Carne ‘Rebanho Xingu’ chega ao varejo do país

Após três anos de projeto, o Walmart apresenta ao mercado a partir de junho seu primeiro lote de carne bovina produzida de forma sustentável na Amazônia. O produto será rotulado com uma nova marca desenvolvida pela rede varejista, a “Rebanho Xingu”, por se tratar de animais criados sob “boas práticas” no município de São Félix do Xingu, no Pará.

Neste primeiro momento, apenas as duas lojas do Walmart em Brasília receberão a marca, dado o volume pequeno disponível. A intenção é crescer gradativamente e expandir para o Nordeste, onde o Walmart tem forte presença, com quase metade das 500 lojas.

A carne do Xingu é fruto de parceria inédita entre pecuaristas, indústria, varejo e sociedade civil envelopada no programa “Do Campo à Mesa”, que quer provar que é possível produzir carne sem desmatar. Iniciado em 2013, o programa é liderado pela organização ambientalista  The Nature Conservancy (TNC), pela Marfrig e pelo Walmart, junto com os produtores. A TNC auxilia os pecuaristas a implementar um novo modo de produção, com rotação de pastagem, manejo do solo, preservação de áreas de proteção e melhoria genética dos bovinos. A Marfrig se compromete a comprar e abater os bois e o Walmart a vender a carne.

A primeira fase envolveu 16 fazendas, e os resultados foram considerados positivos. Em três anos, as novas práticas de manejo do pasto e dos animais elevou a taxa de ocupação. Em cada hectare de pasto, circulam hoje 1,85 cabeça de bovinos, contra 0,8 na média anterior. “Colocar mais animal no pasto significa evitar novos desmatamentos”, disse Luiz Herrisson, diretor de Sustentabilidade do Walmart Brasil.

Os idealizadores comemoram os resultados do ponto de vista de produtividade animal e de engajamento da cadeia.

Os benefícios do programa, que auxilia também na melhoria da gestão das propriedades, ganharam eco. “Muitos na região já começam a copiar o vizinho, enxergando os ganhos em se produzir de forma sustentável”, diz Francisco Fonseca, coordenador de Produção Sustentável da TNC. “É a disseminação espontânea da inveja”, brinca.

Segundo Fonseca, 50 pecuaristas foram reunidos em três dias de campo nas propriedades pertencentes ao programa. Além de conferirem progressos, participaram de palestras com especialistas da Embrapa e Esalq/USP sobre técnicas de manejo e bem-estar animal.

Os aportes financeiros para promover as mudanças e trazer expertises de fora vieram dos parceiros e da Fundação Moore, dos EUA.

Mathias Almeida, gerente de Sustentabilidade da Marfrig, diz que a cada mês são abatidos entre 300 e 500 bois na planta de Tucumã, vizinho a São Félix, gerando até 70 toneladas de carne. A ideia é ampliar o projeto para 300 fazendas em três anos, o que daria escala aos abates e maior capilaridade no varejo.  “É um projeto de engajamento da cadeia de valor para tentar resolver um problema complicado”, diz Almeida.

A escolha de São Félix do Xingu para o projeto-piloto não foi aleatória. O município tem o maior rebanho bovino do Brasil – 2,3 milhões de cabeças – e era um dos maiores desmatadores da Amazônia. Embora tenha reduzido em 83% as taxas do desmatamento desde de 2007, ainda registrou 187 Km 2 em 2015. Assim, a promoção da carne sustentável é vista como uma saída viável.

Por: Betina Barros
Fonte: Valor Econômico

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