Apenas 8 estão em abrigo no AC que já acolheu mais de mil imigrantes

‘Estão vindo pela rota legal. Desativou até a rede de coiotes’, diz secretário. Apesar do número pequeno, abrigo não deve ser desativado na capital.

O abrigo montado na Chácara Aliança, localizada na Estrada Irineu Serra, em Rio Branco, que já abrigou mais de mil pessoas, atualmente possui apenas oito imigrantes hospedados, entre haitianos, senegaleses e um dominicano. O Acre é rota de imigração desde o ano de 2010 e 50 mil imigrantes entraram no Brasil pelo estado desde então.

Segundo o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, esse é um dos menores números de imigrantes no abrigo de Rio Branco desde a instalação, em junho de 2014. Ele afirma que a redução é devido a emissão de vistos realizada em Porto Príncipe, no Haiti.

“Eles estão vindo pela rota legal. Eles tiram o visto em Porto Príncipe, onde o governo brasileiro está facilitando a retirada. Gastam menos e vão direto para o destino que querem. Facilitou tudo para vida deles. Desativou até a rede de coiotes”, esclarece.

Dos oitos imigrantes abrigados na chácara quatro são senegaleses, três haitianos e um dominicano, segundo a coordenação do local. Além dos trâmites legais, eles aguardam o retorno dos ônibus fretados pelo governo para levá-los para outros estados.

Entretanto, para que isso ocorra é preciso um número mínimo de 44 imigrantes, o último saiu há aproximadamente dois meses. Segundo a coordenação do abrigo, nesse período, sem o quórum mínimo, muitos imigrantes saíram por conta própria em busca de uma vida melhor em outros estados.

Abrigo deve ser mantido

Apesar do baixo número de imigrantes instalados no abrigo, Mourão explica que o local não deve ser desativado por enquanto. Ele conta que o governo tem um contrato a cumprir até o final do mês de junho.

“Houve uma redução drástica da vinda desses imigrantes pela rota do Acre, já tem uns quatro meses. Temos que aguardar pelo menos até o final de junho para ver se esses números se estabilizam. Caso isso aconteça, é porque a rota foi desativada. Ainda tem um grupo que continua vindo por essa rota”, disse.

‘Abandonei meu emprego, deixei a família e vim para cá’, diz dominicano

O dominicano Chayanne Luis, de 24 anos, é um dos que entraram no país pelo Acre. Em Rio Branco desde sábado (2), o imigrante, que morava em Quito, capital do Equador, resolveu se arriscar na rota depois que dois amigos foram mortos em um confronto com colombianos.

“Daqui eu vou para o Rio de Janeiro para trabalhar e aprender português. Vim embora porque perdi a vontade de morar lá no Equador”, confessa.

O imigrante conta que estudava geografia em uma universidade de Quito e sempre desejou conhecer o Brasil. Luis revela que não conseguiu tirar o visto e por isso preferiu fazer a viagem de ônibus. “Sempre quis conhecer o Brasil. Eu abandonei meu emprego, deixei a família e vim para cá”, explica.

Rota de imigração

Desde 2010, o Acre se tornou porta de entrada no Brasil para imigrantes que utilizam a fronteira do Peru com a cidade de Assis Brasil, distante 342 km da capital. Os haitianos são maioria entre os que utilizaram a rota.

Os grupos deixaram sua terra natal, depois que um forte terremoto deixou mais de 300 mil mortos e devastou parte do país. De acordo com dados do governo do estado, entre 2010 e maio de 2015, mais de 38,5 mil imigrantes entraram no Brasil pelo Acre.

Eles vêm ao Brasil em busca de uma vida melhor e de poder ajudar familiares que ficaram para trás. Para chegar até o Acre, eles saem, em sua maioria, da capital haitiana, Porto Príncipe, e vão de ônibus até Santo Domingo, capital da República Dominicana, que fica na mesma ilha. Lá, compram uma passagem de avião e vão até o Panamá. Da cidade do Panamá, seguem de avião ou de ônibus para Quito, no Equador.

Por terra, vão até a cidade fronteiriça peruana de Tumbes e passam por Piura, Lima, Cusco e Puerto Maldonado até chegar a Iñapari, cidade que faz fronteira com Assis Brasil (AC), por onde passam até chegar a Brasiléia.

O número de imigrantes no abrigo, porém, vem caindo ao longo dos meses. Em maio de 2015, por exemplo, eram 1.414 pessoas, entre haitianos e senegales, no abrigo. Já em outubro do mesmo ano, esse número caiu para 576, uma redução de 59% em seis meses.

Por: Aline Nascimento
Fonte: G1

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