Quartiero faz apelo pela interligação de Roraima ao sistema energético

Ao encerrar a participação de Roraima na reunião ordinária do Conselho Deliberativo (Condel) da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), ontem, 18, em Belém, o vice-governador Paulo César Quartiero fez um apelo ao ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, para que agilize o processo de ligação do Estado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), por meio do Linhão de Tucuruí.

A construção do Linhão foi suspensa por força de liminar judicial em fevereiro deste ano, quando a Justiça Federal acolheu o pedido do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM), desconsiderando os efeitos da licença prévia que garantia a continuidade dos serviços. Em março, o Tribunal Regional Federal (TRF) determinou a suspensão imediata da liminar concedida em favor do MPF, mas as obras não iniciaram por falta do licenciamento ambiental nas áreas indígenas por onde o linhão vai passar.

Roraima é o único estado brasileiro que não está interligado ao SIN. Hoje, o Estado enfrenta sequências de desligamento no fornecimento de energia do Linhão de Guri, da Venezuela, que desde 2001 transfere energia por meio de uma linha com 706 quilômetros de extensão. “A questão energética é crucial para o nosso Estado. Precisamos da retomada e conclusão das obras para que o nosso Estado tenha segurança energética e possa desenvolver todas as frentes e alavancar a economia”, defendeu Quartiero.

Desde o ano passado, o Governo do Estado tem participado de reuniões em Brasília, no Ministério de Minas e Energia, com a intenção de dar andamento às obras do Linhão de Tucuruí. Recentemente, o governo apontou como proposta a importação de óleo diesel da Venezuela, como uma solução emergencial, para garantir o funcionamento do parque termelétrico do Estado, uma vez que o custo local – com a compra do combustível no Brasil – chegaria à ordem de R$ 2 bilhões ao ano.

“A nossa intenção é diminuir as diferenças entre os Estados da região e hoje, sendo o único representante da Amazônia no Ministério, a minha responsabilidade se torna ainda maior”, disse Barbalho, ao dar garantia de que o assunto será tratado no Ministério da Integração Nacional.

MANIFESTAÇÃO

Quartiero acompanhou a manifestação do estado de Mato Grosso e pediu vistas do Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia e da Política de Desenvolvimento Industrial da Amazônia Legal, sob a alegação de Roraima não ter participado ativamente das discussões durante a construção das duas propostas. Com isso, o Estado ganha de 15 a 20 dias para análise e manifestação.

O Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia é constituído de programas e ações que têm o objetivo de reduzir a pobreza, promover a inovação tecnológica e a integração econômica intrarregional, como um instrumento de planejamento do desenvolvimento regional, sendo uma ação conjunta entre Sudam e o Ministério da Integração Nacional.

“O pedido foi feito porque Roraima não foi ouvido e o fato é que precisamos ser ouvidos, para então nos manifestarmos sobre o que queremos, precisamos e as nossas necessidades”, justificou Quartiero, ao avaliar de forma positiva o encontro. “Agora temos uma segunda oportunidade de Roraima intervir na formulação do Plano e da Política de desenvolvimento industrial”, enfatizou.

Para o secretário estadual de Planejamento e Desenvolvimento, Alexandre Henklain, o encontro teve dois ganhos importantes, que é a possibilidade de Roraima conhecer as especificidades de cada Estado e participar de discussões comuns a essas unidades federativas. “Com o pedido de vistas, vamos estudar profundamente o Plano e a Política, de forma a expor nossas demandas e necessidades e entender as demandas e necessidades dos demais estados envolvidos no processo”, disse.

Fonte: Folha de Boa Vista

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