Relembre as personalidades da Amazônia que deixaram saudades em 2016

Além da crise econômica e dos escândalos políticos, o ano de 2016 foi marcado pela perda de nomes importantes da Amazônia

Nomes que fizeram contribuições relevantes para a Amazônia, se despediram em 2016. Confira alguns destes nomes que deixaram saudades:

Irmã Juliana

As vésperas de completar 104 anos, a religiosa morreu no dia 29 de janeiro. Ela chegou ao Acre aos cinco anos de idade e conheceu a Ordem das Irmãs Servas de Maria Reparadora aos nove, na cidade de Sena Madureira. Entre as Servas, era conhecida por sua dedicação ao próximo e humildade.

Iraci Romagnolli Dias

A professora e escritora morreu no dia 9 de fevereiro. Autora de livros importantes para a cultura brasileira como Bichonário do Pantanal e O Circo do Bagre Zé pelo Pantanal, entre tantos outros, Iraci Romagnolli deixa um legado valioso que vem contribuindo para a formação de novas gerações.

Marcelo D12

O cenário da música gospel amazonense perdeu o talentoso Marcelo Cavalcante, conhecido nas festas como DJ Marcelo D12. O artista sofreu um acidente de trânsito no dia 21 de fevereiro e não resistiu aos ferimentos. Cavalcante deixou a esposa e um filho.

Irma Juliana, Iraci Dias e Marcelo D12. Foto: Reprodução

Orlando Farias

Especialista em jornalismo político e um dos grandes nomes da comunicação amazonense, faleceu no dia 19 de fevereiro. Orlando ficou conhecido por figurar entre os principais jornais especializados em política do Estado e durante décadas prestou serviços à comunicação local.

Seu Marcelino Azevedo

Mestre do Boi de Guimarães, (sotaque de Zabumba, o mais tradicional do bumba-meu-boi) morreu no dia 6 de março. Era reconhecido pelo Ministério da Cultura como Mestre em Cultura Popular. No ano de 1971, Seu Marcelino registrou a brincadeira que os seus ancestrais remanescentes de quilombos já praticavam há séculos. Em 1974, o Boi de Guimarães começou a fazer apresentações em São Luís durante as festas de são João. Atualmente, o Boi de Guimarães é uma das ‘brincadeiras’ mais tradicionais do Brasil.

Ana Lúcia Silva

A bailarina e professora de história morreu vítima de latrocínio no dia 26 de março, aos 51 anos. Ana era uma ativista da cultura popular, em especial do tambor de crioula.

Orlando Farias, Seu Marcelino e Ana Silva. Foto: Reprodução

Padre Paolino Baldassari

No dia 8 de abril, a Amazônia perdeu um de seus maiores símbolos religiosos: o padre Paolino Baldassari, da Ordem dos Servos de Maria, da paróquia de Sena Madureira. Aos 90 anos de idade, o líder deixou um legado de amor, humildade e santidade, além de um vasto histórico pautado na supremacia das santas missões populares. Italiano de nascença, acreano de coração, sena-madureirense por escolha, padre Paolino Baldassari estendeu sua liderança para além das fronteiras espirituais e defendeu em vida, e com muita garra, a floresta amazônica.

Jacir da Silva

A jornalista morreu no dia 22 de abril, aos 70 anos, por complicações do diabetes e problemas cardíacos. Jacir era ra uma referência do jornalismo maranhense, sobretudo, pelo seu dinamismo, irreverência e humor inteligente. Natural do município de Carutapera, ao chegar em São Luís exerceu vários cargos na imprensa, indo da reportagem à direção de mídias, até fundar O Debate, em 1983, matutino que permanece ativo até hoje.

Rogélio Casado

O médico psiquiatra e um dos maiores expoentes da luta antimanicomial, Casado morreu no dia 17 de maio, aos 63 anos. Ele era membro da Associação Chico Inácio, parceira da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antinomicomial. O especialista chegou a participar de greves, em uma inclusive ficou sem comer durante seis dias.

