Moradores encontram peixes mortos próximo a hidrelétrica no Amapá

É a quinta vez que peixes aparecem mortos no rio de Ferreira Gomes. População diz que mortandade tem a ver com hidrelétrica.

Peixes mortos foram encontrados próximo a hidrelétrica (Foto: Divulgação/Atinba)
Peixes mortos foram encontrados próximo a hidrelétrica (Foto: Divulgação/Atinba)

Peixes foram encontrados mortos na terça-feira (19) no rio Araguari, em Ferreira Gomes, a 137 quilômetros de Macapá. Moradores dizem que as espécies apareceram próximo a hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, na região rural do município.

A empresa de Energia Cachoeira Caldeirão informou ao G1 que está analisando com “sua consultoria especializada em ictiofauna os motivos que levaram à ocorrência com peixes”. A empresa ainda esclareceu “que as vazões do rio Araguari foram mantidas bem acima da exigência dos órgãos competentes e que não ocorreram movimentações das comportas do vertedouro ou qualquer fato novo na obra”.

É a quinta vez que peixes aparecem mortos no rio Araguari, na cidade ferreirense. Os outros casos ocorreram na orla do município, a poucos metros da hidrelétrica Ferreira Gomes Energia, e provocaram investigação do Ministério Público (MP) do Amapá.

De acordo com o presidente da Associação dos Atingidos por Barragem (Atinba), Moroni Guimarães, os peixes mortos foram vistos pela primeira vez na segunda-feira (18). Parte das espécies teria sido recolhida pela empresa Cachoeira Caldeirão.

Os peixes apareceram em uma região próxima às comunidades de Terra Preta e São Tomé, habitadas por pessoas que dependem da pesca como fonte de subsistência.

“Desde ontem [segunda-feira] começaram a surgir os peixes mortos. Não temos noção da proporção em relação às quantidades porque a empresa recolhe desde cedo as espécies, mas com certeza vai afetar a vida de quem depende da pesca”, lamentou o presidente da Atinba, Moroni Guimarães.

Morte de peixes

Em 2014 foram registradas três ocorrências de mortes de peixes na orla de Ferreira Gomes. O Imap emitiu um laudo, à época, descartando qualquer tipo de poluição na água por causa da característica do rio, que tem grande capacidade de diluir substâncias.

A primeira vez que os peixes apareceram mortos foi em agosto de 2014. Os outros registros ocorreram em outubro e novembro, no mesmo local. Pescadores chegaram a realizar um protesto no município por causa dos prejuízos para a atividade. Em 2015, as mortes foram em novembro.

Por: Abinoan Santiago
Fonte: G1

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