Ministro diz que saúde indígena ‘é muita despesa e pouco resultado’

Ricardo Barros defendeu que o atendimento a índios seja feito por Organizações Sociais, instituições privadas sem fins lucrativos

Em áudio gravado nesta terça-feira (25) no Ministério da Saúde durante uma reunião com indígenas, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, defendeu que o atendimento à saúde indígena seja repassada a Oss (Organizações Sociais) vinculadas “às universidades”, que teriam “uma estrutura mais ampla de disposição de pessoas com conhecimento de história, de geografia, de tudo”.

Atualmente a saúde indígena é atendida pelo Ministério da Saúde por meio da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), que controla 34 DSEIs (Distritos Sanitários Especiais Indígenas) e atua em conjunto com organizações não governamentais que também recebem verbas federais. Pela proposta do ministro, seriam criadas Oss, instituições privadas sem fins lucrativos, necessariamente vinculadas a universidades.

Na reunião, Barros afirmou que a saúde indígena atualmente “é muita despesa e pouco resultado”. Ele criticou uma das principais parceiras do ministério no setor, a Missão Evangélica Caiuá, que ele chamou erroneamente de “Fundação Caiuás”, ao dizer que ela estaria fazendo “um lobby danado” para o sistema não mudar.

“Eu vou cuidar diretamente do assunto. Tem muita gente na saúde indígena, pouco resultado. A gente podia gastar muito melhor o dinheiro. A minha sugestão é que essas organizações sejam vinculadas a uma universidade. Porque o índio não precisa só de gente, mão-de-obra, precisa de uma atenção integral, e aí tem a cultura, tem a saúde, tem uma série de outras ações que precisam ser feitas”, disse o ministro na gravação. Ele argumentou que as mudanças “não serão impostas”, mas sim discutidas previamente com os índios.

Barros alegou, na reunião, que teria economizado “R$ 1 bilhão” desde que entrou no ministério e que “dinheiro mal gasto é o que mais tem aqui nesse ministério, lamentavelmente”. “A gente olha uma despesa grande para a União mas não vê o índio atendido direito. Isso que nós temos que mudar. […] E o de vocês é um dinheiro mal gasto também”, disse Barros.

A reportagem apurou que a proposta citada pelo ministro deve ser apresentada oficialmente no dia 9 de novembro em reunião com representantes dos Condisi (conselhos distritais de saúde indígena). Apesar da transferência das decisões de atendimento à saúde, a ideia é manter o atendimento regionalizado e vinculado aos DSEIs.

RECUO

A reunião ocorreu após um recuo do ministério no mesmo tema da saúde indígena. Pressionado por protestos organizados por índios, incluindo ocupações de prédios públicos em dois Estados e o fechamento de uma rodovia em Santa Catarina, o ministério revogou uma portaria que havia sido baixada apenas seis dias antes e que retirava a autonomia da Sesai e dos DSEIs, submetendo todas as decisões ao Ministério da Saúde.

Com a portaria, gestores dos DSEIs ficavam impedidos de emitir notas de crédito, realizar despesas, conceder diárias e requisitar passagens e transportes de pacientes.

Após os protestos, Barros recuou da medida nesta terça-feira (25), em publicação no “Diário Oficial”. Manteve, no entanto, espaço para maior interferência da secretaria executiva da pasta. Em nota, o ministério informou que a medida “tem o objetivo de estabelecer um novo fluxo e modelo administrativo para o setor, corrigindo, por exemplo, distorções de compra de produtos com variação acima de 1.000%”.

A reportagem apurou que o ministro vai apresentar como justificativa da eventual entrada das universidades no setor a necessidade de apresentar uma “alternativa” diante de uma decisão judicial que obriga o governo a corrigir falhas no atendimento às comunidades indígenas e contratar profissionais para os DSEIs.

Apesar do recuo, a incerteza sobre o atendimento e a ameaça de mudanças provocaram novos protestos de índios em frente ao Ministério da Saúde na tarde desta terça-feira. “Nós, povos indígenas, cobramos nossos direitos garantidos por lei”, informavam faixas colocadas na frente da pasta. Com informações da Folhapress.

