Escoamento prejudicado

Seca no Rio Madeira ameaça inviabilizar navegação em alguns trechos.  Condições da rodovia BR-319 também não são ideais

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O baixo nível das águas do Rio Madeira nos trechos entre Manaus (AM) – Porto Velho (RO), e no sentido inverso, vem restringindo cada vez mais a navegabilidade nestes cursos, inclusive a noturna, o que tem acarretado diretamente atraso na escoação de produtos agrícola, insumos como combustíveis e fertilizantes, de alimentos e produtos da Zona Franca de Manaus.

Como a tendência é de agravamento da situação, é grande o risco de que Manaus fique “ilhada” nos próximos meses, uma vez que as condições da rodovia BR-319 – uma alternativa à hidrovia do Madeira – também não está em boas condições de trafegabilidade.

De acordo com o Sindicato das Empresas da Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma), mesmo com o nível das águas abaixo da média, não há riscos de desabastecimento em Manaus e nem previsão de aumento no custo do frete, pelo menos por enquanto. “O aumento do custo do transporte está sendo absorvido pelas empresas de transporte fluvial. O custo maior ainda não foi repassado para os clientes e nem para o valor da mercadoria”, explicou o vice-presidente do Sindarma, Claudomiro Carvalho Filho.

Outra restrição enfrentada pelos transportadores fluviais é quanto à redução do volume de carga transportada, no intuito de evitar acidentes devido à formação de bancos de areia.

Uma solução apontada pelo Sindarma seria a realização de dragagem periódica do Rio Madeira, o que evitaria essa baixa navegabilidade num dos principais corredores de escoação da Região Norte. “Se houvesse uma dragagem periódica no Rio Madeira para reduzir o assoreamento e os bancos de areia, as condições de navegabilidade permaneceriam, mesmo no período da seca. Temos cobrado a realização da dragagem, que é uma necessidade urgente”, enfatizou o presidente do Sindarma, Galdino Alencar Júnior.

A dragagem tem como principal função aprofundar vias navegáveis, removendo parte do fundo do leito dos rios e canais, ampliando seu calado de modo a permitir a passagem das embarcações em áreas mais assoreadas.

O órgão responsável pela dragagem do Rio Madeira é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes DNIT). Procurado pela reportagem, o órgão não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta edição.

Saiba mais

Viagem mais longa

O Rio Madeira atingiu nível de 2,28 metros em Porto Velho, ontem, menor cota registrada do início de agosto dos últimos 10 anos. No ano passado, nesse mesmo período, o Rio Madeira estava com 9,48 metros.

Com a seca do rio, o tempo de viagem de Manaus a Porto Velho que era de quatro dias, passou a ser de sete dias para se completar o trajeto . Já no sentido oposto (Porto Velho-Manaus), que antes demorava oito dias, passou a ser feito em até 15 dias, com reflexo direto nos custos das empresas de transporte.

Condições ruins de tráfego na BR

O que poderia ser uma solução viável em períodos de seca do Madeira, o transporte rodoviário, vem amargando várias baixas devido a problemas como: sistema rodoviário precário, redução na tarifa de transporte, além de baixa demanda, é o que explica o 1° secretário do Sindicato das Empresas de Agenciamento, Logística e Transportes Aéreos e Rodoviários de Cargas do Amazonas (Setcam), Raimundo Augusto.

“Houve uma deflação média de 15% nas tarifas do frete rodoviário, o que varia de empresa para empresa, devido à crise econômica no País. E isso tem afetado diretamente as empresas de transporte rodoviário, pois não há procura pelos clientes, que muitas das vezes migram para o frete de cabotagem por ser mais barato e também pelo sistema rodoviário estar muito precário em todo o Brasil”, destacou Augusto.

Fonte: A Crítica

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