‘Imperatriz alerta sobre destruição da mãe Natureza’, afirmam povos indígenas

Além de apoiar a escola de samba, eles estudam medidas judiciais para conter onda racista, injúrias e incentivos à violência por parte do poder econômico e do agronegócio

Preservação: estudos comprovam menor desmatamento em um raio de até 10 quilômetros das terras indígenas
Preservação: estudos comprovam menor desmatamento em um raio de até 10 quilômetros das terras indígenas

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) divulgou nota ontem (17) para manifestar solidariedade à Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, pelo samba-enredo Xingu – o Clamor que Vem da Floresta, que tem sido alvo de críticas de representantes do agronegócio e da bancada ruralista. A Apib afirma que o samba-enredo faz um alerta sobre a “destruição em curso da mãe Natureza”.

Para a entidade, é sábia e corajosa a decisão de produzir e levar à Marquês de Sapucaí o samba-enredo que revoltou o agronegócio, especialmente membros da bancada ruralista, além de profissionais da “imprensa subserviente”, que reagiram indignados e iniciaram uma campanha difamatória, de desqualificação e ofensas ao samba da Imperatriz Leopoldinense e uma sequência de ataques preconceituosos, racistas e estigmatizantes contra os povos indígenas do Brasil.

A nota destaca ainda que a letra do samba dá visibilidade a atrocidades contra os povos e a natureza. E que os representantes do agronegócio mentem ao reiterar em campanhas na mídia serem responsáveis por 30% dos empregos, 40% das exportações e 22% do PIB, quando as terras indígenas nada produzem. E ressalta dados do Instituto de Pesquisa da Amazônia e da Universidade de Brasília mostrando efeitos contra o desmatamento num raio de até 10 quilômetros de seus limites.

Os povos indígenas afirmam ainda que estudam medidas judiciais cabíveis para conter a onda de ataques racistas, injurias e incentivos à violência intensificados contra os povos indígenas por parte de setores do poder econômico, donos ou representantes do agronegócio.

Militarização da Funai

Na semana passada, a Apib se manifestou contra a ocupação da presidência e diretoria da Fundação Nacional do Índio (Funai) por nomes ligados ao PSC em troca do apoio ao golpe parlamentar que levou Michel Temer à Presidência da República.

A entidade reafirma publicamente manifestações anteriores, nas quais repudiou as tentativas de militarizar e desmontar do órgão indigenista, com a nomeação de militares para presidi-lo, bem como contra a redução drástica do orçamento e do quadro de servidores, a paralisação das demarcações das terras indígenas, as mudanças por meio de iniciativas legislativas ou medidas administrativas do procedimento de demarcação e a crescente criminalização de lideranças indígenas.

Para a Apib, a decisão da Casa Civil de efetivar indicações do PSC confirma o caráter ilegítimo do governo Temer, “alavancado pelas bancadas ruralista, evangélica, da mineração, do boi, da bala e assim por diante”. A entidade afirma que o partido “é parte do batalhão de parlamentares que perseguem suprimir os direitos constitucionais dos povos indígenas, tendo votado a favor da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 215, fazendo parte da CPI da Funai/Incra por meio do deputado Bolsonaro Filho – “um partido claramente anti-indígena”.

Fonte: Rede Brasil Atual

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