Com critérios ambientais, Mato Grosso terá selo de qualidade da carne

Para ter carne certificada, produtores deverão se adequar às exigências ambientais previstas em lei e ter cadastro no CAR 

1457355410296Mato Grosso será o primeiro estado do país a lançar um selo que atesta a qualidade da carne produzida na região. De acordo com o secretário-adjunto de agricultura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Alexandre Possebon, o estado pretende criar um padrão da carne para o mercado de exportações e garantir a origem da sua produção. “Vamos certificar a carne que vem de propriedades legais, seguindo regras de preservação ambiental e exigindo o cumprimento do CAR [Cadastro Ambiental Rural]”, informou o secretário.

Lançado no início deste mês, o selo é um produto do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), uma entidade regulamentada pelo governo do estado como um serviço autônomo e de interesse coletivo, mas vinculado à Sedec. O Imac terá um conselho deliberativo composto por cinco membros, entre representantes da indústria frigorífica, dos produtores e do governo.

A primeira reunião do conselho definiu os protocolos que irão mostrar quais procedimentos a cadeia da carne deve seguir para receber o selo de qualidade. “Quem vai receber o selo é o frigorífico que se adequar aos protocolos. Logo, toda a cadeia e, principalmente, o fornecedor da carne, precisam estar regularizados”, disse Possebon. A carne certificada sairá dos frigoríficos em uma embalagem padronizada pelo Imac.

Exigências

Para receber a certificação, foi definida uma série de critérios. O primeiro deles, de acordo com Luciano Vacari, presidente do Imac, é o nível de qualidade do produto, que será avaliado a partir de parâmetros técnicos. Depois disso, será preciso informar de onde veio a carne produzida, segundo um sistema de rastreabilidade desenvolvido pelo instituto. “O objetivo é identificar as condições da propriedade na qual o rebanho foi criado e não rastrear o animal em si”, explicou o presidente. Os frigoríficos também terão que seguir os padrões estabelecidos pelo Imac para o abate dos animais.

Sobre as condições da propriedade, outra exigência é o cumprimento da legislação socioambiental. A propriedade deverá estar de acordo com o que pede o Código Florestal, como possuir áreas de preservação ambiental, além de provar boas condições de trabalho. Um quarto critério vai exigir do produtor rural ter registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR). “A exigência do CAR é um dos critérios mais importantes e será demandado independente da prorrogação do prazo para registro”, destacou Vacari.

Para o secretário da Sedec, incluir o sequestro de gases do efeito estufa nos parâmetros será o próximo passo. “Enquanto não colocarmos esses protocolos em prática, ainda não podemos avaliar se a produção é de baixo carbono. Mas ao seguir as exigências do selo, consequentemente o produtor certificado estará baixando suas emissões”, afirmou ele.

Um fator positivo dessa iniciativa, para o presidente do Imac, é que todas as decisões estão sendo tomadas em conjunto, além do governo do estado. No início de junho, o conselho realizará mais um encontro para prosseguir com os últimos detalhes dos protocolos e, em julho, deve começar a fase de implantação do programa.

Estratégia integrada

A certificação da carne é mais uma iniciativa integrada à estratégia do estado para reduzir as emissões de gases do efeito estufa até 2020, intitulada Produzir, Conservar e Incluir (PCI) e apresentada no ano passado durante a 21ª Conferência do Clima (COP-21), em Paris. O secretário-adjunto da Sedec já havia informado ao Observatório ABC que a revisão do Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) de Mato Grosso também deve colocá-lo em conformidade com a PCI.

Com os protocolo definidos, o próximo desafio será a adaptação dos produtores às exigências. O Imac prevê parcerias por meio de convênios com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), com o objetivo de capacitar os produtores rurais da agricultura familiar e desenvolver pesquisas e tecnologias para padronização de carcaças e melhorias na qualidade da carne.

O instituto contará também com um Sistema Eletrônico de Informação das Indústrias de Carne (SEIIC), que permitirá melhor controle sobre a produção, tanto pelos frigoríficos quanto pelos produtores. O governo informou, ainda, que pretende expandir o selo de qualidade para outros setores, como suínos, aves e peixes.

Por: Talise Rocha
Fonte: Observatório ABC

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4 comentários em “Com critérios ambientais, Mato Grosso terá selo de qualidade da carne

  • 13 de fevereiro de 2017 em 21:38
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    Bacana a iniciativa, um diferencial a mais parabéns

  • 24 de maio de 2016 em 9:33
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    Como a população não deixará de consumir carne, regulamentar com selo de qualidade é uma iniciativa necessária, para a nossa saúde e para um planeta sustentável. E isso de fato é urgente, visto que o efeito na poluição ambiental e o aquecimento global é crescente e preocupante para todos nós.

  • 23 de maio de 2016 em 16:11
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    Independentemente de selos certificadores, o fato é que a produção de carne gera um prejuízo inerente, pois são investidas proteínas vegetais em quantidades muito maiores que o retorno ofertado em proteínas animais.

    Isso sem entrar no mérito de muitas outras mazelas, como o fato de executar seres com a capacidade de experienciar alegria, prazer, dor e sofrimento. A pecuária é o uma barbárie a ser superada.

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