ILPF se consolida no Brasil em 2016

Agropecuária que adota algum tipo de sistema de integração já abrange 11,5 milhões de hectares

O ano de 2016 foi de consolidação dos sistemas de integração lavoura-pecuária e floresta (ILPF) no Brasil. Um levantamento inédito divulgado em novembro pela Rede de Fomento de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta – elaborado pelo Kleffmann Group, com acompanhamento técnico da Embrapa Meio Ambiente por meio da Plataforma ABC – revelou que a agropecuária brasileira que adota algum tipo de sistema de integração já abrange 11,5 milhões de hectares no país. Com isso, o objetivo estabelecido pelo Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) para 2020, de ampliar em 4 milhões de hectares a adoção de sistemas ILPF, correspondendo ao sequestro de 18-22 milhões de Mg de CO2eq, já teria sido alcançado.

Segundo a pesquisa, ocorreram consideráveis incrementos na adoção de sistemas ILPF no Brasil nos últimos anos. Entre os pecuaristas, apenas nos últimos cinco anos, o aumento foi de 10% e 83% utilizam o sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), 9% ILPF, 7% integração pecuária-floresta (IPF). Entre os produtores de grãos, o crescimento tem sido de 1% a cada cinco anos, 99% adotando o sistema ILP, 0,4% ILPF e 0,2% integração lavoura-floresta (ILF).

De acordo com pesquisadores, todos esses dados indicaram que a tecnologia ILPF é viável. Os números revelados pela pesquisa sugerem que há um grande espaço para ações de transferência de tecnologia, no sentido de elevar a qualidade dos sistemas já implantados. A estratégia de ILPF é flexível, podendo ser adotada por pequenos, médios e grandes produtores e os dados gerados poderão orientar as políticas públicas.

Estados-chave

Os estados que se destacaram este ano em área de adoção são Mato Grosso do Sul, com dois milhões de hectares; Mato Grosso, com 1,5 milhão; Rio Grande do Sul, 1,4 milhão, que se destacou também como o estado com maior número de propriedades participantes de alguma das modalidades; Minas Gerais, 1 milhão, e Santa Catarina, com 680 mil hectares.

O estado de Mato Grosso vem se destacando há alguns anos como estado-chave na adoção desses sistemas, uma vez que é uma das principais fronteiras agrícolas do país. Esse incremento na participação de Mato Grosso é fruto de ações de divulgação da agricultura de baixo carbono. De janeiro a maio deste ano, foram realizados workshops em 17 municípios e capacitações em cinco polos regionais, totalizando 975 participantes, para divulgar o Plano ABC. As iniciativas integram as políticas públicas do Governo do Estado na promoção de ações que visam a desenvolver o programa Produzir, Conservar e Incluir (PCI).

Uma avaliação da Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), neste ano, revelou que a ILPF conseguiu uma produtividade cinco vezes maior do que a média nacional e oito vezes maior do que a média de Mato Grosso, com uma produtividade de até 32 arrobas por hectare em um ano.

“O futuro do Brasil será de sistemas integrados para a agropecuária, que unam a lavoura, a pecuária e a floresta para combater a emissão dos gases de efeito estufa”. A afirmação é do pesquisador da Embrapa e do Observatório ABC, Eduardo Assad, feita em dezembro deste ano.

Por: Talise Rocha
Fonte: Observatório ABC

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