Arena da Amazônia, o gigante de portões fechados

O estádio em Manaus, como previu o ex-governador Aziz, virou um problema para o povo – é a arena da Copa menos utilizada do país e, por isso, dá prejuízo ao amazonense

Omar Aziz (PSD), então governador do Amazonas, perdeu as estribeiras com um repórter da ESPN ao ser questionado, em 9 de março de 2014, sobre o legado que a Copa do Mundo deixaria para o estado.  “O problema é nosso, não é de vocês.  Isso é um problema do povo amazonense, não é teu.  Não é da imprensa do Sul.  É nosso problema.  Deixa com a gente.  Se nós tivemos competência para construir uma arena desse porte, nós teremos competência também de dar um legado”, ralhou o político.  O hoje ex-governador errou ao prometer um legado para a Arena da Amazônia.  Mas estava certo ao cravar que o problema ficaria para o povo amazonense.

A arena nunca foi privatizada, portanto as receitas e as despesas entram e saem dos cofres do governo estadual. O problema é que sai mais dinheiro do que entra. O estádio arrecadou apenas R$ 511 mil em 2015 e gastou mais de R$ 7 milhões com manutenção. O saldo, R$ 6,5 milhões negativos, é o preço que o cidadão amazonense paga anualmente por causa da Copa de 2014. E que continuará a pagar por incontáveis anos porque, como previsto antes da realização do Mundial no Brasil, a Arena da Amazônia não tem futebol suficiente para se sustentar, muito menos para recuperar o investimento que o governo do Amazonas fez em sua construção, R$ 650 milhões.

A Arena da Amazônia, entre 15 novos estádios construídos no mesmo período e nos mesmos padrões, tem o menor número de jogos oficiais realizados em 2015. O estádio só abriu as portas sete vezes. O ingresso é um dos mais baratos do país. Custa R$ 20,56 em média. Mesmo assim o público não aparece. A média de 3.974 pagantes por jogo equivale a 9% da capacidade oficial. Os outros 91% ficam vazios por toda a temporada. Quando as arquibancadas estão vazias, nenhuma outra receita do estádio é proporcionada – nem camarotes, nem bares, nem estacionamento. A Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), do governo do Amazonas, tem uma missão quase impossível de tornar as contas do estádio positivas.

Aziz não é mais governador, mas se elegeu senador. O problema, como ele espertamente previu, sobrou para o povo amazonense.

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Por: Rodrigo Capelo
Fonte: Revista Época

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Um comentário em “Arena da Amazônia, o gigante de portões fechados

  • 22 de novembro de 2016 em 17:39
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    É preciso investir nos times locais, para que o torcedor amazonense apareça e valoriza o seu time local.

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