Com seca do Rio Juruá, barqueiros reclamam de condições de navegação

Corpo de Bombeiros diz que situação é considerada dentro do normal.Barqueiro diz que viagem para Marechal Thaumaturgo pode levar até 5 dias.

Não é só a seca do Rio Acre que tem causado preocupação aos acreanos, o Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, também vem registrando os níveis mais baixos dos últimos anos. As condições de navegação já prejudicam o transporte de cargas e de passageiros que usam o rio como meio para chegar até Marechal Thaumaturgo e Porto Walter, cidades onde é possível chegar apenas de barco ou aviões de pequeno porte.

Dados do Sistema de Monitoramento Hidrológico da Agência Nacional de Águas (ANA) apontam que em 24 horas, entre a quarta (20) e a quinta-feira (21), o nível do manancial baixou de 3,02 metros para 2,93 metros.

O comandante do Corpo de Bombeiros da cidade, tenente-coronel Marcelo Araújo, diz que embora a corporação não tenha os dados do ano anterior, a situação ainda não é considerada alarmante.

As pessoas estão reclamando, mas já deveriam está acostumadas. Todos os anos, neste período, o nível do rio cai. Ele ainda pode cair mais e deixar a situação mais severa, mas até o momento está dentro da normalidade , afirma.

Viagens de barco são prejudicadas

Se para os bombeiros a situação está dentro da normalidade, para quem trafega no Juruá o quadro é considerado complicado. Quando o rio está cheio uma viagem entre Cruzeiro do Sul e Porto Walter costuma demorar 3h, mas nessa época do ano chega a durar até 7 horas.

José Silva Martins é dono de uma empresa que faz o transporte de passageiros entre as duas cidades. Ele diz que teme ter de interromper o serviço caso a situação piore nos próximos meses.

“O rio está muito baixo. Estamos tendo dificuldade para prestar nosso serviço. Nos meses de agosto e setembro a situação deve ficar ainda pior, pois o rio deve secar ainda mais. Nunca tinha visto no mês de julho, o rio seco como está. Já estamos com as lanchas paradas, só estamos operando com canoas com motores de popa”, diz.

Já o funcionário público José Agamenilson Andrade, de 36 anos, estava no porto de Cruzeiro do Sul para receber um paciente com malária, que vinha de Porto Walter.

“Estava esperando um paciente que saiu de Porto Walter às 7h e só chegou aqui às 15h. Ele já contraiu várias vezes malária. Teve uma recaída e foi transferido para cá. Chegou relatando muitas dores no estômago. O sol quente e o tempo que ficou sentado na mesma posição por complicar seu quadro clínico”, lamentou.

O barqueiro José Júlio Ferreira, de 50 anos, diz que a situação está ainda pior para chegar até Marechal Thaumaturgo, cidade que fica mais acima no curso do Juruá.

Ele saiu do porto de Cruzeiro do Sul na tarde da quarta levando quatro toneladas de produtos entre cerveja, açúcar, trigo, remédios e combustível e espera chegar ao município apenas no final da tarde de domingo (24).

“Nesta época, embarcações maiores não chegam a Marechal Taumaturgo, temos que transportar tudo em pequenas embarcações. Mesmo assim enfrentamos muitas dificuldades. A viagem que deveria durar dois dias, leva quatro ou cinco”, finaliza.

Fonte: G1

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