10 municípios respondem por 51,6% das exportações de MT

Do total exportado pelo Estado de janeiro a maio, US$ 6,899 bilhões, essas cidades foram responsáveis por US$ 3,566 bilhões Celeiro do Brasil, terras de grandes descampados, lavouras a perder de vista, floresta virgem, preservada. Mato Grosso, um estado de ilhas, não aquelas porções de terra cercadas de água por todos os lados, mas “ilhas econômicas”, nas quais existem riqueza e pobreza. Entre janeiro e maio de 2016, 10 cidades, ou 7% dos 141 municípios de Mato Grosso, foram responsáveis por exportar 51,69% de tudo o que foi produzido no Estado no período (US$ 6,899 bilhões), gerando US$ 3,566 bilhões em negócios.

Esta é a face rica, que se contrapõe aos 131 municípios restantes que foram ilhas menos atraentes, grande parte paradas no tempo dos negócios, à espera de investidores que transformem pastagens em lavouras.

Os valores compilados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) demonstram que as 10 ilhas de prosperidade do Estado também foram as que mais importaram, e responderam por 76,52% de todas as compras de produtos vindos de outros países, que em valores nominais equivalem a US$ 390,936 milhões entre janeiro e maio de 2016. No mesmo período, o Estado importou o equivalente a US$ 510,890 milhões.

Não é mistério para ninguém que o agronegócio é o motor que move a economia mato-grossense. Mas, os valores gerados na balança comercial pela exportação de commodities têm os 2 lados da moeda. Antes de conhecer cada face dessa moeda é importante dizer que a China é o principal comprador da produção mato-grossense. Sem o Gigante Asiático nesta história, alguns bilhões estariam de fora da balança comercial.

Durante os 5 primeiros meses deste ano a China pagou US$ 2,552 bilhões pelos produtos primários mato-grossenses, respondendo por 36,99% de tudo o que o Estado exportou no período. Se considerado apenas o “arquipélago da prosperidade” em Mato Grosso, a China consumiu US$ 1,184 bilhão no período analisado.

“O lado positivo de tudo isso é que Mato Grosso se transformou em uma plataforma exportadora, cuja produção é voltada para abastecer o mercado externo”, avalia o economista, Vivaldo Lopes. Ele pontua que o agronegócio tornou o Estado um competidor internacional de peso, o que beneficia principalmente as 10 cidades que se transformaram em lugares prósperos em razão da economia gerada dentro das porteiras.

“Outro ponto positivo do agronegócio é que ele estende seus tentáculos em todos os outros setores econômicos, como na indústria, comércio e serviços”, pontua Lopes. A razão para isso é que a produção de commodities movimenta serviços como transporte e armazenagem, que por sua vez, utilizam energia elétrica, combustíveis, recursos humanos. Já os que são empregados nesta cadeia produtiva consomem e, isso gera arrecadação de impostos, além de demanda no comércio. Ou seja, todo um ciclo de consumo é movimentado pelo agronegócio, o que é positivo, na opinião de Lopes.

Contudo, o outro lado da moeda esconde a face do perigo existente na falta de industrialização e na dependência econômica de um país comprador, que não tem a cultura de deixar às claras tudo o que pensa dos parceiros comerciais. “Se a China ficar com um resfriado na economia, isso vai chegar como uma pneumonia para Mato Grosso”, metaforiza Vivaldo Lopes. Quanto ao fato de se limitar à exportação de grãos, isso demonstra o baixo poder de agregar valor ao que é vendido ao mercado externo. A solução para que mais municípios mato-grossenses sejam incluídos ao “arquipélago da prosperidade” seria a industrialização, como defende Vivaldo Lopes.

“Outra alternativa é ampliar as relações comerciais com outros países, saindo da dependência perigosa e majoritária da China, e evitando dessa forma uma eventual crise, caso o Gigante Asiático venha a ter qualquer instabilidade”.

O diretor-finaceiro da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Nelson Luís Piccoli, também aposta no aumento das relações comerciais como mola para a industrialização e a menor dependência da China. “Apesar de acreditar que o apetite chinês não cesse tão cedo, sempre é bom ter um leque maior de compradores”.

O secretário de agricultura e meio ambiente de Sorriso, Afranio Migliari, avalia que a falta de indústrias no Estado, e principalmente no maior município produtor de grãos do Brasil, se dá em razão dos problemas logísticos. “E isso tem se transformado no nosso maior gargalo. É positivo ter a produção primária para a exportação, mas indústrias conseguem agregar valor para a cidade em geral”.

Fonte: A Gazeta

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