Após incêndio, escola de Macapá improvisa sala de aula em maloca

Salas incendiaram e não foram construídas em um ano, no Jardim Felicidade. Direção prevê concluir obra em 40 dias; outras escolas enfrentam problemas.

Maloca é usada por alunos no Jardim Felicidade, em Macapá (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)
Maloca é usada por alunos no Jardim Felicidade, em Macapá (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)

Alunos da Escola Municipal Jardim Felicidade, no bairro de mesmo nome, na Zona Norte de Macapá, assistem a aulas improvisando espaço em uma maloca dentro da instituição. A medida é por causa da demora para reconstrução de duas salas que foram incendiadas em fevereiro de 2015, durante o carnaval.

Um ano após o ocorrido, as obras de reconstrução foram iniciadas. O prejuízo, segundo a prefeitura de Macapá, chegou a R$ 60 mil. A demora na recuperação das salas provocou revolta entre pais de alunos.

“Não tem condições de os alunos estudarem aqui por causa do calor. O sol bate diretamente lá pela manhã e nós não aceitamos essa situação porque esse lugar não é apropriado para uma educação de qualidade”, reclamou o pai de um estudante, Mário Hermes, em entrevista à Rede Amazônica no Amapá.

Segundo a comunidade, com o uso das malocas, quando o problema não é o sol, é a chuva.

“É difícil estudar aqui porque às vezes a sala molha”, falou o estudante Gustavo Farias.

Por causa da chuva, os alunos chegam a dividir o espaço com os baldes para armazenar a água que escorre pelas falhas no telhado da maloca.

“É goteira e muita chuva. A gente tem que colocar o balde quando ocorre isso e temos que sair das cadeiras para ir para outro lugar”, contou a estudante Emile Carvalho.

Segundo a direção do colégio Jardim Felicidade, a maloca não será mais utilizada. Os alunos deverão ser remanejados para outras turmas até o fim das obras de reconstrução das salas destruídas pelo fogo.

“Foi feita uma licitação e estamos executando a obra. O prazo que a empresa prevê está entre 30 e 40 dias”, disse o diretor da escola, José Queiroz.

Além da escola Jardim Felicidade, outro colégio na Zona Norte de Macapá enfrenta dificuldade para iniciar o ano letivo de 2016. É o caso da Maria Virgolino, onde as aulas ainda não começaram por causa da falta de reparos em duas salas e carência de 21 professores.

“Em outras gestões não aconteceu nada. Agora temos que fazer e os problemas estão nas nossas mãos, mas garantimos aos pais que os 200 dias letivos serão respeitados”, disse o diretor do colégio, Rosinaldo Dias.

Nas escolas administradas pelo governo do Amapá os problemas são semelhantes, a exemplo do colégio Lucimar Del Castilho, no bairro Santa Rita, na Zona Sul de Macapá, que aguarda um novo transformador de energia para começar o ano letivo.

Outra com dificuldade na estrutura é a escola Maria Neuza do Carmo, no bairro Jardim Felicidade. Lá, os alunos têm carência de lugar para sentar. Eles enfrentam um déficit de 90 carteiras para atender a parte dos 1,3 mil estudantes.

“Chegaram 50 carteiras, mas estão disponíveis outras 40. Estamos providenciando os carros para buscar”, disse a vice-diretora, Nadiene Santos.

Por: Abinoan Santiago
Fonte: G1

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