Servidor do Ibama preso por desbloqueios ilegais

A Polícia Civil transferiu ainda nesta quarta-feira (3), para Belém, Uederson de Amadeu Ferreira, analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de Marabá, e Anderson Ferreira Bezerra, ambos presos em Marabá ao amanhecer do mesmo dia. As prisões ocorreram em decorrência da segunda etapa da Operação Amazônia Legal que, conforme a Polícia Civil, tinha como objetivo desarticular um esquema de desbloqueio de empresas madeireiras irregulares que constam nos sistemas do Ibama e da Secretaria de Estado de Meio-Am-biente e Sustentabilidade (Semas).

Conforme o delegado Marcelo Delgado, superintendente de Polícia Civil do Sudeste do Pará, os mandados foram expedidos pela Vara de Combate ao Crime Organizado, da Comarca de Belém, a pedido da Delegacia Especializada em Meio Ambiente (Dema), da Polícia Civil. “Eles estão sendo investigados por crimes ambientais, demos cumprimento nos mandados, foram presos em suas respectivas residências onde foram apreendidos objetos que podem estar relacionados aos crimes investigados”, comentou.

Procurada pelo CORREIO, a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil informou, na tarde desta quarta-feira, que ao todo foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e dois de condução coercitiva, além de 16 mandados de busca e apreensão em Marabá, Belém Tailândia, Goianésia e Santarém, todos no Pará, além de Itinga, no Maranhão. “A fraude rendeu mais de R$ 12 milhões aos criminosos. O trabalho investigativo teve início no ano passado quando foi realizada a primeira fase da operação, com cumprimentos de mandados de busca e apreensão”, informou a Assessoria de Comunicação.

Na primeira fase da operação foram apreendidos na casa de um madeireiro, em Goianésia do Pará, canhotos de cheques já emitidos. Dentre as provas foram encontrados quatro canhotos no valor de R$ 50 mil em que um dos beneficiados era Uederson. De acordo com a Polícia Civil, além de analista ambiental ele é especialista em informática. As investigações, presididas pela delegada Juliana Cavalcante, da Dema, apontaram que o servidor público federal era o beneficiário direto dos cheques.

A delegada ressaltou, por meio da Ascom, que as investigações apontaram que o funcionário público instalou em um computador do Ibama, localizado na sala em que ele trabalhava, programas que copiavam dados digitados. Quando o colega que atuava na máquina se ausentava, afirma a Polícia Civil, o suspeito utilizava o computador para desbloquear empresas madeireiras que estavam cadastradas como irregulares e, assim, elas voltavam a ter permissão de liberação de guias florestais para atuar na extração e transporte de madeira.

A Polícia Civil diz que o suspeito mantinha contato com os responsáveis por estas empresas e cobrou valores em dinheiro para fazer o desbloqueio de pelo menos 23 empresas. Conforme apurou a delegada, durante o inquérito, o analista ambiental teria recebido em torno de R$ 200 mil pelo esquema. Anderson, por sua vez, é investigado por receber os valores em sua conta bancária. A Polícia Civil estima que 1.293 caminhões tenham feito o transporte de madeira ilegal extraída de 3.642 árvores.

Os dois presos em Marabá irão prestar depoimento para a delegada responsável pelo caso e depois serão encaminhados a casas penais da região de Belém, assim como os demais presos, todos apresentados na Delegacia-Ge-ral, junto dos documentos apreendidos. A operação foi coordenada pela Diretoria de Polícia Especializada (DPE).

Saiba +

O CORREIO tentou entrar em contato com a Superintendência do Ibama, em Belém, mas as ligações não foram atendidas.

O Jornal também telefonou para o advogado que atua no caso, mas o aparelho celular estava fora de área e ele não respondeu mensagens de texto até o fechamento desta edição. A Reportagem não teve acesso aos presos.

Fonte: O Correio do Tocantins

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