Do prejuízo ao lucro: Arena Amazônia muda de cenário em quatro meses

Após déficit de R$ 7,3 milhões em 2015, estádio de Manaus tem bom início de público e renda.  Praça esportiva receberá Torneio Olímpico e seleção brasileira neste ano

Desde sua inauguração, em 2014, a Arena da Amazônia enfrenta uma batalha ferrenha: gerar receita para manter os custos e, consequentemente, espantar o rótulo de “elefante branco”.  E, após três anos de altos e baixos, começa a dar sinais de que consegue seguir com “as próprias pernas”, principalmente após um início de 2016 com bons públicos e renda milionária.

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Em sete jogos oficiais disputados nos primeiros quatro meses deste ano, o estádio de Manaus gerou uma renda de R$ 5.909.375,00, principalmente com a ajuda de dois clássicos cariocas envolvendo Vasco, Flamengo e Fluminense.  Os números contrastam com a situação financeira de 2015, quando o estádio teve receita de apenas R$ 694.085,50 e, consequentemente, com os gastos, resultou em um prejuízo de R$ 7.352.829,26.

O bom início em 2016 é fruto da nova administração da Secretaria de Esportes do Estado, entidade que administra o estádio, que barateou os custos e deixou de cobrar taxas em jogos de clubes amazonenses.  Vale ressaltar que, dos mais de R$ 5 milhões arrecadados, apenas R$ 562 mil foram revertidos para o estado, já que os 10% foram cobrados somente em duas partidas: Fluminense x Vasco e Vasco x Flamengo, válidas pelo Campeonato Carioca.

Os dois duelos dos times do Rio geraram as maiores receitas para o estado neste ano.  No primeiro jogo, válido pela final da Taça Guanabara, entre Fluminense e Vasco, 32.061 pessoas compareceram ao estádio, o que gerou uma renda de R$ 2.214.040,00. Já no segundo, pela seminal do Carioca, entre Vasco e Flamengo, teve recorde de público, 44.419 pessoas, e receita de R$ 3.531.240,00. Os demais jogos do ano tiveram um público de 25.149 e uma renda de R$ 164.095,00.

Com o valor arrecadado nos jogos do Carioca – R$562 mil – foi possível cobrir as despesas de um mês da Arena da Amazônia, que é de R$ 549.445,74 e inclui segurança, manutenção do gramado e manutenção predial.

MEDIDAS ADOTADAS

Para que a Arena da Amazônia saísse do vermelho de 2015, a nova gestão do estádio, administrado pela Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), adotou nova postura.  “Arregaçou as mangas” e foi em busca de jogos de soluções para conseguir recursos.  Uma delas foi feita pelo titular da pasta, Fabrício Lima, que negociou pessoalmente com clubes de outros estados para ter jogos em Manaus e, de início, conseguiu dois jogos do Campeonato Carioca.

– O que teve foi a boa vontade do governador (José Melo), que nos permitiu fazer isso.  Depois a ousadia, que fomos atrás.  Mas fui depois que pesquisei bastante e vi como era feito o trabalho de outras praças esportivas.  É questão de forma.  Acho que todo mundo tinha vontade, mas a gente encontrou a forma certa – explicou Fabrício Lima.

Além de ir atrás de clubes de renome nacional, a nova gestão também tem buscado formas de ajudar os times locais.  Para isso, barateou ou até mesmo deixou de lado a cobrança dos 10%, e, futuramente, garantiu que o estádio terá, pelo menos, um jogo por rodada do Campeonato Amazonense, que começa em agosto.

A perspectiva para o restante da temporada é que a Arena da Amazônia receba alguns jogos da Série A do Brasileiro.  O primeiro confirmado é o duelo entre Fluminense e Flamengo, do dia 12 de outubro.  A partida é válida pela 30ª rodada da competição.

PRIVATIZA OU NÃO?

Por causa do déficit da Arena da Amazônia em 2015, o governador do Amazonas, José Melo, chegou a anunciar, durante o jogo beneficente entre Amigos do José Aldo e Amigos do Pizzonia, que ia privatizar a administração do estádio.  Na ocasião, o chefe do executivo estadual disse que as negociações com duas empresas estavam avançadas, mas não revelou nomes.

Apesar da palavra do governador, o secretário de Esportes, Fabrício Lima, acredita que a decisão sobre a privatização pode ser revista, visto que a Arena da Amazônia tem provado, neste início de ano, que pode gerar recursos.

– A nossa expectativa é de superávit neste ano.  E esperamos que com isso não se privatize mais.  Se tiver que privatizar, que a empresa assuma a arena com todos os custos.  Mas acredito não haver mais necessidade disso.  Até porque nós achamos a forma ideal e ainda estamos trabalhando para gerar mais recursos em outras frentes, como turnês de shows, visitas guiadas, museu, entre outras medidas que anunciaremos em breve – explicou o secretário.

OLIMPÍADA E SELEÇÃO

A Arena da Amazônia, construída no lugar do antigo estádio Vivaldo Lima, foi feita especialmente para a Copa do Mundo de 2014 e teve um custo de R$ 660,5 milhões.  No local, foram realizados quatro jogos da primeira fase da Copa do Mundo (Inglaterra x Itália, Croácia x Camarões, Portugal x Estados Unidos, e Suíça x Honduras).  Ao todo, os quatro jogos levaram ao estádio um público de 160.227 pessoas.

Após a Copa, o estádio conseguiu sobreviver bem, principalmente com alguns jogos da Série A do Brasileiro e da Copa do Brasil.  O problema ocorreu em 2015, quando esses jogos ficaram escassos, e restaram apenas os jogos dos times locais.  Ainda teve dois amistosos da seleção olímpica, que teve um público bom, mas, mesmo assim, fechou o ano no vermelho.

Arena da Amazônia receberá três rodadas duplas dos Jogos Olímpicos Rio 2016 (Foto: Marcos Dantas)
Arena da Amazônia receberá três rodadas duplas dos Jogos Olímpicos Rio 2016 (Foto: Marcos Dantas)

Após a Copa, o estádio conseguiu sobreviver bem, principalmente com alguns jogos da Série A do Brasileiro e da Copa do Brasil.  O problema ocorreu em 2015, quando esses jogos ficaram escassos, e restaram apenas os jogos dos times locais.  Ainda teve dois amistosos da seleção olímpica, que teve um público bom, mas, mesmo assim, fechou o ano no vermelho.

Mas as perspectivas para este ano são as melhores.  Após ter o início bom, o estádio ainda receberá três rodadas duplas do Torneio Olímpico (duas do masculino e uma do feminino).  Entre os homens jogarão as seleções da Suécia, Japão, Colômbia e Nigéria.  Entre as mulheres, a seleção brasileira e a dos Estados Unidos jogarão no estádio de Manaus.

Outra boa notícia para os amazonenses é que o estádio, no dia 6 de setembro, receberá um duelo das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, entre a seleção brasileira e a Colômbia.

Fonte: Globo Esporte

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