Jarbas Passarinho

O paraense, ex-ministro, ex-senador e ex-governador do Pará, morreu no dia 5 de junho, aos 96 anos. A vida política de Passarinho começou cedo, ele conquistou três mandatos no Senado, e também assumiu os ministérios do trabalho, educação e providência social.

Dom Carillo Gritti

O bispo morreu em 10 de junho, no município de Itacoatiara (distante a 270 quilômetros de Manaus), que chorou a morte do religioso. Ele lutava contra um câncer e não resistiu. Natural de Bergamo na Itália, Gritti chegou ao Amazonas em 1979. Já em 2000 assumiu como bispo em Itacoatiara.

Jacir da Silva, Jarbas Passarinho e Dom Carillo Gritti. Foto: Reprodução

Ézio Ferreira

A política no Amazonas perdeu grandes nomes, como o ex-deputado federal, que não resistiu a um infarto no dia 18 de junho.

Maria Fernanda Souza

Os jornalistas de Manaus lamentaram a morte de outro colega de trabalho, dessa vez a jornalista Maria Fernanda Souza , vitima de um acidente doméstico, no dia 23 de junho. A jornalista pertência ao quadro da Prefeitura de Manaus.

Onça Juma

O desfile da tocha Olímpica da Rio-2016 movimentou todo o Brasil, e no Amazonas não seria diferente. Porém, a passagem do simbolo olímpico foi ofuscada por uma grande polêmica. No dia 21 de junho, a onça Juma escapou dos tratadores nas dependências do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e foi sacrificada. O fato ganhou repercussão internacional e até o Comitê Olímpico se pronunciou sobre o assunto. Os desdobramentos do caso ainda estão em andamento, mas já renderam ao Exército Brasileiro medidas para evitar a exposição de animais selvagens em eventos públicos.

Antônio Francisco de Paula

A Amazônia perdeu no dia 30 de junho um de seus maiores ativistas da causa ambiental. Antônio de Paula, como era mais conhecido, morreu no Acre em decorrência de um AVC no Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul. Nascido em Nova Russas (CE), chegou ao Acre há 65 anos para explorar seringa. ‘Seu Antônio’ era um guardião da floresta – durante praticamente toda a vida, militou em defesa da conservação da floresta e das causas ambientais. Conhecia as curvas dos rios do Juruá como a palma da mão. Mais do que respeito, ele reverenciava a floresta e tinha um enorme conhecimento da mãe natureza.

Moacir Andrande

A cultura do Amazonas sofreu com a morte do artista plástico no dia 27 de julho. O artista estava internado em um hospital particular da capital com pneumonia. Andrade foi professor, desenhista e finalmente, artista plástico com sua primeira exposição realizada em 1952. Sócio fundador do Clube da Madrugada, ele também fazia parte da nata dos escritores amazonenses.

Jane Carla

A cantora gospel morreu no dia 5 de setembro após sofrer um acidente de carro na TO-080, entre Palmas e Paraíso do Tocantins.

Martha Falcão

No dia 8 de setembro, a professora morreu em decorrência a uma peneumonia. A educadora de 84 anos foi responsável por fundar várias instituições de educação no Amazonas, como a Escola e Faculdade Martha Falcão, além do Centro Educacional Pinocchio.

Cantora Jane Carla, Onça Juma e Moacir Andrade. Foto: Reprodução

Moacyr Castro

No dia 16 de setembro jornalista, crítico de cinema e escritor morreu em Belém, aos 82 anos. Ele foi uma das personalidades mais importantes da cultura paraense, Acyr ocupava, desde 1981, a cadeira de número 26 da Academia Paraense de Letras e dentre as diversas atividades desempenhadas por ele foi secretário de Cultura do Estado na década de 1980.

Raimundo Nonato da Silva

No dia 22 de setembro morreu o poeta, jornalista e servidor público do Judiciário, aos 62 anos. Membro da Academia dos Poetas Acreanos desde 2006, Raimundinho – como era mais conhecido – é autor das obras: ‘As Curvas do Rio da Vida’ e ‘Viajar, Sonhar e Voar’.

