Povo Munduruku recebe prêmio durante a COP 21

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Duas lideranças indígenas viajaram do Tapajós a Paris durante a COP 21 para receber o Prêmio Equador, das Nações Unidas, que reconhece a luta desse povo pela defesa de seu território

Rozeninho e Maria Leusa Munduruku participam de evento na COP 21 ao lado do cacique Raoni, do povo Kayapó.  Eles estão em Paris para receber o Prêmio Equador, das Nações Unidas, pela luta em defesa de seu território.  (©Fábio Nascimento/Greenpeace)
Rozeninho e Maria Leusa Munduruku participam de evento na COP 21 ao lado do cacique Raoni, do povo Kayapó. Eles estão em Paris para receber o Prêmio Equador, das Nações Unidas, pela luta em defesa de seu território. (©Fábio Nascimento/Greenpeace)

Maria Leusa Kaba Munduruku e Rozeninho Saw Munduruku, lideranças do povo Munduruku na luta de resistência contra as hidrelétricas previstas para serem construídas no rio Tapajós, estão em Paris desde o início de dezembro para receber o Prêmio Equador 2015 (Equator Prize, em inglês), das Nações Unidas.

A premiação ocorrerá em uma cerimônia na noite de hoje, 7 de dezembro de 2015, durante a Conferência do Clima, no Teatro Mogador, no centro de Paris, com a participação de celebridades, líderes intelectuais e líderes de governos. Entre os participantes está Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeacce Internacional.

O Prêmio Equador reconhece iniciativas de comunidades que agem pela conservação, proteção de seu território e o uso sustentável da natureza e assim reforça a importância da participação de comunidades indígenas e locais para mitigar as mudanças climáticas, realçando o papel dos povos indígenas e das comunidades locais na COP21.

O Movimento Ipereg Ayu, do povo Munduruku, está entre os premiados por conta de sua luta para proteger seu território a partir da autodemarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, próxima ao município de Itaituba, no Pará, onde o governo planeja construir um complexo de cinco hidrelétricas no rio Tapajós. A primeira hidrelétrica, chamada São Luiz do Tapajós, se construída, poderá inundar aldeias da Terra Indígena Sawré Muybu, onde vive parte do povo. A autodemarcação foi iniciada no segundo semestre de 2014 e encerrada em 2015. Clique aqui para assistir o vídeo que conta a história e clique aqui para saber mais sobre a luta do povo Munduruku.

Os Munduruku vão aproveitar a oportunidade de estar na COP para denunciar o desrespeito do governo brasileiro aos direitos dos povos indígenas no Brasil e à Convenção 169, da Organização Mundial do Trabalho (OIT), que prevê a consulta prévia, livre e informada aos povos afetados por grandes empreendimentos.

Ao todo, foram 21 vencedores, escolhidos entre 1.461 candidaturas de 126 países. Além dos Munduruku, outro brasileiro premiado será o Instituto Raoni, do povo Kayapó, pelo projeto “guerreiros do vídeo”, que protege 2,5 milhões de hectares de florestas documentando a extração ilegal de madeira. Entre os países representados entre os ganhadores estão iniciativas do Afeganistão, Camboja, China, Indonésia, Irã, Bolívia, Colômbia, Honduras, Congo e Quênia.

Como vencedor, o Movimento Ipereg Ayu receberá um valor de 10 mil dólares que, segundo as lideranças do povo, será utilizado para manter a mobilização contra a construção das hidrelétricas no rio Tapajós.

Nessa segunda-feira uma comitiva de aproximadamente 100 Munduruku chega também a Brasília para protestar contra a PEC 215, a construção das usinas hidrelétricas e a paralisação do processo demarcatório da Terra Indígena Sawré Muybu.

Fonte: Greenpeace Brasil

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