Apesar de renda milionária em jogo da Seleção, Arena não sai do ‘vermelho’

Jogo entre Brasil e Colômbia, pelas Eliminatórias, não evitou que o estádio passasse mais um mês sem conseguir ‘fechar’ a conta da manutenção.

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Palco da Copa do Mundo, em junho de 2014, e do Torneio Olímpico de Futebol, em agosto, pelos Jogos da Rio 2016, a Arena da Amazônia, em Manaus, ainda não conseguiu se livrar do estigma de ‘elefante branco’. Nem a Seleção Brasileira, com o midiático atacante Neymar e companhia, no jogo diante da Colômbia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, no dia 6 de setembro, cobriu a despesa mensal do estádio.

Com custo de manutenção de R$ 550 mil, por mês, a partida do Brasil rendeu aos cofres da Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), que administra o dispendioso estádio, R$ 408 mil, referente aos 7% debitados de aluguel de campo da bilheteria de R$ 5.840.500,50. Mas caso a Sejel mantivesse os 10% cobrado para os jogos de clubes das Séries A e B do Brasileirão, a verba repassada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo aluguel do campo da Arena seria de R$ 584.050, 00, valor acima do necessário para todas as despesas mensais da praça esportiva.

Para o secretário da Sejel, Fabrício Lima, a concessão dada à CBF para realizar o jogo da Seleção em Manaus era crucial devido a concorrência de outros Estados pela partida das Eliminatórias.

“Com o jogo do Brasil não tínhamos portaria (do aluguel do campo) como do Brasileirão e com os ingressos com valores superiores ao habitual nos pediram para recuar em 7% e ficará fixo nessa taxa para jogos da Seleção, oficiais ou não, para ser atrativo para os organizadores. Porque Ceará, Rio Grande do Norte, Cuiabá e Brasília também querem esses jogos”, explicou Lima.

A Arena só não ficou com as contas no vermelho, em 2016, numa única ocasião até o momento. Nos jogos do Vasco da Gama contra o Fluminense e o Flamengo, no ‘Clássico dos Milhões’, respectivamente, pelo Campeonato Carioca, em abril, em que os 10% do aluguel do campo foram mantidos. Com a soma da renda das duas partidas do Carioca na Arena, a Sejel levou R$ 563.278,00 mil. Receita mais do que suficiente para a Sejel pagar sem custos aos contribuintes pelos serviços de segurança (R$ 149.424,40), manutenção predial (R$ 341.601,31) e de conservação do gramado (R$ 58.420,02).

A falta de arrecadação com os clubes amazonenses, isentos das taxas de aluguel de campo e quadro móvel na Arena, e a baixa procura de grandes clubes do País para usar o estádio como mando de campo não preocupam Lima. “Estamos tendo eventos na Arena quase uma vez por mês, só não tivemos durante as Olimpíadas. Mas temos Vasco e Londrina (pela Série B), no dia 8 de outubro, e o Torneio Internacional Feminino, em dezembro, sendo que a média e longo prazo iremos criar essa cultura da utilização da Arena”, confia o secretário do Estado da Juventude e Esporte.

Dívida ainda maior

Se forem incluídos os financiamentos do Governo do Amazonas com o BNDES e a Caixa Econômica para as obras, respectivamente, de construção do estádio e da cobertura da Arena, o custo na totalidade da praça esportiva para o Estado chega a R$ 6,170 milhões, por mês. Esta estimativa é soma das dívidas de manutenção da Arena, de R$ 550 mil, e os pagamentos dos empréstimos federais com os valores, em média, neste ano, de R$ 4,9 milhões (BNDES) e R$ 690 mil a R$ 720 mil (Caixa) mensais, segundo informações da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).

Para saldar religiosamente as parcelas dos empréstimos para a construção do estádio, o governo do Estado já desembolsou, até setembro deste ano, R$ 185,8 milhões dos R$ 400 milhões recebidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No contrato de empréstimo de R$ 103,530 milhões da Caixa Econômica para a obra da cobertura da Arena, até o mês de agosto, mais R$ 19,9 milhões pagos pelo Estado.

A Sefaz explicou que o contrato com o BNDES foi assinado em 29 de dezembro de 2010, com contrapartida do Estado no valor de R$ 133,3 milhões. Dividido em 180 meses, os juros começaram a ser pagos durante a carência de 36 meses, que encerrou em dezembro de 2013, período que o governo passou a saldar as parcelas do empréstimo. Como a carência de 60 meses do empréstimo com a Caixa Econômica, assinado em 22 de agosto de 2013, ainda não expirou, o Governo do Amazonas tem pago apenas os juros.

Por: Diogo Rocha
Fonte: D24am

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