Como será o linhão de Belo Monte feito pela State Grid

Integrante do consórcio vencedor do leilão realizado no mês passado para construção da linha que vai escoar a energia da usina de Belo Monte , a chinesa State Grid vai estrear no Brasil o uso de uma nova tensão: 800kV, que só tem precedentes na China, onde já existem linhas da empresa em Ultra Alta Tensão, ou simplesmente UAT.

Por aqui, Itaipu chega perto, com um sistema de transmissão de 765 kV. Na prática, o que interessa saber é que o linhão de Belo Monte pode reduzir as perdas técnicas de energia na fase de transmissão, o que promete minimizar as perdas globais, desde a usina aos centros consumidores.

Em média, 15% da energia produzida no país acaba desperdiçada antes de chegar ao consumidor no trajeto que envolve transmissão e distribuição. Exame.com conversou com o vice-presidente de Operações e Manutenção da State Grid, Ramon Haddad, para conhecer mais detalhes do projeto.

Exame.com: Qual a diferença entre o linhão de Belo Monte e as demais linhas de transmissão do país? E o que determinou essa escolha?

Ramon Haddad: Esta é a primeira linha de transmissão do Brasil em corrente contínua (CC ou DC em lnglês) no nível de tensão de 800 kV. Esta elevada tensão só tem precedentes na China, onde já existem linhas da State Grid em 800 kV UAT (Ultra Alta Tensão).

Existem dois principais fatores para a escolha: corrente contínua é mais econômica do que corrente alternada para a transmissão de grandes quantidades de energia ponto-a-ponto a grandes distâncias e as perdas do sistema são menores.

EXAME.com: É possível reduzir em quanto as perdas de energia com essa linha em relação a uma de menor tensão?

Ramon Haddad: A redução de perdas é de fato significativa. Dependendo do nível de tensão e detalhes da construção, as perdas de transmissão em corrente contínua são estimadas como cerca de 3,5% por cada 1.000 quilômetros. Normalmente as perdas na linha CC, com os mesmos níveis de tensão, são 30-40% menores do que com as linhas de corrente alternada.

Exame.com: E há diferença no investimento?

Ramon Haddad: A linha de corrente contínua precisa de menos condutores do que uma linha de corrente alternada, e pode utilizar condutores mais finos.

Sendo assim, o investimento nas linhas de transmissão em corrente contínua são menores do que os de corrente alternada, porém os custos com as estações terminais (conversoras) são maiores já que existe a necessidade de se converter a corrente contínua em corrente alternada para a integração com o restante sistema de transmissão brasileiro.

Desta forma, em longas distâncias a redução do custo da linha de transmissão compensa o aumento de custo das estações terminais conversoras, tornando o investimento global no sistema de transmissão mais atrativo para o uso da CC.

A tecnologia de corrente contínua, no entanto, não é nova no Brasil. Já foi utilizada em dois grandes sistemas de transmissão: Itaipu e Usinas do Rio Madeira. Ambos, entretanto, utilizam linhas inferiores ao sistema de Belo Monte que utilizará o nível de tensão de 800 kV.

EXAME.com: Qual será o trajeto do linhão?

Ramon Haddad: A linha de transmissão terá origem na Subestação Xingu, situada no Pará (próxima a Altamira) e término na Subestação Estreito, estado de Minas Gerais, quase divisa de São Paulo. A linha de transmissão, por ser em corrente contínua, será uma linha “expressa”, ou seja, não terá subestações intermediárias.

As duas subestações terminais serão conversoras que transformarão a corrente contínua – 800 kV – em corrente alternada – 500 kV. A linha de transmissão terá aproximadamente 2.100 km e será construída com mais ou menos 4.600 torres.

A previsão de entrada em operação é o início de 2018 e os investimentos previstos são da ordem de R$ 5 bilhões.

Fonte: Exame

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Um comentário em “Como será o linhão de Belo Monte feito pela State Grid

