Óleo de pequi do povo Kisêdjê chega ao Mercado de Pinheiros, em São Paulo

Orgânico e produzido de forma comunitária na aldeia, é essencial na cultura e alimentação dos Kisêdjê.  É plantado também para reflorestar áreas desmatadas da Amazônia

oleo-de-pequiO óleo de pequi, ou Hwin Mbê na língua indígena, é produzido pelos Kisêdjê, que vivem na Terra Indígena Wawi, no Território Indígena do Xingu (TIX). O pequi, importante componente da cultura Kisêdjê, é utilizado tanto para alimentação quanto para o reflorestamento de áreas degradadas na região. Após anos de aprimoramento, o óleo será lançado no próximo sábado (10/12), no Mercado de Pinheiros (SP), com a presença de lideranças Kisêdjê e do chef Alex Atala.

Árvore nativa domesticada, o pequi existe nas roças Kisêdjê há séculos. Seu fruto tem um valor que transcende a culinária e está presente nos mitos, nos rituais e nas festas do povo Kisêdjê. O Hwin Mbê é produzido de forma tradicional – inteiramente a frio – o que resulta em um produto único, que preserva o sabor, a cor, o perfume e as propriedades do fruto. A extração começou em 2011, em um trabalho coordenado pela Associação Indígena Kisêdjê(AIK), com apoio técnico do ISA e financeiro do Instituto Bacuri e do Grupo Rezek.

Indígena colhe o pequi na plantação da aldeia|Eduardo Malta-ISA
Indígena colhe o pequi na plantação da aldeia|Eduardo Malta-ISA

Desde 1995, o ISA trabalha com os Kisêdjê apoiando o retorno ao seu território tradicional,e agora dá suporte à sustentabilidade de seus produtos.  O óleo de pequi vem se somar a um projeto maior dos indígenas de restauração ambiental, transformando pastagens degradadas deixadas por antigos ocupantes não indígenas em pequizais, com sistemas silvipastoris em seu interior, destinados a gerar renda de forma sustentável e a servir de referência para a sua região.

A produção do óleo é um incentivo para a plantação de novos pequizais e a recuperação de áreas degradadas, gerando mais alimento e renda sustenta´vel para a comunidade. É feita integralmente pelos índios – homens e mulheres, jovens e adultos – em mutirões e em grupos de trabalho organizados por eles. O plantio do fruto em larga escala teve início em 2006, em três hectares de uma área degradada próxima a aldeia Ngôjwêrê. No primeiro semestre deste ano, os índios concluíram o plantio de 60 hectares de pequi consorciado com capim. A renda obtida vai diretamente para a associação comunitária, que remunera os grupos de trabalho, guarda um valor para custear a próxima safra, e investe o excedente em demandas da comunidade.

Na culinária, receitas famosas como a galinhada com pequi e o arroz com pequi, são finalizados com o pequi. Recentemente, tem sido experimentado também em frituras, massas e como azeite aromático em saladas e outros pratos. Por sua consistência e altos teores de vitaminas, ferro e fósforo é também usado como hidratante para pele e cabelos. Chamado de a “roupa do índio”, o óleo de pequi na pele proporciona um tom dourado, hidrata e nutre.

Saborear o Óleo de Pequi dos Kisêdjê é sentir no paladar o conhecimento centenário desse povo, manter viva sua cultura e valorizar a floresta em pé. O projeto Hwin Mbê é uma iniciativa do povo Kisêdjê do Xingu, com apoio do ISA.

Lançamento Óleo de Pequi do Povo Kisêdjê

Quando: 10 de dezembro de 2016, 14h

Onde: Box Amazônia/Mata Atlântica – Mercado Municipal de Pinheiros

Rua Pedro Cristi, 89, Pinheiros, São Paulo

Por: Isabel Harari
Fonte: ISA 

 

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