Acordo no mercado de soja diminui desmatamento na Amazônia

Artigo publicado na Science aponta que Moratória da Soja é mais eficaz contra o desmatamento que a legislação brasileira

Depois de inúmeras denúncias de desmatamento e produção de soja na Amazônia, há 10 anos um acordo, com o propósito de não comercializar nem financiar a soja oriunda dessas áreas, foi selado. A revista Science, uma das mais importantes referências da literatura científica, publicou um artigo sobre a eficácia da Moratória da Soja. Os dados apontados mostram que as restrição de mercado, obteve melhores resultados no combate ao desmatamento do que a própria legislação brasileira.

Chamado de Moratória da Soja, o acordo foi assinado em 2006 pela a Associação Brasileira das Indústrias de Oléos Vegetais (ABIOVE), a Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais (ANEC) e o Greenpeace. Segundo a pesquisadora Holly Gibbs, do Departamento de Estudos Ambientais da Universidade de Wisconsin (USA), que liderou o estudo, o acordo foi essencial para acabar com a perda florestal relacionada ao setor. “O que identificamos é que, antes da Moratória, aproximadamente 30% da expansão da cultura de soja na Amazônia ocorreu a partir do desmatamento, e que, após a assinatura, este índice chegou a apenas 1%”, disse.

Outro ponto abordado pela pesquisa diz respeito à eficácia da Moratória, frente aos resultados obtidos pelos mecanismos de controle previstos no Código Florestal. “Apenas 115, dentre milhares de produtores de soja, violaram a Moratória desde que ela foi criada. No entanto, mais de 600 destes produtores violaram o Código Florestal no mesmo período”, afirma Gibbs. “Isso mostra que esse grupo de agricultores é cinco vezes mais propenso a violar a política governamental do que de violar o acordo do setor privado”, explica.

Para os pesquisadores, apesar de úteis para o controle, ferramentas como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) sozinhas não conseguiriam acabar com o desmatamento. “Em 2014, por exemplo, aproximadamente 25% do desmatamento na Amazônia matogrossense e 32% no Pará aconteceram em propriedades com registro no CAR”, detalha o estudo. A pesquisadora defende que a Moratória deve ser mantida até que o governo brasileiro desenvolva um mecanismo para substituí-la com a mesma eficácia.

Dados do mercado

De acordo com os dados apresentados no evento ‘Código Florestal e o alcance do desmatamento ilegal zero’, em Brasília, mais de 30% do mercado internacional de commodites tem parceria com diminuição ilegal ou zero com desmatamento. “Essas políticas vão ser importantes internacionalmente e é nosso papel estar mais próximos das necessidades do mercado”, disse Isabelle Freire, Diretora Brasil do Proforest.

Além disso, outra informação apontada é que os grandes compradores internacionais tem uma impressão de que o Código Florestal está muito distante das necessidades ambientais que eles têm firmado. “Essa percepção é errônea. O Novo Código Forestal está mais próximo das exigências do mercado do que eles acreditam. É preciso usá-lo como empuxo dos produtores para mais próximo dessas exigências”.

Por: Isaac Guerreiro
Fonte: Portal Amazônia

Deixe um comentário