  • 16 de fevereiro de 2017 em 15:53
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    Vimos por meio desta solicitar auxílio e acompanhamento ao processo administrativo de licenciamento ambiental do Sistema de Transmissão Xingu Rio que, conforme o traçado apresentado para a linha de transmissão de 800 kva, afeta diretamente uma importante área de complexo turístico e ecológico da região da Estrada Real e Campos das Vertentes localizada no município de Itutinga/MG.
    Desde outubro de 2015 os proprietários das regiões de matas e do complexo de cachoeiras, conhecido como Cachoeira do Raulino, receberam várias visitas dos empreendedores da linha de transmissão solicitando-os a permissão de passagem da linha na área de cachoeiras e matas preservadas.
    Reconhecendo a importância das matas e a cachoeira como Patrimônio Turístico Ambiental Natural do Campo das Vertentes e Região da Estrada Real nenhum dos proprietários concordou em assinar a autorização. Com o apoio da Prefeitura de Itutinga, da câmera dos vereadores, da população e turistas de diversas partes do país foi realizada uma audiência pública na cidade.
    Apesar dos empreendedores não comunicarem de forma devida aos proprietários e interessados sobre a data e local da audiência, a população realizou expressiva participação e a mesma teve como ponto principal o impacto do projeto sob a Cachoeira do Raulino e seu complexo de matas e nascentes. Na oportunidade, foi frisada a importância daquela única cachoeira da região sendo a porta de entrada para a cidade Eco Turística de Carrancas. Localizada a apenas 1 km da rodovia que liga o município de Itutinga a Carrancas é considerada o melhor atrativo natural da região e amplamente frequentada por turistas de Lavras, Rio Vermelho, Itumirim, Macuco, Itutinga, Carrancas, Nazareno, Madre de Deus, São Vicente, São João Del Rei e Tiradentes entre outras. Patrimônio turístico com suas maravilhosas quedas d’agua salientamos também a importância como recarga hídrica da Represa de Camargos Itutinga-Mg e cabeceiras do Rio Grande. Nas áreas de matas da cachoeira temos catalogadas importantes nascentes de água que abastecem os moradores da região. A cachoeira é protegida por matas seculares e preservadas que abrigam diversas espécies da fauna e flora inclusive árvores centenárias, orquídeas e espécies endêmicas. A fragmentação dessa pequena e importante área de mata causaria danos irreparáveis. É notória e indiscutível a importância dessa área tanto para humanos quanto para os animais. Pensando nisso está em processo para transformar-se numa RPPN.
    Durante a audiência os empreendedores reconheceram falhas no estudo realizado da área não tendo apresentado as solicitações exigidas pelo EIA/RIMA. Se comprometeram e solicitaram que fosse registrado em ata que a linha e sua faixa de servidão não atingiriam o sítio onde está localizada a cachoeira.
    Apoiados pelo Ibama na audiência pública no dia 28 de setembro de 2016 encaminhamos a o Laudo Técnico da área da cachoeira junto a denúncia com o histórico dos fatos.
    Foi emitido pelo IBAMA o parecer:
    “2.10 Reapresentar o KMZ do traçado em estudo, constando todos refinamentos realizados desde o protocolo do EIA, bem como, georreferenciar o complexo de cachoeiras na região de Itutinga/MG.”
    Mais uma vez, agindo de forma a ludibriar o órgão competente, o empreendedor não apresentou de forma correta o georreferenciamento da única cachoeira conhecida, frequentada e visitada do município de Itutinga. Em contrapartida apontou diversas cachoeiras inexistentes na região, de forma a tirar o foco da área em questão.
    Verificamos que não foi cumprido o desvio que foi acordado em audiência e registrado em ATA, de acordo com o KMZ apresentado com o traçado da linha, onde ainda permanece o mesmo traçado anterior à audiência.
    Recentemente fomos procurados por prestadores de serviço da LT Xingu solicitando permissão para realizar topografia. Não permitimos o acesso porque a linha de transmissão e sua servidão inclusive já deveriam estar fora da área do sítio conforme afirmado em Audiência Pública através dos representantes da LT Xingu Rio.
    Disseram a um dos proprietários de área de mata desse complexo que a alteração havia apenas sido sugerida pelo Ibama e que caberia a empresa acatar ou não de acordo com o próprio interesse.
    Sabemos que o interesse da empresa não é voltado as questões ambientais e tem tratado com descaso esse patrimônio de suma importância e relevância para a nossa nação.
    Nós proprietários das áreas de matas da Cachoeira do Raulino, a Prefeitura de Itutinga junto a Câmera de Vereadores, Ongs Ambientais, o Ministério Público, e centenas de frequentadores e visitantes da Cachoeira do Raulino aguardamos apreensivos o parecer do Ibama a respeito da alteração que deve ser realizada para fora desse único e exclusivo complexo de matas e cachoeiras.
    Certos de contarmos com o apoio do órgão competente para que evitemos maiores desgastes futuros e perdas irreparáveis desde já agradecemos a atenção e nos colocamos à disposição para o que se fizer necessário.
    Itutinga, 16 de Fevereiro de 2017.

    Atenciosamente:
    Felippe dos Santos Bajur,
    Vicente Clovis Ribeiro,
    Carlos Heitor Ribeiro,
    Lucas Guimaraes de Carvalho.
    Biólogo e Responsável Técnico: Igor Guimarães.

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