Operação descobre pagamento de propina para que carnes vencidas cheguem aos mercados sem fiscalização

Carne Fraca: mandados sendo cumpridos em Londrina (Foto: Dionisio Mathias/RPC)

A Operação Carne Fraca, deflagada hoje (17) pela Polícia Federal revelou um esquema de venda ilegal de carnes por frigoríficos. Até agora foram expedidos 38 mandados de prisão envolvendo 30 empresas e o bloqueio de R$ 1 bilhão. As informações são do Jornal Folha de São Paulo.

Dois dos principais frigoríficos dos país estão sendo investigados: BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão e JBS, dona das marcas Seara e Big Frango. O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, apesar de não ser investigado é citado em conversas interceptadas e identificado como “grande chefe”.

Segundo a PF a organização criminosa era liderada por fiscais agropecuários do próprio Ministério da Agricultura que facilitavam a produção e comercialização de produtos adulterados através do pagamento de propinas.  Eles emitiam certificados sanitários sem fiscalização possibilitando que até mesmo carnes podres chegassem ao consumidor.

A operação acontece exatamente após quatros anos da divulgação do Radiografia da Carne, realizado pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e amplamente divulgado pelo programa Fantástico da Rede Globo. Segundo o estudo um terço da carne que chegava ao consumidor não passava por fiscalização adequada.

 

Para Mauro Armelin, diretor executivo da Amigos da Terra, o episódio mostra que o problema ainda não foi solucionado e necessita de uma resposta urgente.  “Criar um mecanismos de controle da cadeia produtiva da carne que seja transparente e único é o caminho mais seguro para que a sociedade saiba o que está consumido.  E isso só será alcançado com o engajamento de empresas, sociedade e governos, que precisam dar acesso aos documentos de controle para que a sociedade e academia possam apoiar o monitoramento”.

A Radiografia apontou que em estados responsáveis por mais de 60% do rebanho nacional, existia uma falha sistêmica: em aproximadamente 80% dos empreendimentos não era sequer realizada a inspeção sanitária. A falta de sanidade vai junto com o desrespeito ao meio ambiente, aos direitos trabalhistas, ao bem-estar animal e, mais em geral, à falta de rastreabilidade e origem do produto.

Já em 2013 vídeos flagravam a omissão de veterinários que assinam certificados sem sequer estar presentes ao abate.

A Operação

arte: folha de são paulo

Dados da PF divulgados pela Folha mostram que essa é a maior operação já realizada pela instituição. Foram mobilizados 1.100 policiais em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal.

Agentes públicos das superintendências regionais do Ministérios Do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento dos Estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás cobravam propinas para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização.

O dinheiro ia para os partidos políticos PMDB e o PP, segundo a Polícia Federal. Não foram identificados os políticos que recebiam o dinheiro e nem o motivo dos desvios.

Os frigoríficos atuavam ativamente no esquema e conseguiam a transferência de fiscais que não participavam do esquema, chamados de “capetas”. Roney dos Santos, executivo da BRF, tinha acesso inclusive ao login e senha do sistema de processos administrativos do órgão, de uso interno.

Segundo a PF o líder do esquema era o fiscal Daniel Gonçalves Filho, que foi superintendente do escritório do Ministério da Agricultura no Paraná entre 2007 e 2016. Ele atuava em parceria com pelo menos outros oito servidores do órgão, além de Flávio Evers Cassou, atual executivo da Seara Alimentos, ligada à JBS, que também atuou como fiscal agropecuário entre 2009 e 2014.

Entre os presos, estão executivos da BRF como Roney Nogueira dos Santos, gerente de relações institucionais e governamentais, e André Baldissera, diretor da BRF para o Centro-Oeste. Também estão na lista funcionários da Seara e do frigorífico Peccin, além de fiscais do Ministério da Agricultura.

Carnes podres e merenda com carne adulterada

As investigações tiveram inicio depois de uma denuncia de que uma escola do Paraná havia recebido carne adulterada. Os estudantes comeram salsicha de peru, na prática, sem carne, com substituição por proteína de soja, fécula de mandioca e carne de frango.

No decorrer das investigações a PF encontrou carnes adulteradas, com prazo de validade vencido e maquiadas com produtos proibidos por lei, em gôndolas de supermercados. Até mesmo carne de carnes podres, maquiadas com ácido ascórbico, produto potencialmente cancerígeno chegaram ao consumidor.

Fonte: Amazônia.org.br
As informações são do Jornal Folha de São Paulo

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2 comentários em “Operação descobre pagamento de propina para que carnes vencidas cheguem aos mercados sem fiscalização

  • 19 de março de 2017 em 13:53
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    Isso é imperdoável. Os responsáveis deveriam ter pena de morte. Isso é questão de saúde pública!

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  • 18 de abril de 2017 em 18:05
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    Realmente um absurdo, não tem mais como confiar no que comemos hoje em dia, só nos resta voltar a consumir alimentos orgânicos.

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