Estudo no MT traz sinal de alerta sobre impactos das madeireiras

Pesquisadores do Mato Grosso mostram que indústria madeireira tem grande impacto social e ambiental na Amazônia

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O setor madeireiro é um dos principais vetores da economia da Amazônia desde os primórdios da colonização e seus impactos afetam tanto o meio ambiente quanto as sociedades envolvidas com ele.

Não há estudos conclusivos sobre o adoecimento dos trabalhadores deste setor na maioria dos Estados, mas uma pesquisa pioneira feita pelos professores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) Wanderlei Antonio PignatiI e Jorge Mesquita Huet Machado apontou um quadro bastante preocupante. “O setor da indústria madeireira, um dos pólos da economia do Estado de Mato Grosso, provoca grande impacto negativo no ambiente e na saúde”, escrevem os professores no estudo que analisou situações de risco em 1.381 indústrias, com 4.381 trabalhadores de um universo total de 21.607 que compunham o setor no início deste século. “Foi observada a precarização do trabalho em todos os locais, em graus variados, demonstrando-se que, quanto mais as indústrias se afastam das sedes dos municípios, pioram as condições de trabalho/salário/saúde”, escrevem numa das partes mais contundentes do texto.

Ainda conforme o estudo dos matogrossenses, “ 11% dos trabalhadores estavam mutilados, outros 25% apresentavam outras sequelas de acidentes de trabalho e 28% estavam com deformidades de coluna vertebral”.

Sobre os fatos contribuintes para essa situação, que espelha a existente no Município de Itacoatiara, até o início deste século o principal polo madeireiro do Amazonas, a pesquisa afirma que estão “a máxima exploração da força de trabalho, desresponsabilização patronal com as situações de riscos e ainda a insuficiente organização dos trabalhadores e precária regulação e fiscalização do Estado, acarretando desproteção social dos trabalhadores das indústrias madeireiras nessa região, expressando a violência social estrutural dessa ocupação/destruição da Amazônia”.

Assim como o Amazonas, o Estado de Mato Grosso sofreu na década passada com a rápida e descontrolada expansão da fronteira agrícola, num processo que é descrito pelos professores como “marcado, acentuadamente nas regiões do Cerrado e Floresta, por um fluxo de desmatamento e implantação de indústrias de madeira e de agropecuárias de gado e soja, do sul para o norte”.

Fonte: A Crítica

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