Fonte: Notícias ao Minuto

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20 comentários em “Ministro diz que saúde indígena ‘é muita despesa e pouco resultado’

  • 25 de fevereiro de 2017 em 1:17
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    Sinceramente e um absurdov acreditar que um ministro idiota pode dizer isso

  • 23 de fevereiro de 2017 em 17:42
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    Os indios vao comer o figado desse infeliz. Se fosse no tempo em que indio nao sabia falar portugues, ele tava no sal. Mas hoje é civilizado e exige saude, respeito e tudo que devemos oferecer em seus direitos.

  • 2 de novembro de 2016 em 11:35
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    Claro que qualquer programa social vinculado à saúde dos povos indígenas aldeados terá um custo real maior do que em cidades, onde os equipamento sociais já existem. A questão é : quais os indicadores iremos usar para medir a eficácia da ação ? Numéricos ou Humanos ?

  • 1 de novembro de 2016 em 0:04
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    Contratar ou fazer parcerias com OSs poderia qualificar o atendimento. Basta que os contratos tenham adequado controle. Muito gasto e popuco resultado indica que a gestão dos recursos precisa melhorar. Não vi nada demais na declaração, apenas uma tentativa ridícula da esquerda de deturpar o sentido.

    • 3 de novembro de 2016 em 2:25
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      Concordo Ana

  • 31 de outubro de 2016 em 17:31
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    Nós tiramos as terras dos índios, e continuamos tirando com todos os tipos de violências…. o Brasil pertence a eles, nós estamos aqui de intrusos….desumanidade de nosso governo atual

    • 3 de novembro de 2016 em 2:24
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      Tiramos as terras? Então por q não doa a sua terra, terreno, o q seja. Então deveria ter deixado toda extensão do Brasil com eles? Vc acha mesmo q o território brasileiro é inteiramente deles?

      • 3 de novembro de 2016 em 4:33
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        Porq então vc não vá viver em uma tribo de vdd. Onde , realmente,não tenha nenhum contato externo. E, outra, então pelo q escreveu vc acha q o território brasileiro nunca deberia ter sido explorado. Deveria estar como em 1400. Porq se roubamos a terra deles…deveria então estar sem nenhum desenvolvimento até hoje.

  • 30 de outubro de 2016 em 10:43
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    Saúde é coisa séria, estamos lidando com vidas e não com una construção que temos que economizar no cimento e depois correr um sério risco de desmoronar

  • 30 de outubro de 2016 em 4:11
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    SANTO DEUS ONDE VAMOS PARAR?
    FALA SÉRIO, TEM QUE MANDAR ESTE GOVERNO PARA A PQP!!!!!!!

  • 29 de outubro de 2016 em 22:43
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    Ministro da saúde engenheiro e a mesma coisa que medico cozinheiro, o segundo faria mas sucesso, mas os coxinhas quiseram isso

  • 29 de outubro de 2016 em 14:56
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    Uma pena um ministro engenheiro que não sabe nada de saúde, pensa que profissional morar no meio da selva para atender os indigenas é igual trabalhar em um PSF RURAL, pensa que saude é igual a um saco de cimento e tijolos meu amigo você primeiro tem que saber o que significa saude publica e não plano privado tipo UNIMED.

    • 29 de outubro de 2016 em 22:40
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      Falou tudo

  • 29 de outubro de 2016 em 13:06
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    Daí qual é a solução que ele deverá apresentar: 1 – Focar na melhoria dos resultados com um uso melhor do dinheiro? ou 2 – Cortar os investimentos e passar a obrigação do governo com a saúde da população indígena para outras instituições? Nem precisa ler a matéria para adivinhar, né? Mas leia e verá que você se você marcou a 2 então marcou a certa.

    • 30 de outubro de 2016 em 1:57
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      A saúde indigena obrigatoriamente deve ser cuidada pelo ministerio da saúde sim,como se cuida da saúde dos brasileiros em geral. Agora pra que economizar um bilhão?aí é que está a falha, o dinheiro que era pra ser investido foi retido,e o direito dos índios de novo posto de lado.

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