Valor comercial do buriti é pouco explorado, afirma engenheiro florestal

Nos últimos seis anos o técnico e engenheiro florestal no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Afonso Rabelo, tem buscado alternativas para o uso e valorização comercial de frutos da Amazônia. Ele se dedica principalmente aos estudos com o buriti (Mauritia flexuosa L. f.).

O fruto é famoso por ser usado na produção de doces, principalmente sorvetes. Mas Rabelo criou alternativas que têm agradado aqueles que provam suas receitas. “As receitas mais diferentes que fizemos foram por exemplo foi o pato no castamburi, molho feito de buriti, castanha e tucumã”, conta. O objetivo dele é desenvolver 50 receitas culinárias com o fruto.

Para isso Rabelo conta com a ajuda da esposa. Juntos criaram receitas como o vatapá, também com o molho castumburi, que substitui o dendê; e o tacaburi, o tacacá que não usa o tucupi, mas sim uma mistura a base de buriti, cubiu e castanha.

O técnico lembra que o fruto é considerado antioxidante, altamente energético e rico em carboidratos, ômega 9, proteínas, vitamina “C”, entre outros fatores benéficos à saúde. “Também são feitas pesquisas sobre os valores nutricionais do fruto e, futuramente, dos nossos pratos”, diz.

Frutos dos frutos

O estudo se desdobrou em outros frutos, como o livro ‘Frutos Nativos da Amazônia comercializado nas feiras de Manaus’, que mostra 300 frutos regionais dos quais 38 são comumente encontrados em feiras da cidade. “Não adianta aplicar algo sem ter o conhecimento básico. Por isso, nós fomos desde a pesquisa básica. Fomos nas feiras procurar aqueles que podemos agregar valor. Das 300, selecionamos 30 espécies e delas estamos buscando agregar valor”, afirma ao Portal Amazônia.

Outra publicação é sobre o desenvolvimento de uma ferramenta para coleta de cachos de palmeiras da Amazônia junto ao também técnico no Inpa Felipe França, a cartilha ‘Buriti: coleta, pós-colheita, processamento e beneficiamento dos frutos’. “É uma forma de ajudar nas coletas, que são feitas de forma errada e geram grande desperdício. A cartilha pode ser utilizada por estudantes, pesquisadores, agricultores e até comunidades extrativistas. O que falta é divulgação”, justificou.

Rabelo realiza degustações frequentemente, para avaliar se as receitas estão dentro de um padrão de qualidade que atenda ao grande púbico. “É um fruto desconhecido, desperdiçado, desvalorizado. Tem gente que não gosta nem do cheiro. Tem prato que até criança gosta, como o brigadeiro”, destacou.

As novas formas de usar a polpa do fruto devem compor um livro previsto para sair até o final do ano.

Fonte: Portal Amazônia

Deixe um comentário