Morte de onça em revezamento da tocha olímpica foi um dos temas que marcou o ano no Amazonas

Neste ano, o Amazonas ganhou destaque no cenário nacional com a realização de alguns jogos do torneio olímpico de futebol na Arena da Amazônia, em agosto. Antes, houve a passagem da tocha olímpica por Manaus e por áreas ribeirinhas e indígenas nos dias 19 e 20 de junho. Foi o maior trajeto do Brasil. A população prestigiou o revezamento, tomando as ruas da cidade. Um dos condutores da tocha foi o curandeiro pajé da etnia dessana, Raimundo Kissib Kumu Vaz, que celebrou um ritual indígena com o sagrado fogo olímpico no meio da floresta.

Sonora: “A tocha significa muito pra mim porque nós somos seres humanos do dia. O nosso símbolo é sol, é fogo. Então essa tocha significa o nosso símbolo. O fogo é que faz a força pra nós.

É por isso que estou muito arrepiado e contente recebendo isso”.

Mas um episódio triste ganhou uma forte repercussão nacional e até internacional durante a passagem da tocha olímpica por Manaus. Uma onça foi abatida após uma cerimônia realizada no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). A onça Juma conseguiu se soltar das correntes e, mesmo após receber tranquilizantes, atacou os tratadores. Na internet, muita gente criticou a exposição do felino no evento olímpico.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), autuou e multou o Exército, especificamente, o Comando Militar da Amazônia, o 1º Batalhão de Infantaria de Selva e o próprio Cigs, pelos procedimentos que resultaram no abate do animal. Os órgãos não possuíam as licenças necessárias para manutenção, transporte e exibição da onça.

Recentemente, o Exército se comprometeu a adotar medidas corretivas em relação à manutenção e exposição de animais silvestres sob a responsabilidade da instituição. Um termo de ajustamento de conduta ambiental foi firmado com o Ministério Público Federal do estado, que havia entrado com uma ação na Justiça para impedir o Exército de utilizar bichos em eventos públicos.

Segundo o procurador da República, Rafael da Silva Rocha, pelo acordo, o Exército assumiu o compromisso de obter, em até dois anos, toda a documentação exigida para desenvolver legalmente atividades com animais silvestres, no âmbito do Comando Militar da Amazônia. Nesse período, não haverá exibição de bichos em eventos da instituição, garantiu o procurador.

Sonora: “O Exército pode continuar desenvolvendo o trabalho que já realiza com animais silvestres, receber esses animais, tratar esses animais. É importante, inclusive, reconhecer que é um órgão de referência em relação aos felinos, mas precisa fazer dentro da legalidade. E dentro da legalidade significa desenvolver essas atividades com todas as licenças, autorizações e permissões exigidas pela legislação”.

Apesar da morte da onça Juma, a realização de jogos do torneio olímpico de futebol em Manaus foi considerada pelo governo local e pelo comitê organizador um sucesso de público, segurança e organização. A Arena da Amazônia sediou quatro partidas de seleções masculinas e duas femininas.

Por: Bianca Paiva
Fonte: Radioagência Nacional

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3 comentários em “Morte de onça em revezamento da tocha olímpica foi um dos temas que marcou o ano no Amazonas

  • 29 de dezembro de 2016 em 15:59
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    Um absurdo total, me arrepio só de lembrar dessa asneira cometida durante a passagem da tocha olímpica.

  • 28 de dezembro de 2016 em 9:07
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    Lugar de onça é em seu habitat natural, e não em exposições públicas que só causam estresse no animal.

  • 25 de dezembro de 2016 em 18:21
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    Essa onça foi mais bem tratada que a grande maioria do povo brasileiro. Agora num país a onde um animal vale mais que a vida de um brasileiro. Isso é um absurdo. Absurdo maior é um órgão ambiental multar a maior e mais nobre instituição brasileira.

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