É um mito associar desmatamento na Amazônia às commodities, diz especialista do MIT

Enquanto demanda e preços de produtos agrícolas aumentaram, o desmatamento recuou

É um mito associar o desmatamento na Amazônia ao aumento da demanda e dos preços das commodities agrícolas.  A informação foi feita pelo renomado climatologista e doutor em meteorologia pelo MIT, Carlos Nobre, durante o Fórum de Bioeconomia, realizado na última sexta-feira, na sede da Fiesp, em São Paulo (SP).

Para dar suporte ao seu argumento, Nobre usou de gráficos e tabelas os quais mostraram que nos últimos dez anos, enquanto a demanda e os preços de produtos agrícolas como, por exemplo, soja e carnes aumentaram, o desmatamento no bioma amazônico recuou. “O rebanho bovino cresceu na Amazônia e o desmatamento não”, ressaltou o cientista brasileiro membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU).

“Esta associação, entre commodities e desmatamento na Amazônia, é um mito que estamos derrubando com comprovações científicas”, enfatizou. De acordo com Nobre, políticas públicas implantadas a partir de 2004, como, por exemplo, a criação de áreas protegidas, foram essenciais para a redução do desflorestamento ilegal no bioma amazônico.

Entretanto, o climatologista também apresentou números que mostram o quanto à agricultura convencional ainda é ineficiente na Amazônia. Segundo ele, a agricultura desenvolvida no Estado de São Paulo, por exemplo, é três vezes mais eficiente em termos de produtividade do que a existente hoje no bioma amazônico. “Logo, intensificar a produção é uma maneira de diminuir a pressão sobre a floresta”, acentuou.

Em mais uma ressalva, Nobre salientou, ainda, que o modelo agrícola ideal para a Amazônia tem que ser ancorado em cadeias produtivas voltadas ao potencial da biodiversidade da região. Como exemplo, citou o açaí, “que se tornou um mega negócio em escala global”.

Fonte: InfoMoney

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