Homem do campo conta com tecnologias para recuperar áreas e salvar produção

Evento realizado durante a semana, no quilômetro 48 da BR-174, mostrou que o produtor rural da Amazônia conta com iniciativas que podem salvar seus rebanhos, pastos ou qualquer das suas culturas

O produtor rural da Amazônia conta com novas tecnologias que podem salvar seus rebanhos, pastos ou qualquer das suas culturas. É o que foi abordado durante o evento “Dia de Campo”, realizado durante a semana na Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), localizada no quilômetro 48, BR-174 (Manaus-Boa Vista).

Na ação, realizada em todos os Estados da Amazônia Legal e que integra o Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas na Amazônia (Pradam), desenvolvido na região pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em parceria com a Embrapa e Ministério da Agricultura, pesquisadores exibiram, de forma teórica e prática, importantes projetos que auxiliam o trabalhador de áreas rurais. Na plateia, também estavam presentes agrônomos, técnicos agrícolas, engenheiros florestais e zootecnistas.

Da lavoura a floresta

Alguns desses projetos, ao passo que demandam investimentos, ao mesmo tempo trazem retorno financeiro ao produtor. É o que comentou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas e do Sistema Senar/Faea, Muni Lourenço Silva Júnior.

“Nós sabemos que a recuperação de áreas degradadas importam em um investimento significativo pelo produtor rural, e essas tecnologias possibilitam que ele possa cobrir, repôr o investimento com a receita que ele obtém dessa mesma tecnologia. Vejamos por exemplo a tecnologia da integração lavoura-pecuaria-floresta, onde você implanta na área degradada grãos como milho e, com o custo que você vai ter para recuperar com adubo, calcário e mecanização, consegue ser reposto no caixa do produtor rural a partir da receita do próprio milho que foi plantado naquela área. O produtor consegue resolver duas coisas: recoloca a área no processo produtivo, que gera emprego e renda, e ao mesmo tempo, ganha dinheiro com a venda do milho”, destaca o dirigente.

Sistema Plantio Direto

Um processo que é alternativa ecológica para aumentar a produtividade agrícola e minimizar a emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEE), bem como atenuar os efeitos das mudanças climáticas, é o Sistema Plantio Direto, bem como informa o engenheiro agrônomo e pesquisador José Roberto Fontes.

“O Plantio Direto é um sistema conservacionista de solo para a produção de grãos como milho, feijão, trigo, arroz, a depender da região onde se pratica a agricultura. Aqui no Amazonas, sobretudo na região mais ao Sul do Estado, que é considerada de agricultura mais desenvolvida, ele tem como vantagens principais a proteção da superfície do solo contra os impactos de gota de chuva que, com o passar do tempo, levam a processos de erosão e perda de nutrientes sobretudo aos adubos incorporados ao sistema e também de matéria orgânica. Esse sistema tem uma característica importante que é a melhoria da deficiência econômico-financeira da propriedade. Ao contrário do sistema considerado convencional, que utiliza arados e grades aradoras, o consumo de combustível, a necessidade por operações de máquinas é menor no Sistema de Plantio Direto. Com isso, o sistema torna-se, além de ecologicamente sustentável do ponto de vista de conservação do solo, mas interessante do ponto de vista financeiro para o produtor rural”, explica o membro da Embrapa.

Ele informa que, “devido às características da região amazônica, sobretudo na região metropolitana de Manaus, que não tem uma produção significativa de grãos, o sistema ainda não está presente, porém, para a região Sul do Estado ele tem um potencial muito grande de utilização” .

Cultivares

O pesquisador Felipe Tonato, da Embrapa, apresentou o projeto de pesquisa que avalia os cultivares de plantas forrageiras em condições de terras firmes no Amazonas. “Temos uma área muito grande e representativa de pastagens no País, aqui na região também, onde a principal forma de ocupação das áreas recém-desmatadas. Então, tentamos avaliar os principais cultivares que existem no mercado de sementes forrageiras, e as que estão sendo lançadas a cada ano pela Embrapa e principais empresas produtoras de sementes nós tentamos avaliar eles nas condições locais de clima e de solo e da forma como é feito o manejo dessas plantas aqui”, disse ele, destacando a particularidade do déficit hídrico da região. “Apesar de aqui chover bem o ano inteiro, temos dois meses onde há esse déficit hídrico, onde alguns cultivares podem ser mais ou menos interessantes nessas condições”, salienta o pesquisador.

Conciliando setores e desenvolvimento

Segundo Muni Lourenço, o Dia de Campo realizado na última quinta-feira tem uma importância enorme pois visou proporcionar aos produtores rurais, técnicos do setor rural e agrônomos, técnicos agrícolas e engenheiros florestais a oportunidade de conhecer de perto tecnologias principalmente desenvolvidas pela Embrapa que mostram, na prática, a possibilidade de conciliar produção rural, agrícola e pecuária com desenvolvimento sustentável.

“Este dia de campo mostra que estamos superando aquilo que no passado distante exista da cultura do “não pode” nenhum tipo de produção de pecuária, milho ou grãos na Amazônia e no Amazonas, e agora chegando a um patamar de “como pode?”, as maneiras, as tecnologias e as técnicas que hoje já estão disponíveis para nós continuarmos a produzir alimentos, e sem agredir o meio ambiente”, disse ele.

Pradam

O Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas na Amazônia (PRADAM), dissemina práticas de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) na região amazônica e pela 1ª vez realizou o Dia de Campo em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Atualmente, o Senar é responsável pela capacitação de 60 técnicos de assistência técnica pública e privada dos Estados do Amazonas, Rondônia, Acre, Mato Grosso, Pará e Maranhão nas tecnologias produtivas adaptadas ao Bioma Amazônia e em sua metodologia Assistência Técnica e Gerencial (AteG).

BLOG – Meyb Seixas, Zootecnista

É fundamental, para nós, eventos como esse do Dia de Campo. Como temos esses projetos desenvolvidos na Sepror, a atividade amplia a nossa visão de campo, nossos conhecimentos. Estamos agregando valor e preservando nossas áreas. São coisas fundamentais É o compromisso que temos de incentivar essa produção do Estado com a responsabilidade social, econômica e ambiental. Para sem levadas a campo para os nossos produtores. Algumas das principais dúvidas que nossos colegas têm são quais as espécies mais adequadas para as nossas regiões, se há intolerância entre elas e como posso aplicar isso em campo. É e muito importante o nosso conhecimento adquirido no evento para nos dar este ‘norte’ do que eu disponho no Estado para utilizar em nossos sistemas”

Fonte: A Crítica

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