Após polêmica, Alex Atala se retira de concorrência para empreendimento em Belém do Pará

Após protestos da classe artística, que era contra a retirada do Museu de Arte Contemporânea de Belém da Casa das Onze Janelas, o chef Alex Atala anunciou nesta quinta-feira (30) sua saída da concorrência para a administração do polo gastronômico que ocuparia o palacete na capital do Pará.

Um decreto assinado no último dia 17 determinou o fim das atividades do museu neste ponto turístico da cidade para dar lugar ao Polo de Gastronomia da Amazônia. Segundo o texto, as obras do acervo seriam transferidas para outro local.

Contatado pela Folha, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Pará, Adnan Demachki, afirmou que o novo endereço não tinha sido ainda definido. De acordo com ele, o museu seria mantido e valorizado e a definição do novo espaço seria feita pela Secretaria de Cultura. Essa pasta, no entanto, não respondeu as questões da reportagem sobre o novo local.

Os artistas reclamam e definem como “arbitrária” a decisão do governo do Estado, publicada no Diário Oficial. Uma “surpresa geral de todos que aguardavam o chamado para algum diálogo”, diz Eder Chiodetto, curador de fotografia, em sua página no Facebook. Eles questionam a decisão afirmando que o local funcionava como espaço de experimentação e tinha uma agenda movimentada por atividades.

Chiodetto publicou em sua página a carta enviada pelo chef Alex Atala, encaminhada também à imprensa, anunciando sua saída do projeto. No texto, o chef afirma que “Diante da inflexibilidade do governo do Pará, do radicalismo das partes, da ausência de real diálogo, da clara confusão criada e do nosso profundo desagrado com a maneira com que vem sendo conduzida pelas partes a criação do Polo Gastronômico, bem como a não permanência do Museu de Arte Contemporânea na Casa das Onze Janelas, em Belém (PA), conforme Decreto 1.568 de 17/6/2016, o Instituto ATÁ não irá se candidatar para gerenciar o projeto do Polo Gastronômico”. “Não compactuamos com um projeto que valoriza a cultura culinária do Pará desabrigando demais expressões de arte”, completa Atala.

O movimento contra o fim do museu publicou, então, resposta em que afirma que se manterá irredutível na exigência de que o Instituto ATÁ e Alex Atala “vinculem sua participação no projeto à irrestrita condição de que o Museu Casa das Onze Janelas permaneça no lugar onde funciona por 14 anos”.

O Instituto Atá, do chef, estava ao lado de outras instituições no projeto de se candidatar à concorrência que definiria quem iria administrar o espaço, com museu, restaurante, laboratório e escola de gastronomia. Entre os dez integrantes do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade estão o Instituto Socioambiental, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e o Instituto Paulo Martins —que participou da idealização do polo gastronômico, parte das “iniciativas futuras” necessárias para a candidatura de Belém como cidade da gastronomia pela Unesco, honraria concedida em dezembro.

Joanna Martins, filha do cozinheiro e pesquisador Paulo Martins, que está à frente do instituto, diz ter recebido com tristeza a notícia da saída do Atá. “Mas entendemos e respeitamos sua posição. Ele [Alex Atala] não merece carregar o peso de problemas que não foram gerados por ele.”

Ela contou que a sugestão da Casa das Onze Janelas como espaço para receber o polo foi sugestão deles, já que havia ali um restaurante desativado. “Apenas ele seria ocupado. Mas fomos surpreendidos com a notícia de que a casa inteira seria usada, o que inclui o espaço do museu”, diz. “Isso é algo com o que não concordamos também.”

Este Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade, do qual fazem parte todas essas instituições, se candidataria em uma concorrência pública para administrar o futuro polo. Com a saída do Atá, Joanna Martins já não sabe o que será feito em relação a isso.

Fonte: Paladar/ O Estado de São Paulo

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