Belém ganha ações de educação ambiental e preservação da biodiversidade nos 400 anos

Em poucos dias Belém completa 400 anos e a Embrapa Amazônia Oriental presenteia a cidade, atuando na melhoria da qualidade de vida da população, abrindo suas portas da instituição para o despertar da curiosidade científica em crianças e adolescentes e com diversas ações ao longo de todo ano, para levar espécies vegetais nativas da região, consideradas nobres e de importância cultural e econômica, para praças, escolas e a região das ilhas da capital. Uma mostra desse trabalho estará em exposição no dia 10 de janeiro, em estande montando na Praça Batista Campos, aberto a toda comunidade.

Presente na capital paraense desde meados de 1939, quando ainda se chamava Instituto Agronômico do Norte (IAN), a Embrapa Amazônia Oriental traz como legado à cidade ser o berço de mais de 75 anos de pesquisa agropecuária na Amazônia, que gera conhecimento e impulsiona o desenvolvimento econômico, social e ambiental da região, mas também congrega, em sua própria existência, a conservação de grande parte do capital natural da cidade impactando diretamente na qualidade de vida da população.

Afinal, são 3.000 ha de área no coração da região metropolitana de Belém de considerável riqueza natural integrando as unidades de proteção ambiental Área de Proteção Ambiental de Belém (APA de Belém) e Parque Estadual do Utinga (PEUt). Isso equivale à área de 214 Bosques Rodrigues Alves e 75% de mata preservada, correspondendo a ambientes de floresta de terra-firme, várzea e igapó. Os serviços ambientais prestados pela preservação desses ecossistemas garantem uma enorme biodiversidade animal e vegetal, sendo o habitat para polinizadores naturais de espécies econômica e culturalmente importantes para o paraense, como o açaí, sem falar no chamado sequestro de carbono, que compensa os efeitos do aquecimento global e interfere na manutenção da qualidade ambiental na Grande Belém.

A qualidade da água consumida em nossas casas também passa pela Embrapa, pois é dentro da área conservada que estão os principais mananciais hídricos de abastecimento da capital. Ao todo, são quatro lagos de barragens, sendo o maior deles o Água Preta que representa 75% do abastecimento e se encontra parcialmente na área da Embrapa, que também é banhada pelo rio Guamá e afluentes, como os igarapés Murutucu, Catu, Água Preta, Aurá, Aurá-Mirim, Assaçu-Açu e Uriboquinha.

As ações para presentear a cidade devem durar todo o ano de 2016, mas a população pode conhecer a programação no próximo dia 10 de janeiro, a dois dias do aniversário da capital, em estante montando na Praça Batista Campos. Lá, serão apresentadas parte das tecnologias geradas pela Embrapa, como o melhoramento genético para oferta de alimentos, composteira caseira, hortas para escolas e casas, o cultivo de abelhas nativas sem ferrão (meliponário), minhocário, além da uma mostra da coleção de insetos, sementes e mudas de espécies florestais e frutíferas da Amazônia.

E são parte dessas sementes e mudas que compõem um dos importantes presentes à cidade. A engenheira florestal Noemi Vianna Martins Leão, pesquisadora da Embrapa, adianta que estão sendo montados centenas de kits de espécies importantes à economia e cultura local, que serão doados às praças, ilhas e escolas de Belém. Ela explica que a ideia é aumentar a diversidade de árvores nobres da Amazônia na cidade, reintroduzir outras que remetem à cultura regional, como a cuieira ( Crescentia cujete ), vegetal que o fruto dá origem à tradicional cuia, utilizada como recipiente de pratos típicos como o tacacá e o açaí, mas também aproximar as pessoas dessa história e biodiversidade tão rica que é a amazônica.

A população das ilhas também terá atenção especial na programação anual. A pesquisadora informou que os moradores receberão mudas e sementes de espécies raras, como o Acapu e o Pau-Amarelo, mas também de frutíferas e oleoginosas, a exemplo da Andiroba. Queremos enriquecer a biodiversidade das ilhas, mas também fornecer alternativas de geração de renda aos moradores, com o aproveitamento dos recursos gerados pelas espécies , afirmou Noemi Vianna Leão.

O chamado ao despertar científico de crianças e adolescentes é outra atividade a ser intensificada em 2016. Por meio do programa Embrapa & Escola, alunos das escolas municipais estão convidados a conhecer as dependências da instituição, com ações de educação ambiental e visitas monitoradas às trilhas ecológicas do Meliponário e Capoeira do Black, ao herbário, xiloteca, laboratórios e viveiro de mudas.

Fonte: Embrapa

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