Sophia Ramalho

Com 34 mil seguidores em sua página no Facebook, a tocantinense mostrava sua luta contra um câncer no sangue, apesar dos tratamentos, a pequena não resistiu e faleceu no dia 25 de setembro, aos quatro anos.

Antonio Pedro

O músico e mestre da cultura popular Antonio José da Silva, o Antônio Pedro, morreu no dia 26 de setembro. O artista que cultivou a tradição musical dos bailes seringueiros, em especial o baque e, sob inspiração ayahuasqueira, foi criador de um ritmo, o “enverseios”. Aos 75 anos, Antonio Pedro sofreu um AVC e deixa a esposa e parceira musical, Carmem, 11 filhos e muitos netos.

Antônio Pedro, Sophia Ramalho e Raimundo Nonato. Foto: Reprodução

Eliezer Mattos Scherrer

O desembargador do Tribunal de Justiça do Acre morreu no dia 5 de outubro, em decorrência de câncer de pulmão, em Vitória (ES). Scherrer, que exerceu a magistratura no Judiciário acreano de 1990 a 2005, foi presidente do TJAC entre 1993 e 1995. Aos 77 anos de idade, o desembargador deixa a esposa, Rubedna Braga, e três filhos: Eliezer Júnior, Andressa e Osvaldo, além da enteada, Iolanda Cristina Braga.

Rubens Mota

O músico paraense, conhecido pelo público como ‘O Anormal do Brega’, morreu no dia 13 de Outubro. A marca registrada do artista era alegria que ele manteve até durante sua luta contra o câncer no pâncreas.

Cacique Gavião Krôhôkrenhum

O dia 19 de outubro marcou a morte de um dos mais importantes líderes indígenas da Amazônia, o cacique Gavião Krôhôkrenhum, conhecido como capitão. Ele lutou pelo fortalecimento do seu poo e suas tradições em defesa do território.

Tetsuo Kawada

O Acre perdeu no dia 20 de outubro uma referência da medicina no Estado, o médico Tetsuo Kawada. Japonês e residente no Acre por mais de 50 anos, Doutor Kawada, como ficou conhecido, dedicou seu tempo e trabalho à saúde pública do Estado. Em 2015, recebeu do Consulado Geral do Japão em Manaus (AM), no Palácio Rio Branco, a condecoração “Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro e Prata”, sendo o primeiro brasileiro residente no estado a ser condecorado pelo governo japonês.

Eliezer Mattos, Tetsuo Kawada e Rubens Mota. Foto: Divulgação

Serguei Firsanov

O violista russo morreu no dia 22 de outubro. Ele foi um dos mais antigos professores de viola do Instituto Estadual Carlos Gomes, onde lecionou por mais de 30 anos. Atuou como professor em quase todas as instituições públicas de ensino da música no Pará e será sempre lembrado por alunos e professores pela grande contribuição que teve para a formação de instrumentistas no antigo Conservatório Carlos Gomes.

José de Ribamar Viana

No dia 26 de novembro, morreu o Papete, como era conhecido o cantor José de Ribamar Viana. Natural de Bacabal, no Maranhão, Papete mudou-se para São Paulo ainda jovem, aos 18 anos. Na capital paulista foi consagrado como cantor, percussionista e compositor de reconhecimento nacional e internacional, sem nunca deixar de prestigiar a sua terra natal. O artista deixou esposa e duas filhas, além de um legado imensurável para a cultura maranhense.

Delegação da Chapecoense

O dia 29 de novembro deixou o Brasil de luto. O avião que levava a delegação do Chapecoense caiu em Medellín, na Colômbia. Ao todo, 71 pessoas morreram no acidente, entre eles o jogador paraense Lucas Gomes e o médico acreano Marcio Bestene Koury, médico do time.

Velório do jogador Lucas Gomes emocionou a capital paraense. Foto: Márcio Ferreira/Agência Pará

Ferreira Gullar

No dia 4 de dezembro, os maranhenses lamentaram a morte do poeta, ensaista, tradutor, escritor e dramaturgo Ferreira Gullar, que deixou significativa contribuição para a cultura maranhense e brasileira. Nascido em São Luís, em 10 de setembro de 1930, José Ribamar Ferreira foi um dos maiores autores brasileiros do século XX, eleito ‘imortal’ em 2014, quando passou a ocupar a cadeira n° 37 na Academia Brasileira de Letras.

