Deputado cobra celeridade na decisão do Governo sobre Linhão de Tucuruí

Carlos Andrade disse que a bancada federal do Estado tem feito gestão junto aos Ministérios da Justiça e de Minas e Energia para cobrar uma solução

Os constantes apagões, a falta de uma energia confiável no Estado e a demora do Governo Federal em apresentar soluções para a construção do Linhão de Tucuruí, que ligaria Manaus-AM a Boa Vista e deixaria Roraima interligado no Sistema Nacional, foram temas da entrevista deste sábado com o deputado federal Carlos Andrade (PHS) no programa Agenda Parlamentar, pela Rádio Folha AM 1020.

A preocupação de Andrade é maior diante da situação de crise econômica, política e energética que a Venezuela enfrenta. “Somos dependentes da energia de um país que está em crise energética, econômica e política e isso nos preocupa”, disse. “E diante desse panorama, o Governo Brasileiro tem que ser incisivo nas suas decisões e atuações quanto à resolução das obras do linhão de Tucuruí, único meio de resolvermos os problemas da energia em Roraima”, disse.

Para isso, Andrade disse que a bancada federal do Estado tem feito gestão junto ao Ministério de Minas e Energia e ao Ministério da Justiça. “Antes de entrarmos em recesso da Câmara Federal, tivemos uma audiência com o secretário executivo do Ministério das Minas e Energia, Paulo Pedrosa, que assumiu depois dessa mudança do governo interino de Michel Temer, e pedimos uma audiência da bancada com o ministro Fernando Bezerra para tratarmos sobre esse problema”, assegurou.

Andrade lembrou que as obras estão paradas e que a concessionária Transnorte Energia S. A. (TNE), formada pela Eletronorte e Alupar, protocolou na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pedindo a rescisão da concessão da obra de construção do Linhão de Tucuruí em setembro do ano passado. O leilão foi realizado em 2012 e o início da obra, impedido diversas vezes por questões ambientais e indígenas.

Ele citou ainda que todo o trabalho de gestão feito nos últimos meses sofreu alterações devido à mudança de governo de Dilma para Temer. “Quando Temer assumiu o governo, houve toda uma mudança no quadro da hierarquia e ministérios. Tivemos que refazer todo esse trabalho de mostrar as dificuldades e de apontar soluções, e isso se consegue através de audiências com os ministros, para que se inteirem dos processos, e por isso já pedimos uma audiência, que deve acontecer ainda nesta primeira quinzena de agosto”, frisou. (R.R)

Para deputado, privatizar Eletrobras não vai resolver o problema energético de Roraima

Falando com conhecimento no setor, já que é servidor da Eletrobras Distribuidora Roraima, o deputado federal Carlos Andrade disse que não adianta apenas privatizar as empresas de energia. Ele declarou que a crise energética brasileira é bem maior do que se imaginava e citou a venda da Eletrobras Roraima, dentre outras no País que o Governo pretende privatizar. “Essa decisão foi tomada porque o Ministério das Minas e Energia entende que essas empresas dão prejuízo e o Governo quer privatizar essas organizações”, disse.

Andrade falou que está acompanhado o processo e citou que parte dessa crise que a Eletrobras está vivenciando é problema de gestão e do modelo desenhado pelo Governo anterior que não deu certo e causou os prejuízos. “O Paulo Pedrosa [secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia] disse que se o Governo quiser passar a Eletrobras do Amazonas e de Roraima para a iniciativa privada, vai ter que passar também um cheque de aproximadamente doze bilhões de reais por conta do prejuízo e ninguém quer as empresas”, frisou.

Para o deputado, não se trata apenas do retorno financeiro das empresas do setor, mas de uma demanda social para bem atender a população de Roraima. “O governo brasileiro tem que ter uma responsabilidade social com a população que mora no extremo Norte do Brasil e precisa cuidar disso com urgência”, disse.

“Queremos mais clareza de como será tratada essa venda, como ficam os consumidores no Estado, como fica essa crise energética que vivenciamos, a interligação de Manaus a Boa Vista, de que forma e quando será resolvida?”, questionou.

Para ele, privatizar as empresas não resolverá o problema. “Quem vai querer uma empresa deficitária e que abastece com óleo combustível?”, indagou. “É diante dessas questões que a bancada federal de Roraima tem cobrado mais clareza do Governo, que seja através da Câmara e do Senado, da mídia ou da gestão que temos feito junto às autoridades para termos uma solução para o problema”, frisou.

Fonte: Folha de Boa Vista

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