Com dança, música e reza grupo apresenta marujada em Rio Branco

Grupo de marujos se apresentou neste domingo (26), no bairro Vila Ivonete. Marujada conta história de navios negreiros que atravessavam o mar.

Enredo da marujada conta história de navios negreiros que atravessaram o mar até chegar no Brasil (Foto: Quésia Melo/G1)

Mais de 20 pessoas se reuniram neste domingo (26) para realizar uma Marujada no bairro Vila Ivonete, em Rio Branco. Alexandre Anselmo, um dos membros do grupo Marujada Brig. Esperança, explica que a apresentação consiste em uma dança dramática e folclórica existente em todo o Brasil desde o século 17. Durante a apresentação são feitas danças guerreiras e rezas.

“É uma manifestação que está ligada aos marujos de navios negreiros e recorda a situação da escravidão e a travessia do mar. No Brasil, como os negros eram obrigados a seguirem a religião católica e fazerem festas católicas, essa foi a maneira que encontraram de contar a história deles”, explica.

Anselmo conta que a festividade chegou em Rio Branco nos anos 70 através de um mestre de Manaus, onde já existia desde os anos 30.  Segundo ele, a Marujada na capital acreana ficou parada por aos menos cinco anos e foi renovada em 2013, desde então os “marujos” se apresentam em todos os carnavais.  Em outros locais, segundo ele, a dança é feita durante rituais religiosos, principalmente de São Benedito.

“Temos um barco que acompanha a dança, banda de música e dois cordões de dançarinos que chamamos de brincantes e entre eles estão os marinheiros, oficiais e a parte dramática das falas que contam a história de um navio que vai para o alto mar, mas há uma rebelião. Em seguida eles enfrentam uma tempestade e se reúnem para fazer uma reza”, conta.

Atualmente com 75 anos, o seringueiro Aldenor da Costa Souza conta que conheceu a Marujada aos 10 anos. Desde então passou a criar suas próprias músicas para a apresentação e brinca o Carnaval todos os anos. “Essa é uma cultura, uma brincadeira e durante a apresentação a gente canta, samba, marcha e valsa. É uma tradição dos marinheiros navais”, destaca.

Grupo de ao menos 20 pessoas se reuniu para cantar e apresentar samba, marcha e valsa (Foto: Quésia Melo/G1)
Grupo de ao menos 20 pessoas se reuniu para cantar e apresentar samba, marcha e valsa (Foto: Quésia Melo/G1)

Urubu Cheiroso

Fundado em 1983, o bloco Urubu Cheiroso desfilou neste domingo pelo Centro de Rio Branco acompanhado de ao menos 1 mil foliões, segundo a organização. O grupo começou a participar de desfiles oficiais em 1986 e este ano comemora 30 anos do enredo “Éramos Urubus Astronautas” com o qual ganharam a disputa entre blocos.

Álvaro Mendes, um dos diretores do bloco, explica que este é o quarto ano que o Urubu Cheiro lota as ruas da capital acreano após 25 anos parado. “A sensação de resgate do Carnaval de rua é maravilhosa. No Urubu Cheiroso tem espaço para todos, para quem vier sozinho e junto com a família”, destaca.

Madureira Silva, de 31 anos, e mais dois amigos decidiram se vestir de mulher para acompanhar o bloco de rua neste domingo. Ele conta que o trio foi maquiado pelas mulheres e que fazem a brincadeira todos os anos. “É uma brincadeira sadia entre os amigos. Somos amigos há vários anos e tiramos esse dia para nos divertir e as mulheres são os homens e cuidam da gente”, brinca.

Bloco reuniu folióes pelas ruas do Centro de Rio Branco (Foto: Quésia Melo/G1)
Bloco reuniu foliões pelas ruas do Centro de Rio Branco (Foto: Quésia Melo/G1)

Outra foliã que participa todos os anos do desfile é Antonela Albuquerque. A brincante conta que já é tradição seguir o trio elétrico pelas ruas de Rio Branco e afirma que a produção da fantasia e maquiagem levou duas horas. “Todos os anos desfilo com muito glamour e alegria. O Carnaval é uma festa maravilhosa e não perco por nada”, finaliza.

Fonte: G1

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