Decifrando a vitória-régia: saiba mais sobre um dos símbolos da Amazônia

Planta, descoberta por um botânico inglês no século XIX, pode alcançar até dois metros de diâmetro

A planta é típica de água barrenta, mas podem viver em águas escuras.  Foto: Gleison Miranda/Agência Acre
A planta é típica de água barrenta, mas podem viver em águas escuras. Foto: Gleison Miranda/Agência Acre

A vitória-régia é uma das maiores plantas aquáticas do mundo, mas ainda é cercada de mistérios para a maioria das pessoas. É inclusive tema de uma das lendas mais populares da Amazônia. Entre as curiosidades está o fato de ela florescer e frutificar. “Ela não se espalha com insetos, a água leva as sementes para outros locais e o fruto é parecido com uma espiga de milho”, explica o botânico do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Carlos Cid.

“A flor, que todo mundo fala, permanece fechada durante quase todo o dia e só abre com o pôr-do-sol, porque sofre influência da luz solar”, explica. “Além disso, a polinização é feita especificamente por um besouro [Dynastydae] que é atraído pelo aroma da flor. Esse cheiro é uma armadilha que atrai o inseto, à noite, que acaba ficando preso dentro da flor, de dia”, diz Cid. “Para se libertar, o besouro come as ‘paredes’ do interior da flor, sem danificar o ovário com sementes recém fecundadas, e voam levando pólen nas asas para outras flores, iniciando o processo da polinização”, completa.

A planta tem duas faces: a externa, que fica sobre a água, e a interna, que fica dentro d’água. A folha redonda, que tanto atraia olhares, pode alcançar dois metros de diâmetro. Elas são protegidas pelas bordas, que voltadas para cima, alcançam entre 5 a 10 centímetros de altura. Esta face também possui minúsculos poros que evitam o acúmulo de água da chuva.

Na face interna estão as longas raízes com acúleos, um tipo de espinho cheios de ar. Isso a mantém sobre a água. “Imagine um polvo, cheio de pernas, assim é a aparência das raízes embaixo da vitória-régia até atingirem o ‘bulbo’ que fica submerso. As raízes são maleáveis. Embaixo das folhas existem algumas espécies de cobras que também a usam como esconderijo”, explica Cid. Na Amazônia, as águas dos rios sobem e descem de seis em seis meses, mas isso não mata a planta. O bulbo se mantém no fundo do rio e quando volta a encher, ela volta a superfície.

Na natureza, a vitória-régia ocorre por toda a região amazônica em águas paradas de lagos e paranás de rios de águas barrentas. “Nos rios de água escuras, como o nosso rio Negro, onde o PH é mais ácido, a vitória-régia tem dificuldade de se desenvolve. Entretanto, existem ocorrências em pequenos lagos de águas escuras, só que elas têm uma vida mais curta”, completa.

O botânico já fez várias exposições da planta em Manaus.  Ele conta que a vitória-régia atrai a curiosidade das pessoas desde que foi descoberta, no século XIX pelo inglês John Lindley.  “Esta espécie é cultivada nos grandes jardins botânico da Europa, como o Kew Garden na Inglaterra, e no Jardim Botânico de Nova York, nos Estados Unidos.  Ela também ocorre naturalmente na Amazônia peruana e colombiana, em vários locais.  Eu mesmo já vi”, conta.

Por: Izabel Santos
Fonte: Portal Amazônia

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