Quando cumprirmos a meta, dobraremos a meta

“Não vamos colocar meta.  Vamos deixar a meta aberta, mas quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta” Dilma Rousseff, ex presidente. 

A divulgação dos dados Sistema de Estimativa de Emissão de de Efeito Estufa (SEEG), realizada nesta terça-feira pelo Observatório do Clima, mostrou que se forem cumpridos os planos de meta do governo para redução das emissões, em 2030, o país emitirá 1,047 bilhão de toneladas de CO2 ao invés dos 1,3 bilhão estimados inicialmente.  Ou seja, 12% menos do que a estimativa oficial sem qualquer esforço adicional.

A então presidente Dilma Rousseff durante lançamento da INDC do Brasil: nem precisa dobrar a meta (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
A então presidente Dilma Rousseff durante lançamento da INDC do Brasil: nem precisa dobrar a meta (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Isso porque a metodologia utilizada neste Terceiro Inventário teve avanços sobre a forma de calcular emissões e remoções. E se por um lado a conta climática era maior do que se imaginava, por outro, as informações sobre remoções de carbono por florestas secundárias – que crescem em áreas agrícolas abandonadas, por exemplo – também aumentaram.

Pela INDC (Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida), o Brasil se compromete a cortar 37% de suas emissões até 2025 e 43% até 2030 em relação aos níveis de 2005. Para chegar lá, o país lista uma série de compromissos em vários setores até 2030: restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de matas, recuperar 15 milhões de hectares de pastos degradados, atingir de 28% a 33% de energias renováveis não-hidrelétricas na matriz e zerar o desmatamento ilegal na Amazônia.

Caso não ajuste a INDC para refletir a mudança das metodologia, o país chegará a 2025 podendo ter uma emissão líquida 1,7 bilhão de toneladas e a 2030 podendo emitir 1,6 bilhão – e cumpriria sua meta mesmo assim.  Ou seja, em vez de cortar emissões, poderíamos aumentá-las em 21% em relação a 2014 (quando emitimos 1,3 bilhão de toneladas segundo dados do SEEG)

No entanto, a postura poderia ser motivo de constrangimentos, já que esvaziaria a proposta apresentada pelo Brasil. “Isso criaria um constrangimento enorme para o Brasil num momento em que o país se prepara para colher aplausos da comunidade internacional por ser um dos primeiros grandes poluidores a ratificar o Acordo de Paris”, disse André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário e coordenador-geral do Observatório do Clima.

O que se percebe com o relatório é que o governo pode é tornar a meta ainda mais ambiciosa. “A boa notícia é que o governo não precisa ter medo de fazer o ajuste”, diz Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.  A análise da INDC com base no Terceiro Inventário mostra que a meta pode ser ajustada neste momento para 53% em 2025 e 57% em 2030 sem que haja necessidade de alterar nenhuma das políticas propostas.

Acordo climático

Após 20 anos de negociações no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a UNFCCC, e diante de intensa mobilização de cientistas, da sociedade civil, do setor privado, de governos nacionais e subnacionais e de lideranças religiosas, como o Papa Francisco, países de todo o mundo chegaram a um acordo efetivamente global para o enfrentamento das mudanças climáticas. A Convenção finalmente entra em fase de plena implementação.

O Acordo de Paris é um tratado de longo prazo, legalmente vinculante e que define objetivos globais, como o de limite de aumento de temperatura global e o de financiamento climático para apoiar os países em desenvolvimento. Também traz compromissos de limitação de emissões de gases de efeito estufa para todos os países.

Leia o relatório-síntese do SEEG 2015 aqui.

Fonte: Eco-Finanças

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