No AP, extrativistas poderão receber recursos para proteger a floresta

Cerca de R$ 400 mil estão disponíveis para famílias atuarem na conservação. Auxílio financeiro será distribuído por editais para famílias ao Sul do Amapá.

Comunidades que utilizam recursos naturais da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Iratapuru, ao Sul do Amapá, poderão receber recursos públicos para conservar a natureza na região, que abrange parte de Laranjal do Jari, Mazagão e Pedra Branca do Amapari.

A disponibilidade do aporte financeiro é inédita no estado e acontece após a conclusão do plano de manejo da RDS do Rio Iratapuru, em 2015. O documento mapeia as potencialidades e zoneamento da região, conhecida pela produção de castanha.

De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), estão disponíveis para 2016 cerca de R$ 400 mil a serem distribuídos em editais para extrativistas do Rio Iratapuru.

As comunidades poderão ter acesso ao recurso que pode chegar até R$ 5 mil por família através de inscrições de projetos para manutenção de igarapés, castanhais e embarcações, por exemplo.

“Quando uma família entra no mato para coletar castanha, ela tem que ir dois meses antes para fazer limpeza da área do seu castanhal para que não tenha possíveis acidentes. Ela indo dois meses antes para fazer esse reparo, diminui bastante essas possibilidades, mas esse custo é muito grande, somando as viagens no período da coleta e o deslocamento dois meses antes. Com o plano aprovado, a gente vai poder apoiar recursos de pequenos projetos para fazer manutenção do castanhal e qualquer tipo de coleta que precise de reparos”, explicou o secretário de Meio Ambiente, Marcelo Creão.

A RDS Rio Iratapuru tem mais de 800 hectares com média de 20 famílias, cada uma das nove comunidades.

A previsão é de que o edital para projetos extrativistas na RDS seja lançado em breve, segundo a Sema. O documento está pronto, mas precisa de parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) para ser publicado.

Além das famílias que residem da RDS, as comunidades distantes da área, mas que dependem da extração de recursos naturais, também poderão ter direito aos recursos financeiros dos editais.

“Temos o cadastro das famílias das nove comunidades a partir do plano de manejo. A comunidade não precisa estar necessariamente dentro da RDS. Uma família, por exemplo, que mora distante, mas que é influenciada pela reserva, com caças e coletas, ela também é um alvo”, disse Creão.

Por: Abinoan Santiago
Fonte: G1

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