Instituto aponta tendência de retomada do desmatamento em MT

ICV vê aceleração no desmatamento sempre no 2º semestre desde 2013. MT estaria contrariando tendência de redução na Amazônia Legal.

Reserva Guariba Roosevelt: desmatamento avança no noroeste de MT (Foto: Fiscalização/Divulgação)
Reserva Guariba Roosevelt: desmatamento avança no noroeste de MT (Foto: Fiscalização/Divulgação)

Mato Grosso foi o único estado da Amazônia Legal que ampliou sua área desmatada nos últimos cinco meses de 2015, com aumento de 16% no corte raso da floresta. Os dados, gerados por observação de satélites, foram divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e, após análise pelo Instituto Centro de Vida (ICV), confirmam uma tendência de retomada do desmatamento no estado desde 2013, em contrariedade à redução que tem sido observada nos vizinhos da região amazônica.

A tendência apontada pelo ICV também contraria o compromisso assumido pelo governador Pedro Taques (PSDB), durante a Conferência Mundial do Clima em Paris (COP21), de zerar o desmatamento em Mato Grosso até 2020.

De acordo com o ICV, a análise de imagens de satélite – sempre nos meses de agosto a dezembro – tem evidenciado aceleração no ritmo do desmatamento em Mato Grosso ano a ano. Em 2015 os satélites detectaram 419 quilômetros quadrados de desmatamento (km²), 16% a mais que a área detectada no mesmo período de 2014 (quando foram constatados 362 km²).

Considerando o mesmo período do ano para análise, o estudo do ICV aponta incremento ainda mais significativo no ritmo do desmatamento: na comparação entre 2015 e 2013, a área devastada em Mato Grosso foi ampliada em 670%, afirma o instituto.

O período de agosto a dezembro, caracterizado pela seca na maior parte do estado, é considerado a primeira metade do ano no calendário oficial de monitoramento pelas entidades de controle da floresta amazônica.

As altas verificadas neste período em Mato Grosso revelam, para o ICV, uma retomada da atividade desmatadora no estado que contraria a tendência de redução verificada nos vizinhos da Amazônia Legal – que compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Noroeste de MT

As imagens de satélites também mostram que a atividade desmatadora em Mato Grosso tem se concentrado na região noroeste do estado, com o município de Colniza (a 1.065 km da capital) na condição de líder do ranking dos municípios que mais devastaram.

Além de atualmente deter a maior área devastada por municípios, Colniza também lidera o movimento que o ICV considera uma retomada robusta do corte raso: entre agosto e dezembro de 2013 o município não havia desmatado nem 10 km² de floresta, número que saltou para quase 70 km² no mesmo período do ano seguinte e para 74 km² entre agosto e dezembro de 2015.

Somente a área desmatada por Colniza representa 19% de toda a área devastada entre agosto e dezembro de 2015 em Mato Grosso. Colniza e outros nove municípios (Aripuanã, Cotriguaçú, Feliz Natal, Juara, Juína, Nova Bandeirantes, Querência, São José do Xingu e União do Sul) foram responsáveis por mais de 60% do desmatamento no período em Mato Grosso.

Fonte: G1

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