Lançado no Inpa projeto sobre mudanças climáticas em parceria com o Reino Unido

O projeto é financiado pelo Fundo Newton e será desenvolvido durante três anos por pesquisadores de três unidades vinculadas ao MCTI – Inpa, Inpe e Cemaden – e do Serviço Meteorológico Nacional Britânico, Met Office

Numa colaboração que envolve pesquisadores do Brasil e do Reino Unido, foi lançado na manhã desta terça-feira (12), no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), o projeto “Climate Science for Service Partnership (CSSP)-Brazil”. A parceria com foco em ciências climáticas é financiada pelo Fundo Newton, no valor de R$ 20 milhões e envolve três tópicos de pesquisa: ciclo de carbono, modelagem climática e desastres naturais.

Com o objetivo de entender as interações entre a Amazônia e o clima global, o projeto será desenvolvido durante três anos por pesquisadores do Inpa, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Serviço Meteorológico Nacional Britânico, Met Office.

“A Amazônia e o Amazonas têm muito a ganhar com esta parceria, porque se entendermos melhor como funciona o clima poderemos ter ações preventivas para evitarmos alguns eventos extremos”, disse o diretor do Inpa, o pesquisador Luiz Renato de França.

Na opinião do diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes, o acordo entre Brasil e Reino Unido é o resultado de uma longa história de cooperação entre os dois países. Para ele, uma das vantagens nesse projeto específico é a ampliação do foco de ação. “Não estamos mais apenas tratando com as mudanças climáticas propriamente dita, mas, também, com as consequências delas”, ressaltou Moraes.

Para o vice-coordenador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/Inpe), Gilvan Sampaio, esta é uma grande oportunidade para interagir com os pesquisadores do Reino Unido, em especial do Met Ofiice, que têm pesquisadores bastante experientes na área de mudanças climáticas e desenvolvem um modelo que, hoje, é considerado um dos melhores do mundo.

“Esta interação entre os pesquisadores brasileiros e os pesquisadores britânicos é uma oportunidade para se estudar melhor os impactos das mudanças climáticas no Brasil e, em especial, na Amazônia”, diz Sampaio.

Ele explica que durante os próximos três anos o projeto envolverá três grupos de estudos. O primeiro deles está relacionado ao ciclo de carbono para entender como o desmatamento ou as queimadas influenciam no ciclo de carbono e quais as medidas que devem ser tomadas na floresta amazônica para melhor calibrar os modelos climáticos.

O segundo grupo de trabalho envolve as pessoas relacionadas com a modelagem climática, que farão as projeções para as próximas décadas quando se poderá dizer quais serão os impactos na floresta amazônica, no clima da Amazônia e no Brasil. Já o terceiro grupo está associado aos desastre naturais. O foco é estudar se tende a aumentar o número de casos de desastres naturais no Brasil e, em especial, na Amazônia ao longo das próximas décadas.

“Essa parceria, tanto no Brasil como em outros locais, é importante para entender as mudanças de clima que ocorrem em escala global”, destacou o Conselheiro-Chefe para Assuntos Científicos do Governo Britânico, Sir Mark Walport.

Fundo Newton

O Fundo Newton é uma iniciativa do governo britânico e visa promover o desenvolvimento social e econômico de 15 países parceiros por meio de pesquisa, ciência e tecnologia. Atua em três grandes áreas: capacitação de pessoas em ciência e inovação; colaboração em pesquisas acadêmicas sobre temas de desenvolvimento; transferência de conhecimento para a criação de soluções colaborativas para desafios de desenvolvimento e inovação.

No Brasil, o Fundo Newton é coordenado pela Rede Britânica de Ciência e Inovação. O principal objetivo é fomentar a colaboração científica e tecnológica entre o Brasil e o Reino Unido. Baseada na Embaixada Britânica, em Brasília, e no Consulado Geral Britânico, em São Paulo, a equipe do Fundo Newton desempenha papel fundamental na governança da iniciativa no Brasil.

Por: Por Luciete Pedrosa
Fonte: INPA

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