Seminário permite troca de conhecimento tradicional e científico sobre manejo do fogo

A troca de conhecimento tradicional e científico foi o resultado do Seminário Manejo intercultural e participativo do fogo na América do Sul: experiências e desafios, encerrado na última sexta-feira, dia 17, no Centro de Excelência Tecnológica da Universidade de Brasília.

O Seminário reuniu representantes dos povos indígenas Xerente, Xacriabá, Kaiapó, Macuxi do Brasil e da Venezuela, Gavião, Suiá, Wapichana do Brasil e da Venezuela, Pémon – Arekuna da Venezuela, além de pesquisadores e técnicos de instituições do Brasil, Venezuela e Guyana. Os participantes debateram o resultado de discussões e excursões de campo realizadas nos dias 11 a 13 de março em Brasília e Cavalcante/GO.

Para Yaiku Kisedje, liderança da Terra Indígena Parque do Xingu, o seminário permitiu conhecer outras formas de manejo do fogo, como a queima prescrita, derrubada de vegetação nos três primeiros meses do ano. No período de seca, período propício à ocorrência de incêndios espontâneos, a vegetação derrubada cresce e forma uma barreira.

A Coordenadora de Prevenção de Ilícitos da Coordenação Geral de Monitoramento Territorial da Funai, Gabriella Guimarães, falou da dificuldade de um envolvimento maior da comunidade, ressaltando os resultados positivos alcançados, como na Terra Indígena Sororó no estado do Pará. Os Suiá, segundo a coordenadora, fazem um trabalho integrado com os moradores do entorno com queimadas controladas, além de recuperar áreas degradadas com mudas do viveiro da própria comunidade.

“Os índios Gavião, Guajajara e Awá Guajá sofreram muito no ano passado com os incêndios criminosos provocados por invasores, queimando nossas roças. Neste ano, se não conseguirmos apoio e retorno do PREV-FOGO do IBAMA vamos sofrer muito mais”, desabafou Marcela Gavião, da aldeia Governador, no município de Amarante no estado do Maranhão. “O Gavião criou um grupo de guardiões denominado Pji Jamyrcatiji, formado por 41 pessoas da comunidade, para atuar na prevenção, monitoramento do fogo e fiscalização da área, mas não tem pessoal e equipamentos para atuar em casos de incêndio”, diz ainda Marcela.

Rede Parupa de Manejo Intercultural do Fogo

Em 2015, uma geógrafa da Universidade Royal Halloway de Londres e Bibiana Bilbao, ecóloga da Universidade Simon Bolívar de Caracas convidaram grupos de pesquisadores, indígenas e gestores públicos da Venezuela, Guyana e Brasil para uma reunião em Parupa, Gran Sabana, Parque Nacional de Canaína/Venezuela. O objetivo foi compartilhar ideias, experiências e desafios sobre Manejo Intercultural e Participativo do fogo. Foi criada a Rede Parupa, tendo como coordenador Vincenzo Lauriola, ecólogo do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia de Roraima. Fazem parte da rede o Ibama, a Funai, além de organizações e lideranças indígenas de Roraima e de Mato Grosso.

Durante a oficina, foi avaliado o desempenho da Rede e a perspectiva de criação de uma Rede Sulamericana.

O evento teve apoio do The Woodspring Trust, British Academy, Ibama, Funai, UnB, ISPN, e ISA.

Texto: Eleonora de Paula
Fonte: Funai

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