Zoneamento de risco climático do Mato Grosso tem participação de setor produtivo

Pesquisadores da Embrapa estão fazendo a validação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático para as culturas da soja e do milho no estado de Mato Grosso. O trabalho conta com a contribuição de instituições ligadas ao setor produtivo, como a Aprosoja, Fundação MT, Imea, Famato, sindicatos rurais e secretarias de agricultura, e busca refinar as informações de modo a melhor adequá-las à realidade climática do campo.

Em reunião na última dia 15 em Cuiabá e Sinop (MT), e com a participação de diversos municípios do estado, via videoconferência, o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril (MT) Cornélio Zolin e a pesquisadora da Embrapa Informática Agropecuária (SP) Laurimar Vendrusculo apresentaram o trabalho que vem sendo feito e discutiram com representantes das instituições as coerências e incoerências com o que é praticado nas lavouras do estado. Para ampliar ainda a base de informações, um formulário será preenchido pelo grupo técnico e de produtores relatando as especificidades de cada região.

Neste formulário, eles classificarão o risco climático para a soja e para o milho de acordo com a realidade da região nos últimos cinco anos. A classificação será feita por períodos de dez dias (decêndios) e em três tipos de solos, considerando ainda os ciclos das culturas (precoce, médio e tardio). Esses apontamentos serão comparados com os dados do zoneamento já existente para que se chegue a um mapa ainda mais fiel à realidade climática do campo.

“Esse processo é importantíssimo. É a primeira vez que o produtor pode participar, opinar e falar do seu histórico climático, podendo influenciar nessas decisões, que são fundamentais em termos de financiamento e seguro”, avalia o diretor técnico da Aprosoja Mato Grosso, Nery Ribas.

A expectativa é que as melhorias do zoneamento agrícola de risco climático de Mato Grosso sejam publicadas em portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ainda neste ano, sendo válidos já para a safra 2016/2017.

Zoneamento agrícola de risco climático

O zoneamento agrícola de risco climático é uma política que busca reduzir o risco de frustração de safra. É uma orientação sobre os períodos adequados de semeadura de determinada cultura para que o produtor possa obter sucesso na produção. Ao mesmo tempo, garante a viabilidade e sustentabilidade dos programas de financiamento e seguro agrícola.

O zoneamento define as janelas de semeadura ideais por região, por cultura, ciclo da cultura e tipos de solo. Atualmente, são feitos com a margem de sucesso de 80%, ou seja, buscam garantir o êxito da colheita em ao menos oito de cada dez anos.

“Queremos refinar o que a gente está fazendo em relação à realidade climática que os produtores verificam dia a dia, possibilitando um zoneamento cada vez mais preciso e representativo das particularidades climáticas regionais”, afirma Zolin, da Embrapa.

Um exemplo de particularidade climática regional, levantada pelo setor produtivo durante a reunião, é a região de Sorriso e Lucas do Rio Verde, em que o zoneamento não indica a viabilidade da semeadura de soja nos últimos dez dias de setembro, porém, com o início das chuvas, frequentemente agricultores obtêm boas safras plantando neste período.

“Hoje existem inúmeras restrições em relação a épocas de plantios e cultivares e que não têm cobertura de seguro em função do zoneamento. A revisão impacta diretamente na economia do setor”, pondera Nery Ribas.

A situação é ainda mais complexa com o milho de segunda safra, no qual o zoneamento atual restringe a semeadura a partir da última quinzena de fevereiro em quase todo o estado, sendo que muitos agricultores alcançam êxito frequente plantando até os primeiros dias de março.

Zolin explica que estas restrições do zoneamento em uso atualmente são decorrentes da própria natureza do estudo, pois o zoneamento é uma análise de risco agrícola que busca aumentar as chances de sucesso do produtor e garantir a viabilidade e sustentabilidade dos programas de financiamento e seguro agrícola.

De acordo com o pesquisador, juntamente à versão aperfeiçoada do zoneamento, será feita uma proposta com variações de risco. Isso significa que, além da margem de 80% atualmente praticada, poderão ser feitas margens parciais até o risco de 60%. No momento da contratação do seguro, o valor pago deverá ser negociado em função do risco agrícola considerado.

Além dos pesquisadores Cornélio Zolin e Laurimar Vendrusculo, participou da reunião o responsável pela cultura do milho no estudo do zoneamento, Balbino Evangelista, da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO). Também participam do trabalho pesquisadores da Embrapa Soja (PR) e Embrapa Milho e Sorgo (MG).

Fonte: Embrapa

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