Seca no Madeira causa alta de preços no AM

Leite, manteiga, carne, frango, peixe, óleo de soja, madeira e até veículos podem ficar entre 3% e 5% mais caros em Manaus

O custo do frete no transporte de mercadorias por via fluvial entre Manaus e Porto Velho (RO) pode ficar até 30% mais caro por causa da seca no Rio Madeiraa. A Marinha proibiu a navegação noturna no trecho entre Humaitá e Porto Velho devido aos riscos de acidentes. Com isso, a viagem que demorava oito dias, está demorando 15, elevando os custos com frete. A despesa extra terá reflexos nos preços de produtos ao consumidor. A informação é do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma).

Produtos como leite, manteiga, carne, frango, peixe, óleo de soja, madeira e até veículos vão ter um aumento nos preços finais que deve variar de 3% a 5% por causa do frete mais caro. O vice-presidente da Sindarma, Claudomiro Carvalho, avalia que a causa destes problemas é o fenômeno natural da vazante, mas isso poderia ser amenizado se o serviço de dragagem do rio fosse realizado. “Nós vamos ter uma nova vazante e o Governo Federal ainda não solucionou este problema. E os Estados são afetados, como Amazonas, Rondônia, Acre e Mato Grosso”, explica Claudomiro.

DRAGAGEM

A dragagem é o procedimento para remoção dos sedimentos que se encontram no fundo do rio, ampliando seu calado de modo a permitir a passagem das embarcações em áreas mais assoreadas. Segundo informações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o projeto da dragagem no Rio Madeira está em processo licitatório.

“A fase de habilitação do processo para dragagem foi concluída no dia 12 deste mês e, com a inabilitação da primeira colocada, a segunda, JEED Engenharia S.A. foi habilitada com a proposta no valor de R$ 69.551.797,14. A partir de agora, serão abertos os prazos para os recursos que as empresas participantes têm direito. Somente após a homologação do resultado final do certame e assinatura do contrato com a vencedora, será possível emitir a ordem de início dos serviços. A estimativa do Dnit é que isso ocorra no próximo mês de setembro. O objetivo é assegurar a navegabilidade em toda a extensão da hidrovia, ao longo de todo o ano”, informou a diretoria do Dnit.

A navegação noturna está suspensa pela Marinha desde o último dia 13.

Em números

30% será o aumento nas despesas com frete no transporte fluvial de mercadorias no Rio Madeira devido à proibição de navegação noturna.

15 dias. É quanto demora para cobrir o trecho entre Porto Velho a Manaus diante da proibição da Marinha. Antes, a viagem demorava oito dias.

Frase

“Vamos ter uma nova vazante e o Governo Federal ainda não solucionou este problema”

Claudomiro Carvalho, Vice-presidente do Sindarma

Transporte rodoviário é alternativa

Uma alternativa para o transporte de mercadorias entre Amazonas e Rondônia é o uso da rodovia BR-319 que, apesar das condições longe do ideal, pode ser a única opção com o agravamento da seca no Rio Madeira. A empresa de transporte rodoviário Aruanã mantém tráfego pela estrada com regularidade, apesar dos buracos e da dificuldade em alguns trechos.

O economista e supervisor técnico do Departamento Inter-sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Amazonas, Inaldo Seixas, ressalta que não há um estudo que ateste o real impacto do custo do frete no valor final dos produtos transportados pelo Rio Madeira. Ele afirma que deve haver questionamentos a respeito destas variações de preços.

“Seria necessário um estudo no mercado. Numa economia capitalista, é importante procurar saber o volume de serviços, quanto tempo leva, a dificuldade de transportar através de rio e qual é o impacto. Além de pesquisar quantas empresas de navegação comandam e qual é o peso de cada produto. O nosso mercado tem a intenção monopolística”, comenta o supervisor do Dieese no Amazonas.

Previsão de estiagem severa preocupa

O rio Madeira é um dos principais corredores logísticos do País e integra o Arco Norte. Pela Hidrovia do Madeira ocorre o escoamento de parte da produção agrícola, principalmente soja e milho de Mato Grosso e Rondônia, e insumos como combustíveis e fertilizantes, com destino a Porto Velho e Manaus.

A previsão de estiagem severa nos próximos meses preocupa as empresas de transporte fluvial diante do atraso dos serviços de dragagem que não são realizados há dois anos e só devem começar em setembro, conforme divulgou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O risco de acidentes náuticos no período da seca colocou em alerta navegação na região. O baixo nível das águas e a existência de bancos de areia podem provocar colisões de embarcações.

“Se houvesse uma dragagem periódica no Rio Madeira para reduzir o assoreamento e os bancos de areia, as condições de navegabilidade permaneceriam mesmo no período da seca. Temos cobrado a realização da dragagem, que é uma necessidade urgente”, enfatizou o presidente do Sindarma, Galdino Alencar Júnior.

Logistica> Hidrovia do Madeira

Com serviços de dragagem previstos para começar em abril, alguns trechos do Rio Madeira já apresentam riscos à navegação. A Marinha proibiu navegação à noite, elevando custos de frete, o que deve se refletir no preço final dos produtos.

Alternativa

Se o rio Madeira ficar sem condições de navegação, a única alternativa será a BR-319, mesmo em condições precárias.

5 por cento é o impacto máximo que a alta do frete pode ter no preço final dos produtos transportados.

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