Polícia prende suspeitos durante a ‘Operação Tempestas’, em Belém

Em apenas um ano, quadrilha movimentou R$ 23 milhões de forma ilegal. Operação investiga facção que faz “esquentamento de madeira” no Pará.

Pelo menos dez pessoas já foram presas na manhã desta quinta-feira (28), na região metropolitana de Belém, durante as ações da Operação Tempestas, deflagrada no Pará e em outros quatro estados contra o comércio ilegal de madeira. Segundo a Polícia Civil, em apenas um ano a quadrilha movimentou R$ 23 milhões com a venda de madeira oriunda do desmatamento ilegal da Amazônia, e essa madeira pode ter sido exportada para mais de 50 países. A polícia faz buscas em Curitiba a homem apontado com um dos chefes da organização criminosa que está foragido.

Até o momento além dos dez presos no Pará, foram cumpridos dois mandados de prisão e condução coercitiva no Mato Grosso e um no Maranhão.

A operação conjunta de órgãos de segurança e meio ambiente é realizada nos estados do Pará, Mato Grosso, Maranhão, Paraná e Sergipe.  Batizada de “Tempestas”, a ação cumpre um total de 45 mandados judiciais para combater crimes ligados uma organização criminosa especializada em lavagem de produtos florestais.

Ao todo, 100 agentes cumprem 24 mandados de busca e apreensão, 14 de prisão preventiva, dois de prisão temporária e cinco de condução coercitiva determinadas pela Vara de Combate ao Crime Organizado.

Ainda segundo a polícia, os acusados usavam os dados de 17 madeireiras fantasmas e de fachada para gerar notas fiscais fraudulentas. A operação policial tem o objetivo de desarticular a atuação dessas organizações criminosas de alta complexidade, que atuam no “esquentamento” de madeira ilegal e sua introdução no mercado, prejudicando não só o meio ambiente, como também os empreendimentos madeireiros que atuam de forma lícita.

No Pará, a Operação Tempestas é coordenada pela a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) com o apoio da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Pará. Além da região metropolitana de Belém, os mandados são cumpridos em Tailândia, Tucuruí, Novo Progresso, Marabá, Itaituba e Santarém, municípios que apresentaram índices relevantes de desmatamento.

Fraude milionária

A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) estima que a fraude tributária chegue a R$ 50 milhões. No que se refere aos danos ambientais quantificáveis, apenas a fraude central investigada causou prejuízo estimado em R$ 23 milhões, referente a 31.713,897 metros cúbicos de madeira. Para comparação, isso equivale a 5.300 árvores derrubadas ilegalmente, que lotaria cerca de 1.300 caminhões.

Além desse prejuízo, há outros danos ao meio ambiente difíceis de mensurar, já que os reflexos ambientais do desflorestamento ilegal englobam a perda da biodiversidade, degradação de mananciais, aterramento de rios e lagos, redução do regime de chuvas, redução da umidade relativa do ar, aumento do efeito estufa, comprometimento da qualidade da água e desertificação, entre outros impactos ambientais.

Fonte: G1 

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