Projeto insere jovens na gestão de reserva no Pará

Eles são incentivados a fortalecer as comunidades residentes

Aproximadamente cem crianças e adolescentes da comunidade da Reserva Extrativista (Resex) de Soure, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na Ilha do Marajó (PA), participaram do último módulo da primeira fase do Projeto Jovens Protagonistas.

A Resex Marinha do Soure, segundo dados do cadastro atual dos beneficiários, usuários e moradores, conta com cerca de 1.300 famílias que sobrevivem de atividades extrativistas, principalmente da pesca. A unidade de conservação foi criada em 22 de novembro de 2001.

Com o tema “Liderança – O que é e como ser?!”, o último módulo do projeto constou de oficina lúdica de esportes e foi realizado entre os dias 29 e 31 de janeiro.

O Projeto Jovens Protagonistas teve início em 2013 e já realizou 11 módulos e quatro atividades extras, com discussão de temas, como a questão ambiental, a história do município, sua cultura e biodiversidade, cidadania, gestão da reserva e liderança.

275 horas de atividades

Nessa primeira etapa, o projeto consumiu, ao todo, aproximadamente 275 horas de atividades curriculares, envolvendo 58 colaboradores, 30 voluntários e mais de 400 jovens e crianças. Os jovens receberam o certificado de conclusão integral do projeto, pela assiduidade e engajamento.

Segundo o chefe da Resex Marinha de Soure, Andrei Cardoso, o projeto promoveu “uma mistura de teoria, conteúdos e atividades lúdicas associados, todos numa linguagem adequada ao público infanto-juvenil.”

Ainda segundo ele, a iniciativa busca capacitar os jovens a utilizarem a informação, tendo o conhecimento como meio de articulação de políticas, fortalecendo a comunidade por meio de uma gestão cada vez mais participativa.

Com base em três eixos temáticos – o protagonismo, a transdisciplinaridade e a educação –, o projeto capacitou vários líderes multiplicadores, que já estão atuando de forma efetiva por meio de debates sobre as políticas públicas para suas comunidades.

O último módulo teve a participação de lideranças extrativistas nacionais e regionais, com destaque para o vice-presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Édel de Moraes, e o secretário-executivo da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas Costeiras e Marinhas (Confrem), Carlos Alberto Santos.

Diretor destaca ações

De acordo com o diretor de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial em Ucs do ICMBio, Renato Sales, que participou do evento, a comunidade tem o direito de acesso a informação qualificada e políticas públicas que melhorem a sua condição de vida.

“Os resultados obtidos foram importantes. Os jovens discutiram, entre outros pontos, cidadania e conservação ambiental. Cabe destacar que o projeto é também importante para que tenhamos, num futuro próximo, lideranças voltadas ao desenvolvimento sustentável e à consciência ambiental”, reiterou Renato.

Diante de tudo isso, o chefe da Resex já vislumbra as próximas etapas do projeto. “Estamos falando de famílias que dependem dos recursos. A nossa meta é que eles sejam multiplicadores da essência de uma Resex, que é a sustentabilidade aliada ao controle social”, afirmou Andrei Cardoso.

No encerramento da primeira etapa do projeto, os jovens participaram de atividades artísticas, como teatro de fantoches, exposição de artesanato, sarau de poesias e uma roda de carimbó, ritmo e dança típica da região.

Sobre o Projeto Manguezais do Brasil

O Projeto Manguezais do Brasil foi criado pelo Ministério do Meio Ambiente com o objetivo de melhorar a capacidade do Brasil de promover a efetiva conservação e uso sustentável dos recursos em ecossistemas manguezais baseada no fortalecimento do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e na designação de áreas de preservação permanente a todos os manguezais do Brasil.

O projeto conta com financiamento do GEF e intermediação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A execução fica a cargo do ICMBio, que elabora uma estratégia de gestão de áreas protegidas agindo primeiramente nas deficiências existentes que comprometem a efetividade do manejo, promovendo a conservação e o uso sustentável dos ecossistemas manguezais e das funções e serviços ambientais necessários para o desenvolvimento nacional e para o bem-estar das comunidades litorâneas.

Espera-se que as ações auxiliem na conservação de 568 mil hectares de manguezais de relevância mundial, além de gerar impactos positivos nos meios de vida das comunidades que dependem desse ecossistema. O proojeto permitirá a replicação das lições aprendidas a todos os manguezais brasileiros.

Fonte: ICMBio

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