Cartilha ensina produtores familiares a criar peixes no Amazonas

A publicação “Piscicultura familiar no Amazonas” foi elaborada por alunos de mestrado e doutorado do Programa em Pós-Graduação em Aquicultura (parceria da Nilton Lins com o Inpa). A cartilha possui versões impressa e online (português e espanhol)

“Antes não sabíamos como criar o peixe. Hoje, a produção aumentou. Aprendemos a fazer o tanque escavado e lidar com o pescado”. A declaração é do agricultor familiar Nelson Barroso Pereira, durante o lançamento, na manhã desta quinta-feira (18), da cartilha “Piscicultura familiar no Amazonas”, elaborada por alunos de mestrado e doutorado em Aquicultura da Universidade Nilton Lins em parceira com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

A finalidade é contribuir para que os pequenos produtores do estado do Amazonas possam iniciar sua piscicultura, seguindo as recomendações e conceitos mais modernos sobre a criação de peixes, além de obter respostas para as dúvidas frequentes no processo de cultivo, o que pode resultar em benefícios para si e para sua família.

O lançamento aconteceu na Associação de Moradores do Lago do Sant´Ana (AMOS), Comunidade de Sant´Ana, município de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus-AM). Na cartilha, são apresentados temas como planejamento, preparação de infraestrutura, manejo do cultivo, alimentação/nutrição e aspectos sanitários.

Para a pesquisadora do Inpa, Elizabeth Gusmão, o lançamento da cartilha na comunidade do é uma forma de compartilhar com o produtor rural este momento que encerra a etapa de um trabalho, que teve como objetivo contribuir com este público-alvo. A publicação tem versões impressa e online (português e espanhol) .

Segundo a pesquisadora, material desse tipo praticamente não está disponível para o pequeno produtor, por ser necessário transformar os conhecimentos obtidos nos artigos científicos e livros em uma linguagem mais simples e de fácil entendimento. “É uma maneira de dar retorno à sociedade e oferecer este produto que ficará disponibilizado gratuitamente aos interessados”, disse.

De acordo com um dos autores da cartilha, Francisco Bruno Santos, o agricultor pode encontrar na cartilha, temas como legislação ambiental e informações sobre densidade de estocagem que orienta o produtor sobre a quantidade de peixes que podem ser colocados num sistema de cultivo, além de explicar os tipos de construção de viveiros. “É uma cartilha que leva um conhecimento pronto ao piscicultor, traz conhecimentos novos de forma clara e simples”, disse.

Para a coordenadora do projeto comunitário de piscicultura do Lago do Sant’ Ana, Ana Margareth Pereira, essa aproximação das instituições de pesquisa com a comunidade é de extrema importância. “O piscicultor familiar sente falta de receber o conhecimento científico gerado nas instituições de pesquisas”, disse.

Parceria

A parceria entre a comunidade do Lago do Sant’ Ana, a Universidade Nilton Lins e o Inpa acontece há quatro anos e leva informações e capacitações para os piscicultores familiares. “Receber mais atenção e informação é o que faz estreitar esta relação entre instituições de pesquisas e produtores rurais, fazendo a cadeia produtiva da piscicultura rodar”, destaca a coordenadora do AMOS.

Conforme Pereira, hoje, os piscicultores fazem o abate do peixe com o choque térmico, o que dá mais qualidade ao produto. “Temos mais conhecimento técnico o que faz com que tenhamos mais produtividade na produção do pescado”, destaca.

A comunidade do Lago de Sant’ Ana desenvolve há nove anos a atividade de piscicultura familiar e beneficia sete famílias, que produzem cerca de 500 tambaquis-curumins (de 300 a 500g) por semana, a partir do conhecimento gerado na parceira com o Inpa e Nilton Lins. Os peixes são comercializados pelos produtores em feiras da cidade de Manaus, beneficiados (ticados) ou não com valor médio de três peixes por R$ 10.

O lançamento da cartilha “Piscicultura familiar no Amazonas” também contou com a participação do secretário adjunto de Pesca e Aquicultura do Estado do Amazonas (Sepa/Sepror), Geraldo Bernardino. “Temos muito o que fazer dentro da ideia da cadeia produtiva como um todo, não só melhorando a prática de manejo, mas fortalecendo o cooperativismo e o associativismo que faz com que a pesquisa seja mais definida entre o setor produtivo, a assistência técnica, o empresário e o pesquisador”, destacou.

A cartilha contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), do Projeto Desenvolvimento da Aquicultura e Recursos Pesqueiros na Amazônia (Darpa) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Por: Luciete Pedros
Fonte: INPA

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