém nos procurou e estamos desamparados, muitos fizeram contatos com amigos e parentes, outros tentam negociar a passagem para retornar ao município e o restante espera pelo apoio de suas aldeias”, comentou Francisco Kambeba.

Na segunda-feira (14), para suprir parte das necessidades, um dos representantes do grupo de aproximadamente 80 indígenas, que estão alojados nas embarcações na Manaus Moderna, recebeu a quantia de R$ 300 para custear uma pequena parte das despesas com passagens e alimentação. “Lamentamos muito pela situação que está ocorrendo, ontem um grupo de dez indígenas conseguiram negociar suas passagens para retornar as suas comunidades, enquanto que boa parte, ainda ficará por aqui até que a situação seja resolvida”, disse Francisco Kambeba.

Em Brasília

A mesma situação é enfrentada pelos 38 indígenas do Amazonas que conseguiram ir à Brasília, mas estão sem a passagem de retorno. “Por lá, eles fizeram cotas para arcar com as despesas de hotel e alimentação, mas os recursos não devem durar por muito tempo”, relatou o cacique Francisco.

Segundo o cacique, não foram disponibilizadas passagens para o retorno dos indígenas ao Estado. A reportagem tentou contato com a Funai, mas não obteve êxito.

Em busca de apoio na Seind

Ainda segunda-feira (14), representantes dos indígenas estiveram na sede da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), na tentativa de receber apoio para sanar a situação. Até o final da tarde de ontem, não foi confirmado se o grupo foi recebido pela direção da Seind ou se tinha conseguido o apoio com passagens por parte do órgão.

Avaliação da ação indígena no País

A 1ª Conferência Nacional de Política Indigenista realizada em Brasília, ao longo da semana, tem por objetivo realizar a avaliação da ação indigenista do País, reafirmar as garantias reconhecidas aos povos indígenas do país e propor diretrizes para a construção e a consolidação da política nacional indigenista.

Por: Náferson Cruz
Fonte: A Crítica

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