No AP, laudo diz que hidrelétrica pode ter causado morte de peixes em rio

Hidrelétrica teria provocado supersaturação gasosa da água no rio Araguari. Mortes de várias espécies ocorrem desde 19 de janeiro, em Ferreira Gomes.

Peixes foram encontrados mortos em Ferreira Gomes (Foto: Moroni Guimarães/Arquivo Pessoal)
Peixes foram encontrados mortos em Ferreira Gomes (Foto: Moroni Guimarães/Arquivo Pessoal)

Laudo do Instituto de Meio Ambiente do Amapá (Imap) apontou que a causa da morte de centenas de peixes que acontece desde 19 de janeiro no rio Araguari é resultado da supersaturação da água provocada pela hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, que atua em Ferreira Gomes, a 137 quilômetros de Macapá. A empresa informou que ainda não foi notificada.

O Imap constatou que os peixes recolhidos próximo a hidrelétrica apresentavam alterações físicas, a exemplo de bolhas embaixo da pele e olhos sobressaltados, características de indícios de embolia gasosa devido a supersaturação da água liberada pelo vertedouro, mecanismo usado para controlar a vazante do excesso que chega ao reservatório durante o período de chuvas.

“Verificamos que as mortes poderiam estar relacionadas ao vertedouro. Captamos algumas imagens e descobrimos que de fato próximo ao vertedouro existia água esbranquiçada devido a uma supersaturação gasosa. Então associamos à morte de peixes, que ao entrarem em contato com a água, sofrem uma embolia e morrem”, explicou o gerente de análises químicas do Imap, Allan Maciel.

Em 19 de janeiro, quando foi constatada a primeira mortandade de peixes da região, a hidrelétrica disse que nota que “não ocorreram movimentações das comportas do vertedouro ou qualquer fato novo na obra”.

Os peixes foram encontrados por moradores a poucos metros da hidrelétrica. O laudo deverá resultar em notificação da empresa, segundo o Imap.

Morte de peixes

Em 2014, foram registradas três ocorrências de mortes de peixes na orla de Ferreira Gomes. O Imap emitiu um laudo, à época, descartando qualquer tipo de poluição na água por causa da característica do rio, que tem grande capacidade de diluir substâncias.

A primeira vez que os peixes apareceram mortos foi em agosto de 2014. Os outros registros ocorreram em outubro e novembro, no mesmo local. Pescadores chegaram a realizar um protesto no município por causa dos prejuízos para a atividade. Em 2015, as mortes foram em novembro. O caso mais recente ocorreu no dia 24 de janeiro.

Por: Abinoan Santiago
Fonte: G1

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