Workshop no Inpa mostra que secas na Amazônia podem ser mais frequentes e longas

O evento reúne especialistas de várias partes do mundo na área de hidrologia, climatologia, dendrocronologia e análises de isótopos na bacia amazônica.  O evento prossegue até nesta sexta-feira (29)

As secas extremas, que ocorreram nos anos de 2005-2010, na Amazônia, preocupam os cientistas. Elas podem ser ainda mais frequentes e longas no futuro. Além disso, os modelos climáticos, que permitem avaliar as mudanças no clima, apontam que por volta de 2050 pode ocorrer uma transição na vegetação na Amazônia de bosque tropical para savana.

Para o pesquisador do Instituto Geofísico del Perú, Jhan Carlo Espinoza, estes eventos são resultados da temperatura da região do Atlântico Tropical Norte, próximo à costa do Brasil até a África. “Quando esta região está mais quente do que o normal, produz mais precipitações no Atlântico e reduz as chuvas na Amazônia, causando secas extremas com os níveis dos rios muito baixos”, explica o pesquisador.

Estes dados foram mostrados pelo pesquisador durante palestra no workshop internacional, que acontece desde a última segunda-feira (25), no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). O evento reúne especialistas de várias partes do mundo na área de hidrologia, climatologia, dendrocronologia e análises de isótopos na bacia amazônica.

Espinoza falou sobre os mecanismos climáticos que produzem as secas e as inundações extremas na Amazônia. De acordo com ele, as secas têm sido intensas nas últimas décadas (2005 e 2010), porém, as inundações passaram a ser mais frequentes, particularmente, depois dos anos 70.

De acordo com o pesquisador, antes daquele período, as observações mostram que houveram cinco grandes inundações. Após essa década, os pesquisadores observaram 18 inundações extremas. “Existe uma intensificação do ciclo hidrológico na Amazônia, o que está claro para a comunidade científica”, diz Espinoza.

Ele explica que as inundações são causadas, principalmente, pelo evento La Nina, mas que não é o único fator que explica as inundações. “Quando ocorre o fenômeno, existe mais fluxo de umidade que ingressa na Amazônia, permanecendo nesta região, ocorrendo precipitações de chuvas. Isto incrementa o nível dos rios, causando inundações”, explica o pesquisador.

Segundo o pesquisador, existem também condições de temperatura no Atlântico Tropical Sul que favorecem a ocorrência de mais chuvas na Amazônia. “O clima da Amazônia está controlado em grande medida com o que ocorre nos oceanos. Cercada pelo Pacífico, por um lado com o El Nino, mas também com condições de temperatura no Atlântico”.

As secas também têm o controle em ambas regiões do oceano com condições de temperatura com o evento do El Nino, no Pacífico Equatorial, o que produz déficit de precipitações na Amazônia. “Este ano, estamos observando um evento extremo do El Nino, no Pacífico Central, e está começando um déficit de precipitações na Amazônia também”.

“É muito importante continuar realizando o monitoramento das mudanças climáticas na Amazônia. Sem uma observação de boa qualidade é muito difícil fazer uma pesquisa séria”, ressaltou Espinoza.

O pesquisador da Universidade de Leeds (no Reino Unido), Manuel Gloor, falou sobre as recentes mudanças no clima da bacia amazônica e o impacto na floresta. Já o pesquisador do Laboratório de Ciência do Clima e Meio Ambiente da França, Jonathan Barichivich, falou sobre as perspectivas de longo prazo no ciclo hidrológico da Amazônia. O pesquisador do Inpa, Jochen Schongart, abordou sobre os anéis das árvores da região alagadas e central da Amazônia: o que eles nos falam sobre o crescimento do clima e a relação das condições climáticas do passado.

Workshop

O workshop internacional prossegue até sexta-feira (29). Nesta quarta-feira (27), os participantes farão uma excursão de campo nas bases de pesquisa do Inpa localizadas no rio Tarumã e no Lago do Catalão (Iranduba).

Fonte: INPA

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