Donizete Soares

O jornalista morreu no dia 7 de dezembro. Ele era proprietário do jornal Por Dentro da Notícia, de Presidente Médici, que por oito anos circula em toda região central do Estado.

Fred Cruz

O Superintendente adjunto do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNMP) no Amazonas, geólogo Frederico Cruz foi uma das vítimas fatais do acidente aéreo que aconteceu no dia 7 de dezembro, em Manaus. Em março deste ano, Fred Cruz participou do programa da WebTv do Portal Amazônia, Amazônia Interativa onde comentou sobre a revisão da altura do Pico da Neblina e do Pico 31 de Março.

Foto: Reprodução/Youtube

João Castelo

O ex-governador do Maranhão e ex-prefeito de São Luís, João Castelo morreu no dia 11 de dezembro, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Castelo estava no quinto mandato de deputado federal, além de já ter exercido outros cargos, como senador da República e presidente Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap).

Geraldino Dal Maso

Morreu no dia 13 de dezembro, Geraldino Dal Maso, o primeiro prefeito eleito da cidade de Sinop (503 km ao norte de Cuiabá). Em 1982, Geraldino foi eleito o primeiro prefeito de Sinop. Ele comandou a Prefeitura Municipal por seis anos, no período de 1983 até 1988.

Tatá Txanou

A cultura e a história indígena do Acre perderam um dos seus principais líderes no dia 20 de dezembro. O mais respeitado ancião da etnia Yawanawá, Tatá Txanou, faleceu aos 104 anos de idade. O pajé viveu um centenário de muita sabedoria, preservando a cultura Yawanawá, além de transpor as curvas dos rios e tornar a cultura dos povos da floresta acreana conhecida mundialmente, por meio do encantador Festival Yawa.

Tatá Txanou. Foto: Sérgio Vale/Agência Acre

Lúcia Tereza Rodrigues

A deputada Estadual morreu no dia 23 de dezembro, em Cacoal. Lúcia foi uma defensora dos ideais republicanos, tendo, ao longo de sua vida política, concedido apoio às causas do Ministério Público e também a ele se submetido, demonstrando, com consciência, o respeito ao papel das instituições no Estado Democrático de Direito.

Rede Amazônica em luto

A Rede Amazônica de Rádio e Televisão estreou no dia 1° de setembro de 1972, a emissora nasceu graças a união dos empresários Phelippe Daou, Joaquim Margarido e Milton Cordeiro que possuiam o mesmo sonho: levar a Amazônia para o mundo. O primeiro golpe para a empresa aconteceu no dia 5 de outubro, quando Joaquim Margarido faleceu aos 84 anos. Ele deixou a esposa, Déa Ribeiro Margarido, os três filhos, Linimar, Carlos Alberto e Luís Margarido, quatro netos e cinco bisnetos.

No dia 31 de outubro, menos de 26 dias depois da morte de Margarido, os funcionários da Rede Amazônica receberam com pesar a notícia do falecimento de Milton Cordeiro que não resistiu a uma grave pneumonia. Natural de Itacoatiara, Cordeiro era viúvo de Maria Edy, que morreu em 2014. O casal deixou cinco filhos, 10 netos e cinco bisnetos.

Já as comemorações de dezembro ficaram com um gosto agridoce para a família Rede Amazônica. No dia 14 de dezembro, o jornalista e presidente da empresa, Phelippe Daou, faleceu em decorrência de um infarto. O empresário estava internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, após passar por uma intervação cirúrgica para a implantação de um estente. Viúvo de Magdalena Arce Daou, é pai de dois filhos Phelippe Daou Jr. E Cláudia Daou Paixão e Silva e avô de quatro netos.

Milton Cordeiro, Phelippe Daou e Joaquim Margarido. Foto: Divulgação/Rede Amazônica

Fonte: Portal Amazônia

Deixe um comentário