Morte de Chico Mendes completa 27 anos; casa de líder segue fechada

Local foi fechado após ser inundado pelo Rio Acre durante cheia histórica. Iphan deve restaurar a casa do líder no ínicio de 2016, diz FEM.

Casa de Chico Mendes quando ficou submersa pelas águas do Rio Acre em Xapuri e depois da cheia (Foto: Aline Nascimento/G1 e Quésia Melo/GE)
Casa de Chico Mendes quando ficou submersa pelas águas do Rio Acre em Xapuri e depois da cheia (Foto: Aline Nascimento/G1 e Quésia Melo/GE)

A casa onde morou e morreu o líder seringueiro Chico Mendes em Xapuri, município localizado a 188 quilômetros de Rio Branco, segue fechada desde março deste ano, quando o local foi inundado pelas águas da cheia história do Rio Acre.

Nesta terça-feira (22), completa 27 anos da morte de Chico Mendes e os artefatos históricos que contam sua trajetória e vida dele estão divididos sob a custódia da família e da Fundação Elias Mansour (FEM), segundo a presidente do órgão Karla Martins.

“A fundação tem poucas coisas, a maior parte dos artefatos como roupas e outras coisas está com a família. Nós cuidamos da casa porque é importante, mas o acervo pertence à família. Como houve a alagação eles tiraram e guardaram os objetos e guardaram”, explica.

Restauração

A casa que já foi visitada por turistas de todo o mundo deve ser restaurada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A ordem de serviço para a restauração que deve ser dada em janeiro de 2016. Porém ainda não há data para reabertura ao público.

“Foi feita a licitação, o Iphan já tinha um projeto de restauração que seria realizado antes da cheia, mas após isso tudo precisou ser modificado, mas já está tudo certo com a empresa responsável. O órgão tomou a decisão de esperar um pouco com medo de uma nova alagação no período da obra. Estão aguardando de um arquiteto restaurador e o Iphan vai acompanhar”, disse.

Karla explica que durante a restauração deve ser feito uma obra de contenção no terreno para tentar evitar que uma nova cheia atinja a casa. “Eu temo porque a erosão avançou muito, o próprio rio está avançando muito atrás da casa. Para o futuro não sei que medidas terão que ser tomadas”, lamenta.

Inventário

Ainda segundo Karla, o Iphan fez um inventário de bens. A intenção é identificar os artigos realmente fazem parte da casa e devem permanecer no local. Além disso, também estudaram a forma como os objetivos devem ser restaurados por causa da ação do tempo.

“Ao longo desses anos pessoas que passaram na casa deixaram livros e outros materiais que não faziam parte do local na época em que o Chico estava vivo. Esse inventário pode mostrar que certas coisas poderiam ficar em outro espaço. Livros, por exemplo, que foram deixados pelas pessoas e que no decorrer do tempo acabaram sendo incorporados ao acervo”, explica.

Museu da Borracha

Outro local histórico que segue fechado e deve passar por reformas, ampliação e restauração é o Museu da Borracha localizado no Centro de Rio Branco. De acordo com Karla o prédio tem uma questão de acessibilidade delicada, por isso, estão encerrando o projeto do prédio que deve entrar em licitação no início de 2016.

“Estamos estudando colocar uma plataforma de acessibilidade por fora do museu. A rampa e o apoio para cadeirante alteraria muito a entrada, por isso a demora para ver como faríamos isso, mas a reforma está praticamente fechada. Uma comissão do Conselho de Cultura vai acompanhar isso”, destaca.

Ainda segundo Karla, o museu pode ser reaberto a partir do segundo semestre de 2016. “O que pode haver é uma readequação da própria exposição, pois os nossos espaços culturais tem um pouco de cada coisa. Essa readequação pode fortalecer a própria exposição, abordando os ciclos da borracha”, disse.

O acervo também pode se tornar digital, caso a FEM feche uma parceria para fazer microfilmagens e digitalização de arquivos principalmente os jornais. “O acervo de jornal não dá para continuar sendo usado pelas pessoas, mesmo que usemos luvas. Com o tempo o material vai sendo deteriorado, querendo ou não”, finaliza.

Por: Quésia Melo
Fonte: G1

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